Depois de muita tentativa, finalmente consegui usar meu celular como webcam no Fedora usando o DroidCam.
A ideia parecia simples:
instalar o DroidCam no celular, abrir o cliente no Linux, conectar e usar no Zoom.
Mas na prática, principalmente em Fedora moderno com kernel recente, alguns detalhes fazem muita diferença.
O problema principal não era o DroidCam em si. Era fazer o vídeo do celular aparecer como uma câmera reconhecida pelo sistema e liberada corretamente para o Zoom.
Neste artigo, vou mostrar o fluxo que funcionou comigo.
Obs: Apesar do artigo ter sido escrito por mim baseado em um problema real que tive que resolver, parte da informação desse artigo foi implementada com ajuda de ferramentas como: Qwen.ai (resumo / documentação) e ChatGPT 5.5 (revisão e correção sintática).
O problema
Ao tentar usar o DroidCam no Fedora, alguns cenários podem acontecer:
- o celular conecta, mas o Zoom não mostra a câmera;
- o DroidCam abre, mas não encontra um dispositivo de vídeo válido;
- o cliente recomendado não funciona bem no seu ambiente;
- o plugin do OBS não resolve o caso de uso no Zoom;
- scripts antigos de instalação falham em kernels recentes;
- a conexão via Wi-Fi não funciona por bloqueio de firewall;
- o Zoom não lista a câmera virtual criada pelo sistema.
No meu caso, o objetivo era simples:
usar a câmera do celular como webcam no Zoom, rodando no Fedora.
A solução envolveu quatro pontos principais:
- instalar a versão correta do DroidCam Client;
- testar primeiro o caminho simples;
- garantir um dispositivo de vídeo virtual com v4l2loopback, se necessário;
- selecionar a câmera virtual dentro do Zoom.
Ambiente testado
Este foi o ambiente onde o procedimento funcionou:
- Sistema: Fedora 43
- Kernel: 6.19.x
- Gerenciador de pacotes: dnf5
- DroidCam Client: 2.1.3 GTK
- Zoom: Instalado via pacote .rpm
- Driver virtual: v4l2loopback
Observação: este guia é baseado no ambiente que funcionou comigo. Em outras versões do Fedora, os nomes de pacotes ou o comportamento do kernel podem variar.
Antes de começar: qual versão do DroidCam usar?
Um ponto importante: o site oficial do DroidCam recomenda o uso do plugin do DroidCam para OBS.
No meu caso, essa abordagem não foi a ideal.
O plugin para OBS pode ser útil se o objetivo for usar a câmera apenas dentro do OBS, mas pode causar conflitos ou confusão quando a intenção é usar o celular como webcam em outros aplicativos, como o Zoom.
Também testei alternativas mais recentes/beta do cliente, mas encontrei problemas de compatibilidade e comportamento instável.
A versão que funcionou melhor no Fedora foi o DroidCam Client GTK, instalado manualmente a partir do pacote oficial.
O processo foi:
cd ~/Downloads
wget -O droidcam_latest.zip https://files.dev47apps.net/linux/droidcam_2.1.3.zip
unzip droidcam_latest.zip -d droidcam-install
cd droidcam-install
sudo ./install-client
Se o unzip não estiver instalado:
sudo dnf install unzip
Depois disso, o cliente gráfico do DroidCam ficou disponível no sistema.
Neste artigo, o foco é usar o DroidCam como webcam do sistema para aplicações como Zoom. Por isso, optei pelo cliente GTK em vez do plugin específico para OBS.
Caminho mínimo: teste primeiro o DroidCam Client
Antes de mexer em módulos e driver virtual, vale testar o caminho mais simples.
No celular:
- instale o app DroidCam;
- abra o aplicativo;
- veja o IP exibido na tela;
- confirme se a porta está como 4747.
Exemplo:
IP: 192.168.0.100
Port: 4747
No Fedora, abra o DroidCam Client.
No cliente:
- selecione conexão via Wi-Fi / LAN;
- insira o IP exibido no celular;
- mantenha a porta 4747;
- marque Enable Video;
- clique em Connect;
Se a prévia da câmera aparecer no app depois dossp, é um bom sinal:
- o celular está acessível na rede;
- o app está enviando vídeo;
- o cliente do DroidCam está funcionando.
