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Quando o laboratório e a garagem se encontram

Conversamos com Eduardo Lopes, arquiteto que fundou o segundo Fab Lab do Brasil. O resultado dessa conversa, você confere agora.

Se tecnologias como impressão 3D e fresas CNC costumavam ter preços na casa das dezenas de milhares, hoje a redução dos custos desses equipamentos já torna possível sonhar com máquinas do tipo na garagem de casa. Mas se mesmo assim você ainda achar os preços proibitivos, é possível recorrer aos Fab Labs.

Os Fab Labs são laboratórios de fabricação digital que surgiram a partir de uma disciplina dada no MIT que se chamava literalmente “Como fabricar (quase) qualquer coisa”. Neles, é possível tornar praticamente qualquer projeto digital em um objeto físico. Você paga apenas uma parcela do que teria que dispender para comprar todos os equipamentos, já que eles são “compartilhados” com todos aqueles que fazem uso do serviço e do espaço. De quebra, você ainda pode encontrar uma turma que compartilha dos mesmos interesses que você.

Nessa edição da Revista iMasters conversamos com Eduardo Lopes, arquiteto brasileiro que fundou em São Paulo, o segundo Fab Lab do Brasil – o primeiro é o Fab Lab da Universidade de São Paulo, que por conta disso, tem acesso restrito ao público acadêmico. O resultado dessa conversa, você confere abaixo.

Como um arquiteto se envolveu com impressão 3D?

Sou arquiteto formado pela UNESP, Bauru, há 16 anos. Sou de São Paulo, mas fui para lá basicamente porque não passei na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – USP). Fiquei chateado na época, mas hoje eu vejo isso como uma vantagem na minha formação. Primeiro porque a faculdade lá era tão sem infraestrutura que aprendi a correr sozinho atrás do que precisávamos para fazer as coisas. Numa época sem acesso à Internet – sim, isso existiu! -, arrumar uma foto de satélite significava pegar um ônibus até São Paulo e comprar uma imagem impressa em papel!

Segundo, porque não carregávamos o peso do modernismo em nossas costas. O curso não vinha carregado de ideologias ultrapassadas e edifícios-ícones incontestáveis, como o da USP. Essa falta de amarras permitiu que eu me jogasse de cabeça na intersecção entre a arquitetura e a tecnologia, minha grande paixão. Fui um dos primeiros da turma a possuir computador e no terceiro ano já usava o CAD para fazer meus projetos. Só para contextualizar o que hoje pode parecer banal, meu pai vendeu um terreno da família para podermos comprar uma máquina que rodasse o AutoCAD com o módulo 3D, e com o troco comprou uma linha de telefone!

Com os recursos que tinha, fui atrás do que existia de mais avançado em software de modelagem 3D. Fui parar no Rhino3D, que comecei a utilizar de imediato desde sua primeira versão, em 1997. Com uma ferramenta de modelagem avançada, eu tinha como trabalhar superfícies e geometrias complexas na arquitetura de forma que antes, trabalhando à mão, era impossível. Porém, toda essa complexidade não tinha muito lugar na vida real.

Precisando trabalhar para me sustentar sozinho por aqui, voltei para São Paulo e trabalhei durante dez anos em escritórios que produziam uma arquitetura convencional, voltada para o mercado. Aprendi muito, abri meu próprio escritório com minha esposa – que também é arquiteta -, mas tudo aquilo em que eu acreditava, no uso de tecnologia de ponta para alterar a maneira de projetar, estava parado em algum canto da minha cabeça.

Foi somente em 2010 – em um evento sobre fabricação digital na FAU-USP, de que tanto falei mal aqui em cima – que me ocorreu o “insight” que literalmente mudou minha vida. Aprendi que as ferramentas de fabricação digital que já estavam disponíveis eram o elo entre as geometrias complexas que eu gostava de projetar, mas não tinham como ser executadas, e a vida real. O projeto agora sai direto da máquina de pensar para a máquina de fazer, sem intermediários. Na hora, vi que era aí que eu deveria me jogar de cabeça de novo!

Com isso, conheci duas pessoas importantes lá. O professor Paulo Fonseca de Campos e a Heloisa Neves. Eles, junto com sua equipe, estavam montando dentro da FAU o que foi o primeiro Fab Lab do Brasil, o Fab Lab SP.  Este ano parei de fazer projetos de arquitetura e abrimos (eu, a Heloisa e mais um sócio, o Marco Rossi) o nosso próprio Fab Lab, o Garagem, aqui no centro velho de São Paulo.

