Estudo revela cinco movimentos que vão impactar a forma como as pessoas consomem
As tendências apontadas são um reflexo direto de movimentos que tiveram início nos anos anteriores e se fortaleceram em 2013.
Um relatório da Trendwatching, chamado de “5 Crucial South & Central American Consumer Trends for 2014”, revelou cinco movimentos que devem influenciar a maneira como as pessoas consomem e compreendem as marcas em 2014. Além disso, o estudo indicou que o público estará mais aberto a propostas que apresentem a realidade, mesmo que ela seja desconfortável.
As tendências apontadas são um reflexo direto de movimentos que tiveram início nos anos anteriores e se fortaleceram em 2013. O relatório da Trendwatching traz ainda casos de marcas que exemplificam, na prática, cada um dos cinco pontos abordados, como Easy Taxi, CNA, Burger King, BRMalls e Banco do Brasil.
Cada vez mais, o consumidor está devolvendo as demandas sociais para as empresas e não adiantará mais entregar um produto muito bom se o mundo à volta do cliente estiver cheio de problemas. “De que adianta ter um aumento de salário, por exemplo, se o mundo à sua volta piorou muito? Esta é uma percepção cada vez mais forte”, ponderou Luciana Stein, Diretora para a América Latina da Trendwatching.
Abaixo, cada um dos pontos abordados no relatório:
- Status Smart – O smart como símbolo de status não está relacionado a novas tecnologias que adotam o prefixo em suas nomenclaturas, como smartphones e smart tvs. O que será cada vez mais valorizado pelo consumidor é o conhecimento adquirido. “Esse movimento começou há 10 anos, quando tivemos o aumento no número de faculdades privadas e hoje temos um número 100% maior de brasileiros que frequentam um curso superior, por exemplo. Antes, estava ligado unicamente à educação formal, mas agora é um conceito bem mais amplo. Não é apenas a questão do diploma, mas há um interesse maior das pessoas por conhecimento, por saber e por ser mais inteligente”, avaliou Luciana Stein. O valor do conhecimento sobre algum tema está relacionado ao status que ele proporciona. Apesar de a população estar estudando mais, a questão está ligada à familiaridade que o público tem com o conceito de conhecimento. Em São Paulo, o Easy Taxi criou um projeto cultural no qual os motoristas instalam pequenas bibliotecas móveis dentro dos veículos, com títulos que ficam disponíveis para os passageiros. No Paraguai, o Burger King se uniu a uma editora para oferecer livros às crianças ao invés dos tradicionais brinquedos que acompanham os lanches. Outro exemplo é da rede de cursos CNA, que desde junho de 2013, passa a vender pacotes de 20 horas de aulas de inglês no varejo tradicional, como supermercados e farmácias.
- Civicsumers – Essa tendência engloba aspectos de responsabilidade social e ambiental, além de pontos ligados às pressões urbanas vividas nas grandes cidades. Em boa parte dos casos, o sentimento de civicsumers se traduz em consumidores que resolvem promover alguma iniciativa de cunho social, ganham notoriedade e são apoiados por grandes marcas. Isso significa também uma reversão na lógica tradicional: em vez de pessoas seguindo as empresas, é o momento de as companhias seguirem os consumidores, para entenderem que projetos estão sendo desenvolvidos, as demandas e o que pode ser trabalhado em conjunto. Alguns exemplos são o app Fumaça Preta, distribuído gratuitamente para ajudar nas denúncias sobre veículos que estão poluindo o ambiente, e o movimento Imagina na Copa, criado em Recife.
- Bitter Truths – Essa tendência é uma acentuação da responsabilidade social. Cresce a percepção do consumidor de que não adianta ter uma vida melhor se todo o resto estiver muito ruim. Essa visão é cada vez mais forte, e as pessoas passam a tolerar também campanhas mais duras e diretas. Os latino-americanos estão mais receptivos a marcas que exponham a realidade, mesmo que ela não seja a mais agradável, o que impacta diretamente na maneira como produtos e serviços podem se posicionar. A ONG Teto é citada no relatório com a sua ação Invisigram, que usou o Instagram para arrecadar donativos para comunidades pobres brasileiras. A iniciativa contou com o apoio de celebridades que emprestaram suas contas para moradores dessas comunidades, para que eles postassem imagens da sua realidade. O BRMalls também aparece como case de sucesso com a sua loja vazia, instalada dentro de um dos shoppings da rede. O objetivo era preencher o ponto de venda com itens doados pelos consumidores.
- Protective Tech – Com o excesso de tecnologia e recursos digitais absorvidos no cotidiano, o público estará mais atento a produtos e serviços que protejam contra a perda de privacidade. O projeto de reconhecimento biométrico nos terminais de autoatendimento do Banco do Brasil é citado como exemplo de serviço que ganhará destaque. Mas há também uma grande preocupação com a privacidade digital. “Aumentou a preocupação com o uso que as companhias fazem dos dados das pessoas. Certamente teremos mais empresas que usarão isso como diferencial daqui por diante. O consumidor, independentemente da sua classe social, está mais atento a estas questões e mais consciente”, avaliou Luciana Stein.
- Life on Demand – A tendência vida on demand citada no relatório da Trendwatching não diz respeito apenas a serviços digitais, mas a toda oferta que ajude os consumidores a poupar tempo. As marcas que conseguirem oferecer ao público soluções que permitam a ele escolher o melhor tempo e local de consumo serão as mais valorizadas daqui por diante. Poupar tempo sempre foi um desejo das pessoas desde a década de 1960, quando começou o processo de automatização do lar. “O que muda é a velocidade desse desejo, que está mais acelerado. A tecnologia eliminou o tempo de espera e com isso as pessoas já não admitem esperar nada. A vida tecnológica acelerou o tempo da vida física. Nesse contexto, aguardar 30 segundos em um sinal de trânsito pode ser considerado um tempo muito grande”, argumentou a executiva. Aplicativos como o ReservaVagas, que permite ao visitante reservar uma vaga para o seu carro em um shopping de Guarulhos, São Paulo, antes mesmo de sair de casa, e a padaria Pão To Go, em formato de drive through, são exemplos de como esta tendência pode ser aplicada a diversos modelos de negócios.
Com informações de Mundo do Marketing







