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Crise pode provocar más práticas na adoção e gestão do Outsourcing

Em momentos de instabilidade financeira, é comum que as empresas fiquem mais conservadoras em relação aos investimentos, faltam linhas de crédito no mercado e, nas piores situações, vemos cortes de produção e também de empregos. No setor de TI a situação não é diferente e ela pode se agravar quando não há uma gestão qualificada para a terceirização de serviços ou outsourcing.

Entre as tecnologias e modelos disponíveis no mercado que podem auxiliar as empresas na redução de custos, o outsourcing é uma opção, desde que bem avaliado, implantado e administrado.

O outsourcing no Brasil ainda é um modelo em adaptação e, especialmente, precisa evoluir na gestão de processos e de contratos. Poucas empresas procuram consultorias especializadas para auxiliá-las nessa função. Algumas envolvem as áreas de compras na contratação desses serviços apostando que é suficiente. Trata-se de um equívoco. Os fornecedores têm muita experiência em vender soluções, fazem isso todos os dias, mas as empresas contratantes ainda não estão prontas para realizar essas compras sem auxílio especializado.

Nos últimos anos, as empresas implantaram esse modelo na tentativa de “organizar a casa” e alocaram a gestão de algumas tecnologias nas mãos de fornecedores com o objetivo de evitar “dores de cabeças” internas. A medida trouxe alguns benefícios, mas também houve casos de muita dor de cabeça. Em 2009 o cenário não está favorável para correr riscos, não é permitido errar, e encontrar um bom fornecedor para terceirizar a TI em um modelo saudável e flexível não será uma tarefa fácil.

Apesar de ser uma tendência, as empresas não devem adotar a terceirização sem antes saber se o modelo vai trazer os resultados desejados.  Elas devem antes, fazer uma estratégia de sourcing, e, a partir disso, decidir se devem ou não adotar o modelo, e, principalmente, como aplicá-lo nas empresas.

Com o avanço da crise econômica as empresas fornecedoras também irão procurar formas de sobreviver no mercado e assim aumentará o número de ofertas e de serviços proporcionando maior competitividade. Para fazer a verificação de novas soluções é recomendável que haja uma equipe capacitada, que possa entender todas as ofertas, modelos, e capacidade de execução dos fornecedores.

Cuidado com as promessas de resultados imediatos. As empresas de terceirização buscarão formas de apresentar preços e serviços variados e, ainda, resultados rápidos, porém, em outsourcing essa possibilidade é remota. Para implantar o outsourcing é necessário análise de perfil e experiência de cada fornecedor, e esse processo é bastante complexo.

Se você já tem a prática do outsourcing na empresa, experimente renegociar contratos, esse é o momento. Analise os serviços, os preços e SLAs (Acordo de Nível de Serviço), verifique se os processos estão auxiliando os negócios, e sempre proceda com cautela. A Gestão de contratos deve ser feita pela sua equipe e não pelo fornecedor.

é sócio diretor da TGT Consult. Atuou no Gartner como diretor de consultoria desenvolvendo as práticas IT Strategy, It Governance, IT Sourcing e Business Cases Development. Foi CIO da Pepsi e Unilever. É pós-graduado em economia e possui experiência de pesquisas de Estratégia de Tecnologia da Informação e de IT Sourcing pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology).

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