Em testes durante a Copa, TV 4K ainda engatinha rumo aos consumidores brasileiros
Os primeiros televisores com o formato chegaram ao mercado no ano passado. Os modelos disponíveis custam até R$ 100 mil, mas aparelhos com menos recursos já podem ser encontrados por R$ 6 mil.

A Copa do Mundo serviu de laboratório para o que pode vir a ser a TV do futuro (próximo). Pela primeira vez, a final da competição foi transmitida, de forma experimental, em 4K, ou “Ultra HD”, uma resolução quatro vezes superior à da atual Full HD. Apesar dos testes em curso, ainda há muito o que fazer para levar a altíssima definição para os lares dos consumidores. O alto custo dos equipamentos e a falta de conteúdo são barreiras a vencer, mas especialistas acreditam que, em alguns anos, essa tecnologia pode se tornar padrão.
“Ainda existem algumas tecnologias em desenvolvimento, principalmente no caminho entre a fonte do sinal e a TV na sala das pessoas”, diz o britânico Robert Thorne, engenheiro de Desenvolvimento de Negócios da Sony, que veio ao Brasil para a transmissão ao vivo de alguns jogos da Copa. “Pessoalmente, acredito que, dentro de um ano, o 4K começará a ser comercializado em alguns países”.
Os primeiros televisores com o formato chegaram ao mercado no ano passado. Os modelos disponíveis custam até R$ 100 mil, mas aparelhos com menos recursos já podem ser encontrados por R$ 6 mil. Segundo Rogério Molina, gerente geral de Televisores da LG no Brasil, os primeiros produtos 4K chegaram às lojas custando quatro vezes mais que os de Full HD. Hoje, a diferença não chega a 20%.
“A tendência é de queda. O nosso modelo mais barato custava R$ 18 mil, mas hoje sai por R$ 8 mil. No ano passado lançamos três modelos, este ano teremos 12. E, quanto maior a demanda, menor o custo”, disse Thorne.
A empresa sul-coreana prevê que serão vendidos no Brasil 70 mil aparelhos 4K este ano. O número é alto, mas apenas uma pequena fração do total de 14 milhões de televisores que serão comercializados. Na Samsung, a previsão é vender 120 mil peças com a tecnologia.
Mas só a TV não basta, é preciso conteúdo. William Peter Lima, gerente da categoria TVs na Samsung do Brasil, afirma que o maior gargalo para a tecnologia está na oferta de programação. Hoje, alguns serviços on-demand, como Netflix, já têm filmes em altíssima resolução, mas a entrega esbarra na infraestrutura de internet. A estimativa é que, por causa da qualidade, um vídeo em 4K precise de no mínimo 15 Mbps de taxa de transmissão — hoje, a média no Brasil é de 2,6 Mbps.
A experiência da Copa mostra que já é possível fazer uma transmissão ao vivo em 4K. Na cadeia, que inclui desde a captura da imagem até a entrega na casa do consumidor, há equipamentos capazes de fazer o serviço. Porém, faltam definir padrões, diz Roberto Primo, diretor de Tecnologia da Globosat.
“A gente transmitiu a Copa com parte dos equipamentos Full HD. Nas próximas feiras vamos começar a ver mais ferramentas para 4K”, explica Primo.
Na transmissão de ontem, as operadoras NET e Oi TV passaram o sinal via cabo para pontos de exibição pública ou casas de alguns clientes que já possuem TVs de altíssima definição. O diretor da Oi TV, Ariel Dascal, afirma que a tecnologia de entrega do conteúdo já está pronta, mas ainda não existe previsão para a oferta comercial.
“O que a gente faz com a demonstração é antecipar e mostrar que, no Brasil, já é possível fazer a transmissão. Tudo o que a gente está fazendo é replicável comercialmente”, afirma Dascal, lembrando que os primeiros planos 4K serão produtos premium. Os pacotes devem ser cerca de R$ 40 mais caros que os atuais.
A TV Globo também faz testes próprios, mas com transmissão por antenas, como o sinal aberto atual. Liliana Nakonechnyj, diretora de Engenharia de Transmissão da emissora, explica que para a TV aberta a tecnologia vai demorar mais para chegar, porque será preciso definir padrões a serem seguidos por todos os canais. Porém, a transição para o 4K deve ser menos dramática que mudança do analógico para o digital.
8K, só em 2020 — e no Japão
Se o 4K ainda precisa de maturação, o 8K, com resolução 16 vezes superior ao Full HD, está ainda mais distante. Mesmo assim, a decisão entre Argentina e Alemanha será exibida assim, ao vivo, em sete pontos no planeta, sendo três no Brasil (o hotel oficial da Fifa, no Rio, e dois institutos de pesquisa) e quatro no Japão. A iniciativa é da estatal japonesa NHK, que lidera o desenvolvimento da tecnologia. Espera-se que o sistema entre em funcionamento só em 2020. E no Japão.
“Estamos trabalhando em novos formatos de compressão. O arquivo não comprimido precisa de 24 Gbps para transmissão, mas já conseguimos comprimi-lo a até 85 Mbps”, diz o produtor da NHK Jun Ochiai.
Com informações de O Globo







