NOTÍCIA

GRID: A evolução da internet

Na próxima semana, cientistas em Genebra
ligarão o maior avanço na comunicação
desde que Tim Berners Lee rabiscou, em 1989, a expressão
‘www’ num quadro-negro e inventou a web. Eles anunciarão
que 10 laboratórios ao redor do mundo podem conversar entre
si com seus computadores.

Na era da comunicação digital de
alta velocidade, o feito pode parecer pouco revolucionário.
Mas esse pequeno passo para a raça dos computadores marca
o lançamento de um novo conceito tecnológico – a
nova geração da web. Conhecida como Grid, os cientistas
afirmam que em breve ela mudará tudo o que fazemos – pesquisa
científica, economia, planejamento das férias e
até como assistimos a filmes.

Atualmente, a internet é formada por servidores
que contêm os sites que são enviados para nossos
computadores. Os internautas estão limitados ao que podem
fazer com a informação pela memória e poder
de processamento dos micros.

Na Grid, o potencial do seu computador – todos
os gigabytes, RAM e gigahertz – será irrelevante. Não
importa quão primitivo seja o seu aparelho, você
terá acesso a mais poder de processamento que o existente
hoje no Pentágono.

– Você apenas indicará que deseja
aquela informação e a Grid a coletará e a
tornará acessível – diz Roger Cashmore, diretor
de Pesquisa no Laboratório Europeu de Física de
Partículas no Cern, na Suíça.

A estrutura da Grid será composto por centros
de computação cheios de PCs conectados entre si.
Os micreiros poderão usar os programas, poder de processamento
e armazenamento como se eles fizessem parte do seu próprio
computador, e sem sentir diferença – seja com um PDA num
trem na Inglaterra ou num computador na Tailândia.

Como a web, a Grid está sendo desenvolvida
primeiramente para servir a comunidade científica. O Cern
está criando o Large Hadron Collider (LHC), um enorme acelerador
de partículas para investigar as propriedades da matéria.
O LHC produzirá grandes quantidades de informação
quando estiver acelerando prótons próximo à
velocidade da luz e os fazendo colidir. Em apenas um ano, ele
gerará entre 500 e 800 milhões de gigabytes de dados,
ou uma pilha de CDs com a altura da Torre Eiffel, segundo Cashmore.

Para utilizar essa montanha de informação,
os cientistas precisam de uma forma de analisá-la e filtrar
a parte útil, o que demanda muito poder de computação.
É nessa parte que a Grid entra em cena.

– Na Grid você descreverá o que a
informação deve ser, o caminho que ela deverá
fazer e o que acontecerá com ela – diz Ian Bird, um dos
responsáveis pelo sistema no Cern.

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