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Segurança Efêmera e Zero Trust: A Nova Fronteira do SSH com OTP via Vault

Entendendo os fundamentos: Segurança Efêmera, Zero Trust e HashiCorp Vault. Segurança Efêmera é um conceito que propõe a utilização de credenciais…

Segurança Efêmera e Zero Trust: A Nova Fronteira do SSH com OTP via Vault
Imagem: Rafael Lucas
Entendendo os fundamentos: Segurança Efêmera, Zero Trust e HashiCorp Vault

Segurança Efêmera

Segurança Efêmera é um conceito que propõe a utilização de credenciais temporárias, com ciclo de vida curto e controlado, que só existem durante o tempo estritamente necessário para sua finalidade. Isso reduz a janela de exposição de acessos sensíveis, evitando o acúmulo de credenciais persistentes que podem ser exploradas ou comercializadas por atacantes.

Zero Trust

Zero Trust (“confiança zero”) é um modelo de segurança que assume que nenhuma identidade — interna ou externa — é confiável por padrão. Em vez de autorizar acessos com base na localização ou status do dispositivo, o Zero Trust exige verificação contínua, políticas explícitas de acesso mínimo necessário e monitoramento constante.

Esse modelo é especialmente eficaz contra ataques de movimento lateral, uso indevido de credenciais privilegiadas e acessos indevidos por insiders.

HashiCorp Vault

O HashiCorp Vault é uma ferramenta de gerenciamento de segredos e controle de acesso que permite:

  • Distribuir credenciais efêmeras de forma centralizada;
  • Gerenciar políticas de segurança com rastreabilidade;
  • Auditar e revogar acessos em tempo real.

Quando integrado ao SSH via One-Time Password (OTP), o Vault se torna um aliado do Zero Trust e da segurança efêmera — garantindo que cada sessão SSH só ocorra com uma autorização explícita, única e rastreável.

O alerta real: ataque à Allianz Life

O ataque cibernético à Allianz Life Insurance Company, detectado em 16 de julho de 2025, expôs a fragilidade do uso de credenciais estáticas em ambientes de terceiros. Criminosos exploraram acessos em uma plataforma externa integrada aos sistemas da seguradora, o que permitiu o vazamento de dados sensíveis de aproximadamente 1,4 milhão de clientes.

Embora não tenha havido envolvimento interno direto, o incidente demonstrou como credenciais pouco protegidas e com validade prolongada podem ser reutilizadas por atacantes mesmo fora da infraestrutura principal da organização. A falta de autenticação dinâmica e visibilidade em tempo real permitiu que os acessos fossem mantidos de forma persistente e silenciosa por tempo suficiente para causar impacto significativo.

Esse tipo de incidente evidencia um risco recorrente na segurança da informação: o uso de credenciais estáticas em sistemas privilegiados e integrados, que muitas vezes são difíceis de revogar, não são auditadas continuamente e acabam se tornando alvos fáceis no ecossistema de fornecedores e integrações.

A solução? Substituir o modelo de confiança implícita por autenticação efêmera — com credenciais de uso único, validade curta e validadas dinamicamente. Exatamente o que Vault oferece.

Neste artigo, mostramos como implementar a autenticação dinâmica para acesso SSH via OTP com HashiCorp Vault, fortalecendo controles, rastreabilidade e automatização como resposta a ameaças reais como essa.

Por que autenticação efêmera faz a diferença?

Autenticações tradicionais baseadas em chaves SSH estáticas oferecem às equipes acesso persistente — e aos atacantes oportunidades de venda, troca ou comprometimento. Já o OTP via Vault transforma o acesso em algo:

  • Efêmero e único: cada autenticação gera um token temporário.
  • Validado no Vault: sem confiança implícita, cada acesso é verificado.
  • Auditoria completa: logs detalhados por contexto, usuário e validade.
  • Revogável instantaneamente: basta alterar políticas no Vault — sem a necessidade de substituição manual das chaves nos sistemas que as precisa utilizar.
Benefícios tangíveis do OTP via Vault + Zero Trust
  • Redução de chaves SSH persistentes.
  • Auditoria por acesso, com logs de quem fez, onde e quando.
  • Revogação imediata de acessos altos pela política no Vault.
  • Escalabilidade com integração em Terraform, Ansible e CI/CD.
  • Proteção real contra incidentes semelhantes a golpes bilionários.
Integração prática: OTP via Vault no acesso SSH
  1.  Habilite o motor SSH no Vault

vault secrets enable ssh
vault write ssh/roles/otp-role \
  key_type=otp \
  default_user=vault \
  cidr_list=192.168.0.0/16
  1. Crie uma política no Vault

