Agile

12 dez, 2018

Cada um no seu Agile

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No mundo dos negócios, todos esperam que suas entregas sejam rápidas, eficientes e ágeis, com uma produtividade alta, organizada e iterativa, e existem muitas metodologias que ajudam nesse processo. Entretanto, como se dá esse processo de escolha e como prosseguir?

“Metodologia”, segundo o dicionário Michaelis, se define por um conjunto de regras e procedimentos para a realização de trabalhos científicos. Cada empresa tem sua forma específica de lidar com a execução de seus trabalhos.

Algumas conhecem e adotam o termo “metodologia” – outras apenas usam as palavras “sistema”, “guia” ou “regulamento” de trabalho, mas diferentemente de todo o manual de regras trabalhistas e da postura que as instituições possuem, em uma empresa com diversas equipes, partes interessadas e demandas, a metodologia pode ser aplicada, então, como o método e a maneira como os processos de produtividade e entrega permeiam os passos da instituição.

Em algumas empresas, são adotadas as metodologias ágeis que estão em alta, como: o Scrum, a Extreme Programming (mais voltada para o desenvolvimento de software) e a cultura de engenharia do Spotify, já em outras, as metodologias mais tradicionais, como o Cascata e o RUP (Rational Unified Process) são as que ditam os processos da instituição.

Independentemente dos modelos adotados, toda instituição tem o mesmo e simples propósito, a entrega de seus serviços. Para o cliente da empresa, e até para ela mesma, o requisito mínimo de qualquer entrega é a perfeição na qualidade.

Nenhum produto ou serviço pode ser concebido sem ser no seu melhor estado possível, e para se chegar até esse estado de qualidade dos conteúdos, um grande processo de design, desenvolvimento, análise e gestão é realizado continuamente por diversas equipes dentro das organizações – todas alinhadas pelos mesmos postulados de sua respectiva metodologia de trabalho definida.

Em uma variedade tão grande de empresas e modelos, talvez seja o Spotify que tenha o case mais interessante no quesito de cultura e metodologia de trabalho atual.

Após um crescimento em tão larga escala e em tão pouco tempo, o Spotify, que costumava utilizar a metodologia ágil Scrum, a flexibilizou e a adaptou para uma metodologia própria mais adequada e ágil para suas práticas.

O Spotify acabou modelando e oficializando sua própria metodologia de trabalho e desenvolvimento, focando no alinhamento entre seus times e entre os entregáveis de diversas funcionalidades dos produtos da organização, convertendo as antigas práticas engessadas em princípios completamente adaptáveis para suas necessidades de forma autônoma, porém, alinhada estrategicamente.

Desde modificações simples como renomear alguns termos e atributos, até repensar na quantidade e na diversidade técnica de suas equipes e indivíduos e em suas atuações e funções dentro da empresa como um todo.

Porém, se os procedimentos se tornam regras imutáveis ou ficam muito comuns e dispersos no cotidiano do trabalho, o próprio conceito de metodologia foi perdido e é hora de revê-los.

Certamente não é apenas o Spotify que tem uma metodologia particular de trabalho ou que adaptou outras metodologias ágeis para ser coerente com suas práticas de planejar e executar os processos. Várias empresas ficam na tentativa de organizar uma cultura própria de trabalho ágil e funcional.

Porém, se modelos feitos para serem flexíveis acabam engessando demais os processos, todo o agile acaba sumindo, deixando apenas o desejo e o simples bom senso de entregar serviços e conteúdos da melhor forma, mesmo não a atingindo.

O que permeia todos os fluxos é o objetivo de entrega de serviços. Esse é o pensamento instintivo e natural das organizações, mas sem nenhuma agilidade definida e sem nenhum método real de trabalho, nenhuma garantia de dedicação e atenção àquela perfeição esperada pelo cliente pode ser confirmada.

O que algumas empresas não percebem, é que elas podem, sim, criar uma metodologia oficial. Seja modificando completamente alguma metodologia ou, então, mesmo não seguindo nenhuma nos mínimos detalhes, a própria forma delas trabalharem naturalmente no cotidiano sempre pensando e agindo para melhorar pode, sim, ser sua metodologia particular e funcional.

Podemos pegar como exemplo um case brasileiro de muito sucesso: os cursos online da faculdade FIAP onde tanto para os alunos da instituição quanto para os funcionários internos, a disrupção e a forma evolutiva de execução dos processos se fazem de grandes geradores de benefícios para todos os envolvidos.

Na modalidade online dos cursos da faculdade (FIAP ON), os alunos aprendem por meio de uma metodologia de ensino chamada PBL (Project Based Learning), baseada em projetos. Dessa forma, o conteúdo é desenvolvido em diversas fases e dividido em capítulos que são divulgados para as centenas de alunos na plataforma digital.

Os conteúdos passam por constantes entregas e validações de qualidade específicas para esse formato e para seus envolvidos de diferentes equipes de forma contínua em um processo bem definido e com métodos próprios de produção e agilidade.

Para que haja sincronia entre as diversas áreas da instituição, um processo de produção deve ser moldado conforme as necessidades e habilidades vão surgindo ou até mesmo sumindo, implementando todas as adaptações dos processos e criando a própria metodologia para melhor organizar o desenvolvimento e a entrega dos conteúdos para as equipes internas e para os clientes finais, sempre se alinhando aos requisitos de perfeição mínima de cada entregável.

O fator principal nesses exemplos é a adaptação contínua. Sabemos, também, da utilização do termo “melhoria contínua”, que também se faz presente nessa, em outras metodologias e em conceitos básicos, mas a adaptação no sentido de ajuste e preparo para sempre flexibilizar e realizar mudanças bruscas ou graduais no desenvolvimento das atividades, visando a adequação e a melhor coerência com as necessidades do cotidiano.

A produção e a entrega adaptável e contínua de serviços, adaptando os fluxos dos processos de maneira formal e objetiva para todos os envolvidos, sempre que necessário, deve ser o princípio de qualquer metodologia para empresas, independentemente de seu porte ou ramo de atuação. Nunca se distanciando da qualidade final para os clientes do negócio ou se excedendo nas regras dos processos ou na inovação mais do que o necessário. — Gabriel Tessarini.

Referências