Agora abra o Zoom e verifique se a câmera aparece em:
Configurações → Vídeo
# ou inicie uma nova reunião
Se aparecer, ótimo. Você pode parar aqui.
Se o DroidCam “funciona”, mas o Zoom não lista a câmera corretamente, aí entra o próximo passo.
O que é o v4l2loopback?
O Linux precisa enxergar a câmera do celular como se ela fosse uma webcam comum.
É aí que entra o v4l2loopback.
Ele cria um dispositivo de vídeo virtual, algo como:
/dev/video0
ou
/dev/video1
Depois disso, o DroidCam envia a imagem do celular para esse dispositivo, e aplicações como Zoom, OBS ou outros programas conseguem usá-lo como câmera.
Sem esse dispositivo virtual, o Zoom pode simplesmente não encontrar nada, mesmo que o DroidCam esteja funcionando.
Passo 1 — Instalar ferramentas e o driver virtual
Primeiro, instale as ferramentas de vídeo:
sudo dnf install v4l-utils
Depois, habilite o RPM Fusion, caso ainda não esteja habilitado:
# Importante: Adapte essa parte segundo a distro que estiver usando
sudo dnf install \
https://mirrors.rpmfusion.org/free/fedora/rpmfusion-free-release-$(rpm -E %fedora).noarch.rpm \
https://mirrors.rpmfusion.org/nonfree/fedora/rpmfusion-nonfree-release-$(rpm -E %fedora).noarch.rpm
Agora instale o v4l2loopback;
sudo dnf install v4l2loopback akmod-v4l2loopback
A ideia aqui é usar o pacote mantido pelo sistema, em vez de depender de scripts antigos ou compilações manuais.
Passo 2 — Carregar o módulo
Depois da instalação, carregue o módulo:
sudo modprobe v4l2loopback
Agora verifique se o dispositivo virtual foi criado:
v4l2-ctl --list-devices
Uma saída esperada seria algo parecido com:
Dummy video device (0x0000) (platform:v4l2loopback-000):
/dev/video0
Anote o caminho exibido, por exemplo:
/dev/video0
Esse é o dispositivo que será usado no DroidCam Client.
Passo 3 — Configurar o DroidCam Client com o dispositivo virtual
Depois de instalar o DroidCam Client GTK e carregar o v4l2loopback, abra o cliente gráfico do DroidCam.
Na própria janela do aplicativo, ele deve mostrar na parte inferior algo parecido com:
Client v2.1.3, Video: /dev/video0, Audio:
Esse trecho indica qual dispositivo de vídeo o DroidCam está usando.
No meu caso, o client detectou automaticamente o /dev/video0, então não precisei selecionar manualmente o dispositivo em nenhuma tela de configuração.
Na tela principal do DroidCam Client:
- selecione WiFi / LAN;
- insira o IP exibido no app DroidCam do celular;
- mantenha a porta 4747;
- marque Enable Video;
- clique em Connect.
Se tudo estiver correto, a prévia da câmera do celular deve aparecer no app do DroidCam no celular.
Se o DroidCam não usar o device correto
Em alguns ambientes, pode ser necessário abrir o DroidCam Client pela linha de comando especificando o dispositivo de vídeo manualmente.
Primeiro, confirme os dispositivos disponíveis:
v4l2-ctl --list-devices
Depois, abra o DroidCam apontando para o device correto, por exemplo:
droidcam -v /dev/video0
ou, se o device criado for outro:
droidcam -v /dev/video1
O número pode variar conforme webcams físicas, placas de captura ou devices virtuais já existentes no sistema.
Passo 4 — Abrir o Zoom e selecionar a câmera virtual
No meu caso, o Zoom estava instalado via pacote .rpm, então ele conseguiu acessar o dispositivo de vídeo normalmente depois que o DroidCam criou a câmera virtual com v4l2loopback.
Abra o Zoom e vá em:
Configurações → Vídeo
No campo de câmera, procure por algo como:
Dummy video device
ou:
v4l2loopback
Selecione essa câmera.
Se tudo estiver funcionando, a imagem do celular deve aparecer no Zoom em tempo real.
Observação para quem usa Zoom via Flatpak
Se você instalou o Zoom via Flatpak, ele pode não enxergar a câmera virtual por causa das restrições de sandbox.