# ssh-verify.hcl
path "ssh/verify" {
  capabilities = ["create", "update"]
}

 

vault token create -policy="ssh-verify" -ttl=720h
  1. No servidor SSH, configure o helper de verificação de OTP

#!/bin/bash
export VAULT_ADDR="https://vault.seudominio.com"
export VAULT_TOKEN="<TOKEN_COM_POLICY>"
ROLE="otp-role"
read -r OTP_RAW
OTP=$(echo -n "$OTP_RAW" | tr -d '\r\n[:space:]')
RESULT=$(vault write -address="$VAULT_ADDR" ssh/verify otp="$OTP" role="$ROLE" 2>&1)
if [ $? -eq 0 ]; then exit 0; else exit 1; fi
  1. Integre ao PAM (Linux)

No /etc/pam.d/sshd 

Adicione a seguinte linha no início do script:

auth    sufficient  pam_exec.so expose_authtok /usr/local/bin/vault-ssh-helper.sh

Importante: verifique se o SELinux está corretamente configurado para permitir a execução do helper via PAM. O SELinux pode bloquear o script, mesmo que esteja funcional.

Você pode ajustar as permissões com:

sudo semanage port -m -t ssh_port_t -p tcp 443
sudo semanage port -a -t ssh_port_t -p tcp 443 2>/dev/null || true

Ou analisar os bloqueios no log:

grep vault /var/log/audit/audit.log | audit2allow -M vaultpam
semodule -i vaultpam.pp

Reinicie o SSH:

sudo systemctl restart sshd
  1. Geração e uso de OTP

No cliente:

vault write ssh/creds/otp-role ip=192.168.1.10

Resolvido o JSON com a key → use-a como senha ao conectar via SSH:

ssh vault@192.168.1.10
# Cole a OTP
Resposta ao cenário real da Allianz Life

Se a Allianz Life e seus fornecedores estivessem utilizando autenticação SSH com OTP via Vault, o ataque teria sido muito mais difícil de executar: nenhuma credencial fixa para acesso direto a sistemas sensíveis existiria para ser reutilizada ou explorada. A autenticação efêmera por OTP protege contra:

  • Reutilização ou vazamento de credenciais — senhas estáticas mantidas em sistemas de terceiros tornam-se um ponto de falha crítico. Com OTP, as credenciais têm vida curta e uso único, tornando vazamentos inócuos.
  • Acessos persistentes e não rastreados — cada operação via SSH exigiria uma validação dinâmica com controle total pelo Vault, bloqueando movimentações não autorizadas ou persistentes.
  • Ataques laterais e movimentos furtivos — mesmo que um invasor consiga explorar um ambiente mal configurado, o tempo de acesso seria extremamente limitado, reduzindo drasticamente o potencial de dano.

Conclusão

Ao implementar OTP via Vault para SSH, você fortalece fortemente a segurança contra ataques de insider e credenciais comprometidas — como o golpe que atingiu o Banco Central. Com acesso efêmero, auditável e Zero Trust por design, sua infraestrutura se coloca à prova contra a próxima grande ameaça.

Comece pequeno, em servidores de staging, e evolua para um modelo robusto que protege pessoas e sistemas — antes que alguém tente “vender” seu acesso.

Profissional com mais de 15 anos de experiência em Tecnologia da Informação, Rafael Lucas é pós-graduado pela Royal Holloway, University of London em Cyber Security - Technology and Governance. Ao longo de sua carreira, tem se destacado na implementação de práticas DevSecOps, integrando segurança desde as fases iniciais do desenvolvimento de software. Atualmente, atua como membro de comitês públicos, contribuindo para a definição de políticas e estratégias na área de tecnologia, além de especialista na área de cybersec pela Facti.

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