NOTÍCIA

Passando os papéis a limpo

Quem nunca esteve numa situação
dessas?

O cliente chega empolgado na sala de
reunião, elogia ao máximo a peça
impressa da campanha que vai lançar ao ar, vira-se
ao diretor de arte ou ao representante de criação
e diz:

– Adorei o seu trabalho, mas dá
para ser amarelo ao invés de azul? Sabe esse
título, gostei tanto que acrescentei mais algumas
linhas, ok? E a propósito, já que você
vai ter que mexer no anúncio novamente, dá
pra colocar uns splashes coloridos???

O contraste entre os olhos animados do
cliente e o olhar de desespero do atendimento se torna
visível, quase palpável. Trata-se da pior
coisa que poderia acontecer: o cliente acaba de descobrir-se
um grande criativo, que ao invés de ser empresário
deveria ter se tornado publicitário.

Seu chefe olha para você, e como
quem respeita esse momento tão doloroso onde
seu trabalho e esforço descem ralo abaixo, clama
com a expressão do rosto para que você
por favor releve, afinal isso vai ser só desta
vez, talvez desta e da próxima, ou da próxima
da próxima, e assim vai…

Fique claro, que este é um caso
típico de uma negociação cliente-agência
onde as coisas não estão muito bem acertadas.

O problema é que assim como 99%
da população mundial é formada
de exímios fotógrafos (o outro 1%, é
formado por aquelas pessoas nunca nem viram uma máquina
doméstica) provavelmente 100% é formada
de publicitários, capazes de ter grandes idéias,
de uma hora para outra tomando uma cervejinha com os
amigos no bar.

Esse é o tipo de atitude esperada,
de quem passa muito tempo embrenhado nos seus afazeres
e, por alguns momentos se vê envolto num mundo
de sonhos e belos objetivos ao pisar numa agência
de propaganda, procurando expandir o seu negócio.

Agora, existe algo que ainda me surpreende,
encontrar alunos de publicidade ou publicitários
convictos, dizendo que seu objetivo profissional será
diagramar folders em Quark X Press e desenhar logotipos
no Illustrator ou Corel. Não que eu me oponha
a isso (adoro mexer em softwares para ilustração,
manipulação de imagens e diagramação,
e acho que mesmo um redator deve aprender ao menos o
básico) mas o fato é que daqui a pouco
vai aparecer designer crendo que ao se formar se tornará
redator publicitário.

Não quero parecer ácido,
já que em pesquisa sobre o esse assunto, notei
que este é motivo de fervorosas discussões
em defesa de divergentes pontos de vista, mas me pergunto
se alguém faria uma boa viagem de trem, se este
fosse pilotado por um ótimo engenheiro, ou moraria
numa casa de três andares projetada por um maquinista!

Rezam as definições acadêmicas
que o publicitário vai criar segundo um briefing,
uma solução de comunicação
para o cliente visando o êxito dos seus objetivos
junto ao seu público, só esqueceram de
acrescentar que isso quer dizer: pesquisar, buscar o
melhor conceito, discutir, suar a camisa, perder o sono,
estudar os porquês, a melhor forma de, e ainda
(principalmente), ver se vai trazer o resultado esperado.

Por mais comum que sejam estas situações,
fique tranqüilo, elas têm solução.

Envolva-se cada vez mais com os departamentos
todos, se informe um pouquinho de tudo o que rola e
na pior das hipóteses o final do seu limite e
começo do limite do vizinho ficará mais
claro.

Quanto ao cliente, na hora de combinar
os detalhes de um contrato, eduque-o, mostre que não
é legal pedir para que preparem um trabalhoso
e delicado bolo, para depois ele chegar colocando por
cima da cobertura as cerejas. Se ele realmente compreende
a seriedade de um trabalho de staff, melhor para ambas
as partes, caso contrário, vai acabar enchendo
o saco do filho da vizinha de condomínio, que
tem a cara cheia de espinhas e mexe no PC da irmã.
Que assim seja, mais valem dois marimbondos voando do
que um na mão, mas neste caso: haja clip arts!!!

Matérias especiais e reportagens conduzidas internamente pela Redação iMasters. Acompanhe no Twitter @imasters e no Instagram/Threads @portalimasters

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