Nesse caso, você pode liberar acesso aos dispositivos do sistema com:
flatpak override --user --device=all com.zoom.Zoom
Depois disso, feche e abra o Zoom novamente.
Essa etapa não foi necessária no meu ambiente, pois o Zoom estava instalado via .rpm, mas fica como alternativa para quem usa Flatpak.
Se não conectar via Wi-Fi
Se o DroidCam não conseguir conectar pelo IP do celular, verifique o firewall do Fedora.
O DroidCam normalmente usa a porta:
4747/tcp
Para liberar essa porta:
sudo firewall-cmd --add-port=4747/tcp --permanent
sudo firewall-cmd --reload
Depois, tente conectar novamente pelo DroidCam Client.
or que evitar scripts antigos do DroidCam?
Durante a configuração, você pode encontrar tutoriais recomendando scripts como:
install-video
ou:
install-dkms
O problema é que alguns desses scripts tentam compilar variantes antigas do driver, como v4l2loopback-dc.
Em kernels modernos, isso pode falhar por mudanças nas APIs do V4L2.
Por isso, no Fedora atual, a abordagem mais limpa foi usar o v4l2loopback disponível via pacotes do sistema.
Isso reduz problemas com:
- kernel recente;
- DKMS quebrando;
- recompilação manual;
- incompatibilidades depois de atualizações.
Criando um dispositivo com nome personalizado
Se quiser criar um device dedicado com nome mais claro, você pode carregar o módulo assim:
sudo modprobe v4l2loopback devices=1 video_nr=1 card_label="DroidCam"
Isso pode facilitar a identificação no Zoom, OBS ou outros aplicativos.
Exemplo esperado:
DroidCam:
/dev/video1
Resumo do caminho longo
No fim, o caminho mais longo é:
- instalar o DroidCam Client GTK;
- testar a conexão simples pelo IP do celular;
- instalar v4l-utils;
- instalar v4l2loopback e akmod-v4l2loopback, se o Zoom não enxergar a câmera;
- carregar o módulo com modprobe;
- confirmar o /dev/videoX com v4l2-ctl;
- configurar esse dispositivo no DroidCam Client;
- conectar o celular via Wi-Fi;
- selecionar a câmera virtual no Zoom;
- se estiver usando Flatpak, liberar acesso aos dispositivos do sistema.
Conclusão
Usar o celular como webcam no Fedora com DroidCam funciona bem, mas alguns detalhes precisam estar corretos.
O primeiro passo é testar o caminho simples com o DroidCam Client GTK. Se isso já funcionar no Zoom, ótimo.
Mas se o Zoom não enxergar a câmera, o ponto central é garantir que o sistema tenha um dispositivo de vídeo virtual funcional.
Esse papel fica com o v4l2loopback.
No meu caso, como o Zoom foi instalado via .rpm, bastou selecionar a câmera virtual nas configurações de vídeo. Para quem usa Zoom via Flatpak, talvez seja necessário liberar acesso aos dispositivos do sistema com flatpak override.
Depois que essas peças encaixam, o processo fica simples:
DroidCam envia o vídeo → v4l2loopback cria a câmera virtual → Zoom usa essa câmera.
Foi assim que consegui fazer funcionar no Fedora.
Observação: Por que não usar o plugin do DroidCam no OBS?
Uma alternativa comum é usar o plugin do DroidCam no OBS e, a partir dele, expor a câmera virtual para outros programas.
Na prática, isso funciona.
O problema é que essa abordagem adiciona uma camada intermediária (OBS), o que pode causar conflitos ou comportamentos inesperados em aplicações externas.
No meu caso, por exemplo, o recurso de desfoque de fundo do Zoom ficou distorcido ao usar o OBS como intermediário.
Isso acontece porque o Zoom deixa de receber a imagem “crua” da câmera e passa a trabalhar sobre um stream já processado, o que interfere em algoritmos de segmentação de imagem.
Além disso, reproduzir funcionalidades como desfoque diretamente no OBS exigiria configuração adicional com plugins e filtros, aumentando a complexidade do setup.
Por esse motivo, optei por usar o DroidCam Client GTK diretamente, sem passar pelo OBS.
Assim, a imagem é enviada de forma mais “pura” para o device de vídeo (/dev/videoX), garantindo melhor compatibilidade com o Zoom e outros aplicativos.
Menos camadas no pipeline → menos pontos de falha.