Como você define o que é um Fab Lab?

Gosto de usar uma metáfora simples para explicar os Fab Labs para quem nunca ouviu falar da rede. Eles são como uma biblioteca; lá estão todas as ferramentas de que você precisa para te capacitar a fazer tudo o que você quiser, basta estudar e correr atrás. No nosso caso, em vez de apenas livros, as ferramentas que temos são as máquinas de fabricação digital e a eletrônica básica.

Conte um pouco sobre o Garagem Fab Lab. Como ele surgiu? Qual é o objetivo?

Como quase todo entusiasta da tecnologia, sou louco por máquinas. Assim que descobri a rede, em 2010, e comecei a conversar mais com a Heloisa, a ideia de abrirmos o nosso próprio Fab Lab não saiu mais da nossa cabeça. Chegamos a fazer um plano de negócios bem detalhado, mas esbarramos em dois problemas grandes: os custos para adquirir as máquinas sugeridas pelo MIT são muito altos no Brasil,e as fontes de receita tradicionais de um Fab Lab são bem incertas.

Na época, ficamos com medo de contrair uma dívida muito grande e continuamos a tocar nossas vidas – eu, no meu escritório de arquitetura, e a Helô em Barcelona, cursando o Fab Academy, o curso de um semestre que é a reprodução do “How to Make Almost Anything”, dado pelo Neil Gershenfeld, no MIT.

Isso foi fundamental, pois, com a experiência adquirida por ela no curso e com a vivência em outros Fab Labs, vimos que o modelo da rede é bem flexível – na verdade, não existe modelo – e que poderíamos adaptá-lo para nossa realidade sem perder a conexão com os seus principais ideais, que são basicamente a democratização do acesso às tecnologias de fabricação digital, o empoderamento das pessoas através dessas tecnologias e, por último, compartilhar todo o conhecimento obtido nos Fab Labs através de sistemas abertos.

Nosso objetivo é fazer tudo isso e conseguir ser financeiramente sustentável, pagar nossas contas e termos algum lucro para reinvestir no próprio Lab e em projetos que sejam interessantes, mas que não tenham necessariamente que dar um grande retorno financeiro. Isso é um grande desafio, pois aqui estamos discutindo não apenas a adequação aos ideais da rede, que é a parte mais simples, mas sim como uma empresa que se baseia em princípios abertos de gestão e produção de conhecimento se ajusta em um modelo de economia fechado, tradicional.

Para você ver como isso é complicado, dentre os cerca de 200 laboratórios da rede espalhados pelo mundo, podemos contar nos dedos os que estão perto desse objetivo. A grande maioria está dentro das universidades ou são financiados por órgãos do Governo ou por entidades privadas sem fins lucrativos, como associações empresariais, de classe etc.

O Garagem Fab Lab é uma empresa como qualquer outra ou um projeto sem fins lucrativos?

Nem um, nem outro. Acho que a discussão é bem complexa e não vai caber aqui. A meu ver, a questão principal é como serão as empresas e os empresários no futuro. Partindo do princípio de que os recursos são finitos, não existe mais espaço para a visão tradicional de acumulação e exploração irrestrita. Não faz sentido termos esse modelo tradicional como espelho, pois não há recursos naturais suficientes para serem apropriados por todos

Por outro lado, temos custos, contas, filhos e tudo o mais ainda vivendo nesse mundo tradicional; logo, temos que ser viáveis financeiramente sob o risco de não podermos existir. Minha ideia é que existe um espaço para nós, empresas cujo principal “ativo” seja a sua comunidade participante e baseadas no compartilhamento de conhecimento, e não em segredos protegidos por patentes. Mas isso é apenas o que sinto e adoraria saber se isso é verdade!

Mas, respondendo direito à sua pergunta, estamos adaptando nosso modelo ideológico a um contrato de empresa convencional, limitada.

Qual a relação dos Fab Labs com outros movimentos de cultura digital, como hackerspaces, software livre e hardware aberto?

Acredito que existam mais semelhanças do que diferenças. Nosso espelho é o movimento do software livre, que é claramente o modelo que foi capaz de criar toda uma economia ao redor do compartilhamento da informação. O hardware aberto está encontrando formas de também se colocar, com algumas diferenças devido à sua “existência” física, mas com os mesmos princípios de abertura.

