“Nossa! Então e-mail era isso? Você tinha que preencher
todos esses campos: destinatário, assunto e, ainda, escrever a mensagem?”
Essas perguntas que, hoje, podem parecer absurdas, em poucos
anos serão tão comuns como as atuais feitas por jovens sobre máquinas de escrever,
mimeógrafos e videocassetes. As formas de comunicação estão mudando em uma
rapidez espantosa, e os jovens as consomem na mesma velocidade.
Pesquisa realizada nos Estados Unidos pela empresa comScore
revelou que o número de acessos aos sites de e-mail caíram em média 6% e, mais
especificamente, caíram 18% entre jovens de 12 a 17 anos. De acordo com a mesma
pesquisa, os entrevistados dessa faixa etária mencionaram que toda a
comunicação precisa ser realizada ”em tempo real”. Ou seja, eles acham
que entrar em um site, escolher o destinatário, digitar uma linha de assunto e,
finalmente, redigir uma mensagem é uma tarefa tediosa e, principalmente,
demorada demais.
Outra tendência registrada em pesquisa realizada em conjunto
pela Pew Research Center e pela Universidade de Michigan (Estados Unidos)
indica que 65% dos jovens na mesma faixa etária preferem textos em SMS a falar
ao telefone.
Por esses motivos, fica evidente que mensagens de texto no
celular, além de “ferramentas” de internet como Twitter, comunicadores
instantâneos e redes sociais (Orkut e Facebook, por exemplo) são as únicas
formas “aceitáveis” de comunicação para a nova geração.
Podemos dizer, ainda, que os softwares que utilizam a
tecnologia IP para ligações telefônicas (como o Skype, por exemplo)
interromperam um crescimento de 25 anos que era visível no setor de
telecomunicações e, como se não bastasse, farão com que a telefonia tradicional
sofra mudanças bruscas nos próximos anos.
O que acontecerá após essas mudanças? O telefone será mais
um agregador de serviços online do que simplesmente um aparelho de comunicação
por voz.
Esse cenário não está restrito aos usuários domésticos, uma
vez que o mercado corporativo também precisa se preparar urgentemente para a
nova realidade. Isso porque, em breve, as empresas estarão recebendo
profissionais que convivem desde a infância com as novas formas de comunicação,
os talentos da chamada “geração Z” (que também podem ser chamados de “nativos
digitais”).
Empresas como o Google, por exemplo, não são sonhos de
consumo de dez em cada dez jovens da nova geração por acaso. E não são os fatos
de andar de patinete durante o expediente ou trabalhar de bermuda que os atrai.
O motivo dessa atração pode ser resumido em uma palavra: conectividade.
O novo profissional necessita de liberdade para expor suas
idéias, criar e inovar. Mas, principalmente, precisa de conexão com o mundo.
Ele quer compartilhar, ser ouvido, ser seguido e, principalmente, ser
comentado.
Ficar “offline” em um escritório oito horas por dia é, para
esses jovens, o mesmo que ficar sozinho em uma ilha deserta sem nenhum contato
com a civilização por dias.







