O que antes era apenas ficção na família Jetsons, hoje é uma realidade nas famílias dos grandes centros: a tecnologia e os compromissos em demasia vêm alterando hábitos e costumes que perduraram nas famílias durante muito tempo.
Aquelas cenas de comerciais de margarina, onde a família se reúne todos os dias pela manhã antes dos afazeres diários para conversar sobre o dia que virá, ou aquela cena de comerciais de caldo de galinha, onde a reunião ocorre no jantar para discussão do dia que passou, está perdendo espaço para os avanços tecnológicos e para a pressa do dia a dia.
Os pais e filhos acordam não mais com um despertador, e sim com o celular que, já de quebra, traz os emails não respondidos, algumas mensagens do SMS e do MSN, e até as principais cotações do mercado financeiro. Dessa forma, quando a família se encontra no café da manhã, observa uma cena um pouco diferente das presentes nos comerciais: os filhos estão com os fones de ouvido, os olhares estão para a tela do próprio aparelho ou para os celulares, os pais estão de olho e ouvidos nos notebooks, iPhones ou até nos televisores instalados na sala de jantar ou na cozinha, tentando antecipar as ações diárias ou um caminho sem trânsito para o primeiro destino do dia. No período noturno, o desencontro é ainda maior. Os pais chegam após as 21h00, pois passam pelo happy hour ou pelas academias depois do trabalho, enquanto os filhos estão online com os colegas reais ou virtuais e precisam acordar cedo no dia seguinte.
A tecnologia alterou muito a rotina das famílias e, para muita gente, alterou completamente rituais outrora previsíveis no começo e término de cada dia. Coisas inaceitáveis para muitos chefes de famílias há poucos anos estão tomando conta de todos que já não se importam com a opinião dos mais velhos.
Tais mudanças nos nossos hábitos vêm aos poucos interferindo sutilmente e significativamente na formação das crianças e jovens. O menor contato, de fato, com os pais e com os irmãos, faz com que as crianças e jovens tenham que procurar fora de casa a atenção, os ouvidos, os olhares, o carinho e até os limites. Esse é um sinal de que os amigos virtuais e reais, sejam eles mal intencionados ou não, estão se transformando no porto-seguro que os jovens tanto necessitam e que eles deveriam encontrar nos seus lares.
Para tentar evitar que os nossos filhos encontrem pessoas erradas por trás destes supostos amigos, tente criar uma rotina de encontro familiar, rotina esta que se resume simplesmente em criar momentos para as reuniões familiares, podendo ter dias certos para acontecer e horários para começar e acabar.
Muitos devem estar pensando que isso é um ultraje e que deveria ser natural. Porém, a nossa era de compromissos agendados não está permitindo que os encontros aconteçam em momento algum. Assim, podemos concluir que mais valem reuniões agendadas do que a ausência delas. Quem sabe às quartas o café matinal possa acontecer com todos da família presentes de fato, sem nenhuma distração tecnológica? Quem sabe todos os domingos o almoço possa ser na casa dos avós? Quem sabe uma vez por mês ou um final de semana em um hotel no interior? Ações agendadas deste tipo talvez possam minimizar este mal que vem afetando nossas famílias. Valem muito mais poucos encontros agendados e com as pessoas presentes de fato, do que nenhum encontro ou encontros sem que todos estejam presentes de corpo e alma.
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Tech & Inovação
15 set, 2009
Tecnologia governa rotina familiar
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