Já dos hackerspaces e outros movimentos de cultura digital herdamos o sentido de trabalhar em comunidade e para a comunidade, pois ela é o principal sentido de nossa existência. A única diferença é que conseguimos agregar em nosso espaço um tipo de pessoa que estava meio “órfã”, sem lugar onde pudesse encontrar seus semelhantes. Aquele que gosta de tecnologia, mas não quer entrar para o mundo meio “underground” de um hackerspace, por exemplo, ou que gosta de inventar coisas, mas não tem onde fazê-las.

Aqui se encaixam muito bem designers, artistas, arquitetos ou simplesmente os inventores de garagem e afins. Uma vez um amigo super engajado no movimento do software livre me disse que o povo do Fab Lab é meio “coxinha”. Achei graça, mas entendi o que ele quis dizer. Nos Fab Labs, aparecem pessoas que não têm tanta ou nenhuma ligação com os movimentos mais antigos, a galera do Free, Open, Dev. Aqui aparece de tudo, principalmente gente que apenas quer fazer algo legal e não tem como ou não sabe por onde começar.

Outra diferença é que também a idade média do pessoal é mais alta do que a dos outros movimentos. Li, na última pesquisa sobre impressão 3D da P2P Foundation, que os participantes do open source hardware são ligeiramente mais velhos do que os do open software.

Mas, como disse acima, somos todos muito parecidos, as máquinas são apenas a parte mais visível de um Fab Lab. O importante mesmo são as pessoas que estão por ali fazendo coisas e participando dos projetos em comunidade.

Quais são os equipamentos de que o Garagem Fab Lab dispõe?

Para ser um Fab Lab e se conectar com a rede trocando processos, temos que ter cinco máquinas básicas: uma cortadora a laser, uma fresadora CNC de grande formato, uma fresadora pequena de precisão (para fresar placas de circuitos eletrônicos), uma cortadora de vinil e uma impressora 3D.

Hoje nós temos uma série de impressoras 3D (na verdade, umas 30!), porque gostamos e porque também queremos abrir um 3D space, mas isso é outra conversa. Compramos uma fresadora de precisão no Kickstarter, a Othermill (http://ow.ly/q1YKv), e, para a fresadora grande, que não cabe em nosso espaço, fizemos uma parceria com o Pedro Terra Lab, uma oficina superbacana localizada na Vila Anglo (São Paulo). Estamos em processo de escolha e compra da cortadora de vinil, e a laser também deve chegar até o final do ano.

Acredito que nesta resposta cabe um parêntese: se simplesmente seguíssemos à risca o inventário de equipamentos proposto pelo MIT, teríamos que gastar aproximadamente entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, o que inviabilizaria a abertura do Fab Lab, no caso do Garagem. Como existem diversos projetos open hardware dessas e de outras máquinas disponíveis na rede, decidimos que o primeiro projeto do Garagem Fab Lab seria o Open Source Machines, ou seja, vamos construir nós mesmos todas as máquinas necessárias para ser um Fab Lab, nacionalizar os projetos (que são, em sua maioria, americanos ou europeus) e colocar isso de volta na rede, potencializando a abertura de novos Fab Labs por aqui.

Por que esse tipo de equipamento, que já é tão popular entre hobbistas lá fora, ainda é tão caro por aqui?

Porque não se fabricam máquinas boas e baratas aqui e porque os impostos de importação são indecentes. Simples assim. Para você ter uma ideia, uma fresadora de grande formato muito boa custa, nos EUA US$ 7 mil a US$ 15 mil. Uma nacional boa não sai por menos de R$ 70 mil.

Um Fab Lab completo, que nos EUA custa USD 50 mil, aqui custa R$ 300 mil. Além disso o empreendedorismo é pouco incentivado de maneira geral e principalmente nas escolas, o que faz com que não exista muita demanda por esse tipo de tecnologia que é capaz de criar muitos pequenos negócios.

O Garagem Fab Lab é aberto para qualquer um? E se alguém que estiver lendo esta entrevista tiver interesse em criar alguma coisa com esses equipamentos?

O Garagem tem alguns dias abertos para a comunidade. Na maioria dos Fab Labs no mundo, o usuário pode chegar, receber uma pequena instrução de como manusear as máquinas e sair usando, pagando o acesso por hora ou às vezes apenas o material consumido. Nós ainda não temos essa possibilidade aqui, pois, apesar de já termos algumas máquinas, não temos recursos humanos disponíveis em tempo integral para garantir que as coisas funcionem direito.

