Produtividade é necessidade básica para todos os negócios, ou praticamente para todos. É o que promete a metodologia Getting Real, ou Caindo na Real, elaborada e difundida pela 37 Signals, conceituada desenvolvedora de soluções baseadas na web e do framework open-source Ruby on Rails.
Numa visão geral, conceitua-se em largar mão de todo e qualquer processo de especificação que aponte a uma referência sobre o que será o software e partir direto para execuções que resultem em artefatos que realmente representem o software.
Por se tratar de um tema consideravelmente amplo, serão publicados artigos em série que abordarão com moderado nível de aprofundamento os principais aspectos do processo Getting Real.
A 37 Signals disponibiliza gratuitamente uma versão digital do livro Getting Real, que contempla em detalhes os assuntos expostos nesta série de artigos. A versão digital possui tradução para vários idiomas, entre eles o português. Além disso, é possível adquirir o livro na versão impressa ou no formato eletrônico PDF.
Esta série de artigos não deve ser interpretada como uma preferência minha, e sim considerada objeto de estudo para fins de conhecimento. Metodologias de trabalho, quando aplicadas na vida real, podem e devem ser adequadas ao cenário de cada empresa, pois terão que aderir a processos particulares e às mais diferentes culturas das organizações.
A essência do Getting Real
Focada principalmente em aplicações web, a metodologia Getting Real se caracteriza por descartar etapas consideradas vitais por algumas das tradicionais metodologias de desenvolvimento de software, como especificações funcionais e diagramas, e iniciar pela construção das aplicações como são vistas pelo usuários, isto é, através da interface.
Parece radical e arriscado. Entretanto, os princípios da Getting Real estão centrados na partida pela definição da experiência do usuário, ou seja, de que forma o software será apresentado e permitirá sua utilização. Isso não quer dizer que qualquer definição inicial seja desnecessária, em contrapartida não se produz uma vasta gama de artefatos documentais, permitindo com que as atividades fluam com mais velocidade.
Todo o trabalho da Getting Real está direcionado na entrega rápida da ideia em seu equivalente desejado: o software. Para isso a metodologia sugere que se procure manter o mínimo de funções nas aplicações, em outras palavras, deve-se abrir mão do que pode ser o excesso de funcionalidades que resulta em mais desenvolvimento e pouco poderá contribuir com os objetivos chave do software.
Talvez pelo caráter simplificador da metodologia e por ser pouco detalhista, ela não se enquadre tão perfeitamente para projetos de grande porte e/ou executados por equipes enormes. Seus próprios autores sugerem que nem todas as premissas da Getting Real poderão ser aplicadas em todas as situações. Contudo, sempre existe algo a se aproveitar, e sua utilização pode ser incorporada a outras atividades.
A tríade prazo, orçamento e escopo
A entrega do que foi previsto (escopo) na data acordada (prazo) e atendendo ao orçamento definido e sem interferências na qualidade desejada para o produto são certamente as preocupações de primeiro plano para os gestores de projetos.
O conceito da Getting Real enfatiza que quando não se pode entregar tudo dentro do prazo e orçamento estabelecidos mais vale enxugar algo menos prioritário do escopo e realizar a entrega. Justifica-se tal ação evitando-se entregas problemáticas de produtos por insuficiência de tempo e recursos para a correta realização das atividades.
A flexibilidade de escopo pode ser uma alternativa interessante às indesejáveis negociações de prazo e orçamento, pois o cumprimento da entrega, mesmo que parcial, pode parecer melhor que a entrega de coisa alguma. De muito vale o bom senso e saber priorizar na hora de definir alterações no escopo.
A visão do produto
Antes de começar qualquer implementação de interface ou codificação é importante ter definido qual o propósito do software sob o qual se vai trabalhar. Uma visão concreta servirá com guia nas tomadas de decisão no decorrer do projeto.
A visão deve ser formada por uma breve sentença e ser facilmente compreendida por todos. Algo que sucintamente represente como o produto deve ser encarado, qual o motivo de sua existência e sua real serventia. Estebelecida a visão, esta será a base para as demais decisões do projeto.
Temas futuros
Nos artigos seguintes da série sobre a metologia Getting Real, vamos explorar assuntos como a formação e gestão das equipes de trabalho, o gerenciamento de detalhes e a seleção das funcionalidades relevantes, a importância da interface, implementação, testes, a etapa de entrega e as estratégias pós-lançamento, manutenção do produto e suporte.
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