Um supercomputador em casa
Depois de anos de especulação, três
das maiores empresas de tecnologia apresentaram o Cell, processador
multimídia com nove núcleos e mais de 4GHz, que
promete mudar o mercado de eletrônicos.
O chip, criado por IBM, Toshiba e Sony, estará
presente em vários aparelhos – de celulares ao novo videogame
PlayStation 3, que será lançado em 2006. Seus detalhes
foram anunciados na semana passada, na International Solid State
Circuits Conference, em São Francisco.
O Cell entrará em produção
este ano e terá mais de 4 GHz de clock. Ao examinar a arquitetura
do processador, analistas previram que ele chegará a 4,6
GHz, superando o Pentium 4 de 3,8 GHz, o mais rápido dos
processadores domésticos.
Mas o novo chip não deverá concorrer
diretamente com o da Intel, já que sua arquitetura é
indicada apenas para aplicações multimídia,
como gravadores digitais, TVs de alta definição,
computação científica e diversão eletrônica.
O primeiro aparelho a receber o chip será
um workstation para trabalhos acadêmicos e desenvolvimento
dos jogos do PS3. O trio de criadores promete lançá-lo
ainda este ano.
Na apresentação, a IBM mostrou que
o Cell terá um chip da empresa e outras oito “”unidades
cooperativas de processamento””, capazes de calcular operações
com independência. O chip principal, um Power de 64 bits,
será o maestro do Cell, delegando funções
aos outros.
Embora as unidades sejam inclinadas ao trabalho
multimídia, poderão realizar qualquer tipo de função.
Elas abrem caminho para a aplicação da computação
distribuída, com o uso até de vários sistemas
operacionais em operação simultânea.
As três empresas consideram o Cell um “”supercomputador
em um chip””. Sua capacidade máxima de processamento é
de 256 bilhões de cálculos por segundo (256 gigaflops).
O último colocado na lista semestral Top 500, das máquinas
mais poderosas do planeta, tem a performance de 851 gigaflops.
As tecnologias XDR e FlexIO, licenciadas da Rambus,
garantirão a troca de informações entre o
chip e as memórias na impressionante velocidade de 100
GB/s. O Cell, com 221 mm² e 234 milhões de transistores,
terá também 2,5 MB de memória no processador.
Ele será fabricado pela IBM com a tecnologia de 90 nanômetros.
Embora o Pentium 4 não esteja ameaçado
diretamente pelo Cell, o novo processador deve incomodar a maior
fabricante de chips do mundo. A Intel investe pesado na “”casa
digital”” e seu projeto de dominar a sala de estar enfrenta um
concorrente poderoso.
– É uma ameaça real às ambições
da Intel, que investiu muito no ambiente doméstico – diz
Tom Starnes, pesquisador-chefe de processadores da Gartner, empresa
de consultoria.
O ano de 2005 comprova que a Lei de Moore pode
estar em risco. Em 1965, Gordon Moore, co-fundador da Intel, publicou
um estudo que mostrava que a cada dois anos as empresas lançariam
chips com o dobro de transistores e o mesmo preço.
Mas essa escala se torna cada vez mais difícil.
A tecnologia mais moderna, de 90 nanômetros, começa
a explorar o limite físico da distância entre os
transistores, a menor unidade de um processador. A próxima
geração, de 65 nanômetros, enfrentará
esse problema de frente. A saída, como mostra a tríade
do Cell e a própria Intel, com seus futuros Pentium com
núcleo duplo, é criar um ambiente de cooperação
entre os chips, em vez de criar processadores únicos e
poderosos.