Estamos priorizando, neste momento, a formação da nossa comunidade através de dois projetos abertos a todos os que quiserem participar: a construção de uma cortadora a laser open source (a Lasersaur – http://ow.ly/q21oh) e o projeto e construção de uma bicicleta, também open source.

Essas iniciativas já consomem todo o nosso tempo e recursos disponíveis, mas isso não impede que alguém tenha uma ideia bacana e venha conversar conosco para ver se é possível fazermos juntos. Acredito que até o início do segundo semestre de 2014 já poderemos receber as pessoas aqui que simplesmente queiram usar os equipamentos em seus projetos pessoais. Essa é uma das nossas principais metas.

Além do preço dos equipamentos, qual é o maior impedimento para que os Fab Labs se popularizem no Brasil?

Basicamente informação a respeito da rede e de suas possibilidades. Muita gente tem nos procurado, principalmente à Heloisa, pedindo informação sobre como abrir um Fab Lab, mas as pessoas tendem a achar que o mais importante de um laboratório são as máquinas. Isso é normal, eu mesmo pensava assim antes de termos as máquinas e ver que eu sozinho com elas não faço muita coisa. Temos uma espécie de mantra que repetimos em todas as conversas e palestras para as quais somos chamados: o importante não são as máquinas, são as pessoas!

O que faz um Fab Lab acontecer realmente é uma comunidade de usuários ativa, participando e discutindo sobre os projetos ali realizados, trocando ideias com os outros laboratórios do mundo através de videoconferências. As máquinas são a parte fácil da história!

Como surgiu e qual o objetivo da Associação Fab Lab Brasil?

Foi por sentir a necessidade de disseminar as informações sobre a rede por aqui que criamos a Associação Fab Lab Brasil, uma associação sem fins lucrativos, da qual sou membro fundador e a Heloisa é a atual diretora executiva.

Brincamos que é uma associação que foi criada ao contrário, porque não existem ainda os associados, que seriam os demais Fab Labs no Brasil! Mas ela nasceu dessa visão e de uma sugestão do próprio Neil Gershenfeld, que esteve aqui conosco em agosto de 2011. Ele nos deu a dica que os problemas de custo, importação de equipamentos e disseminação de informações seriam mais bem resolvidos se fizéssemos isso através de uma associação, um coletivo, e não individualmente.

Aquilo para nós fez todo o sentido e hoje a Associação possui uma diretoria bem ativa, que desenvolve vários projetos em paralelo, ajudando a construir os demais Fab Labs da rede no Brasil, através de consultorias, palestras, workshops e publicações. Mas ainda temos menos de um ano, temos muito trabalho pela frente.

Os produtos feitos através de fabricação digital são comparativamente mais caros do que aqueles fabricados em massa. Você acha que mesmo assim esse tipo de fabricação tem espaço em mercados sensíveis a preço como o Brasil?

Isso não é bem verdade. Precisamos contextualizar um pouco mais a questão quando falamos em produtos fabricados através de processos de manufatura digital. Dou um exemplo simples: se você quiser produzir 10 mil, ou mil canecas de plástico iguais, os processos tradicionais de manufatura têm preço e velocidade imbatíveis (ainda…). Os altos custos de molde para injeção, ferramentaria e logística (se quiser fabricar na China) são abatidos no volume total do produto.

Agora, se você quiser fazer 10 ou 100 canecas com o seu nome, para dar de presente no seu aniversário, a fabricação digital faz todo o sentido. O preço final de cada produto só será mais caro se você comparar com a caneca produzida em massa, o que não seria correto. Se você mandar fazer o molde da injeção da sua canequinha personalizada, creio que não vai sobrar dinheiro para a festa de aniversário!

Brincadeiras à parte, o que a manufatura digital possibilita é a viabilização de produtos únicos ou de pequenas séries de objetos cuja complexidade onera muito os custos dos processos convencionais de fabricação. Um bom exemplo são as peças para turbinas de avião que a GE já está produzindo através de fabricação aditiva em ligas de metal. A mesma peça, que antes envolvia 25 partes e processos diferentes, agora é impressa de uma só vez em uma impressora 3D de sinterização a laser (http://ow.ly/q23cS), a um custo, sem dúvida, mais baixo.

Sabemos que o berço do movimento dos Fab Labs foi o “Center for Bits and Atoms” do MIT e disciplinas oferecidas pela instituição, como “How to make (almost) anything”. E o setor acadêmico nacional já acordou para os Fab Labs? Há pesquisas ou iniciativas parecidas por aqui?

O primeiro Fab Lab no Brasil nasceu dentro da USP e atrás dele já existe uma série de outras universidades, públicas ou particulares, que acordaram para a importância desse movimento por aqui. Muitas delas já possuem todos os equipamentos necessários, falta apenas a capacitação do pessoal e a abertura ao público em geral, o que na maioria dos casos é a parte mais difícil.

No caso da USP, por exemplo, ainda não é possível para qualquer um entrar lá e trabalhar em seu projeto, é preciso participar como pesquisador. Isso acaba fazendo com que os Fab Labs que estão abrindo dentro do meio acadêmico por aqui sejam mais voltados à própria comunidade de alunos.

Mas isso em si não é um problema. No último encontro mundial dos Fab Labs, que aconteceu no Japão em setembro deste ano, foi discutido que esse modelo mais acadêmico de laboratório é uma realidade em diversos países e tem bastante importância na criação de pesquisa acerca do tema e também na disseminação da informação sobre a rede. Eu considero o Garagem uma spin-off do Fab Lab SP da USP.

Qual é a importância dos Fab Labs e dos processos de fabricação digital para quem é desenvolvedor?

Eu acredito que a fabricação digital oferece a possibilidade de você poder prototipar uma ideia muito rapidamente, para saber se aquele produto para o qual você está desenvolvendo o software ou o firmware é bom ou não.

Já para os programadores de software em geral, vejo nos Fab Labs um local de encontro muito rico, onde certamente você vai conhecer pessoas de outras áreas, empreendedoras, criativas e que não possuem esse conhecimento específico, para trabalharem juntos em algum projeto de interesse comum.

Como está indo o Garagem Lab desde sua fundação até agora? Você tem ciência de outros Fab Labs pelo Brasil?

Somos muito novos! Estamos em um prédio incrível no centro velho de São Paulo e, embora a ideia de abrirmos o nosso Fab Lab já venha de uns três anos, abrimos somente em julho deste ano, ainda em regime de “soft-opening”. Lançamos algumas iniciativas para ver a resposta do pessoal (que tem sido fantástica) e esperamos estar com força total no começo do ano que vem, com direito a festa de inauguração e tudo o mais.

Somos o segundo Fab Lab brasileiro da rede, o primeiro é o Fab Lab SP, na USP, mas orgulhosamente nos intitulamos como “o primeiro Fab Lab independente do Brasil”. Aqui, independente significa não apenas que somos financeiramente independentes, mas que temos adotado uma postura crítica, de forma a contextualizar tudo o que temos visto no movimento lá fora para a realidade do Brasil e da América Latina.

Que dica você daria para quem tem interesse de montar um Fab Lab?

As informações mais práticas sobre como participar e abrir um Fab Lab estão todas disponíveis na rede, embora ainda um pouco dispersas. Um bom começo é o site do CBA do MIT, o da Associação Fab Lab Brasil, as páginas de alguns Fab Labs já maduros (Protospace de Utrecht, Fab Lab Amsterdam, Aalto Fab Lab na Finlândia), a nossa página no Facebook (Garagem Fab Lab) e uma conversa conosco.

Eu diria também: monte um Fab Lab, sim! Precisamos de Fab Labs de todos os tipos e cores, espalhados no centro, na periferia, nas escolas primárias, nas universidades de elite. O poder transformador que está embutido na possibilidade de “fazer quase qualquer coisa” é muito grande e merece ser espalhado por aí!

Artigo originalmente publicado na Revista iMasters, edição 8: http://issuu.com/imasters/docs/revista-imasters-8

Formado pela Escola de Comunicações e Artes da USP, é membro ativo da comunidade de software livre brasileira e um defensor das causas ligadas à inclusão digital e ao conhecimento livre. No campo profissional, já coordenou projetos de educação e inclusão em entidades do terceiro setor e foi editor chefe da Linux Magazine e da revista iMasters, tendo palestrado nos mais diversos eventos da área de tecnologia. Nos últimos anos, tem se dedicado a pesquisar o universo da cultura digital e seus desdobramentos.

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