Cisco libera Antares em código aberto e mira a caça a vulnerabilidades
A Cisco colocou dois modelos de segurança no Hugging Face. Eles atendem pelos nomes Antares-350M e Antares-1B. Ambos chegam sob a licença Apache 2.0.

A Cisco colocou dois modelos de segurança no Hugging Face. Eles atendem pelos nomes Antares-350M e Antares-1B. Ambos chegam sob a licença Apache 2.0. Além disso, o acesso aos arquivos passa por um processo de solicitação da própria Cisco. O foco é bem definido: localizar arquivos ligados a categorias de vulnerabilidades já conhecidas. Portanto, esqueça a geração de código genérica ou a criação automática de patches. Aqui a missão é apontar onde o revisor deve olhar primeiro.
Cisco ensina o Antares a vasculhar código como um investigador
A lógica de localização conecta três fontes. Primeiro, avisos de segurança e bancos de vulnerabilidades. Depois, as categorias do Common Weakness Enumeration, o famoso CWE. Por fim, os arquivos que podem guardar o código problemático.
Na prática, o modelo recebe um identificador CWE e uma descrição genérica. Em seguida, ele explora o repositório por um terminal. Para isso, usa comandos que todo dev conhece: grep, find e cat. Assim, o Antares inspeciona arquivos, revisa a própria busca e devolve uma lista de caminhos candidatos.
O ponto interessante mora no método. O Antares começa pelo contexto de uma vulnerabilidade conhecida. A partir daí, ele prioriza os arquivos suspeitos. Dessa forma, a busca fica direcionada desde o primeiro comando.
Antares aponta arquivos candidatos e deixa a decisão final com você
Vale alinhar a expectativa desde já. O Antares devolve candidatos em nível de arquivo. Ou seja, ele mostra onde investigar. A identificação das linhas afetadas continua com o revisor. O mesmo vale para a explicação do porquê e para a correção. Por isso, a Cisco recomenda validação humana antes de qualquer ação. Aliás, a empresa posiciona o Antares como complemento das ferramentas de AppSec. Ele soma às soluções existentes e reforça a análise estática tradicional.
Rodar o Antares na sua infra mantém o código proprietário em casa
Aqui entra o argumento que pesa para muitas empresas. O Antares-1B tem cerca de um bilhão de parâmetros. O Antares-350M fica em torno de 350 milhões. A Cisco também prepara uma versão de três bilhões.
Esse tamanho enxuto abre uma porta importante. Você hospeda os modelos na sua própria infraestrutura. Assim, o código proprietário permanece dentro de casa. A Cisco documenta o deploy por vários caminhos. Entre eles, Transformers, vLLM, SGLang e Docker Model Runner. Além disso, há formatos quantizados compatíveis com llama.cpp e Ollama.
A CLI conecta a um endpoint de inferência compatível com a API da OpenAI. Portanto, para manter tudo interno, o modelo e o endpoint precisam viver na sua estrutura.
Cisco recomenda contêiner isolado e acesso somente leitura
A própria Cisco sugere cuidado na operação. Analise os repositórios em contêineres isolados. Mantenha o acesso à rede desativado durante a varredura. Use o repositório em modo somente leitura. Configure timeouts de comando e limites de recursos. Ative também os logs de auditoria. E, acima de tudo, mantenha a supervisão humana no fluxo.
Cisco integra o Antares ao CI/CD com saída em JSON e SARIF
A CLI do Antares atende dois cenários. Primeiro, investigações direcionadas por identificadores CWE. Depois, varreduras mais amplas no repositório inteiro. A saída também agrada quem automatiza tudo. O modelo entrega relatórios legíveis, JSON e SARIF 2.1.0. Dessa forma, os achados aparecem em sistemas como o GitHub Code Scanning.
No pipeline, o gatilho pode vir de um aviso de segurança. Um alerta de dependência também serve. A CLI ainda permite quebrar o build quando arquivos candidatos surgem. Contudo, essa opção vem desligada por padrão. Afinal, os achados sempre pedem revisão antes de barrar uma entrega.
US$0,71 contra US$141: a conta de inferência que chama atenção
Agora um dado que costuma abrir os olhos. A Cisco rodou o benchmark completo com o Antares-1B. O teste reúne 500 tarefas. O modelo terminou em cerca de 13 a 15 minutos. Para isso, usou uma única GPU Nvidia H100 com 16 workers em paralelo.
O custo de inferência ficou em US$0,71. Na mesma configuração, o GLM-5.2 marcou US$12,50. Já o GPT-5.5 chegou a US$141. Portanto, a diferença de custo salta aos olhos. Vale lembrar que esses números cobrem só a execução do modelo. Hardware, integração e manutenção entram na conta real.
F1 de 0,209: por que esse número modesto ainda entrega valor
O placar de precisão merece contexto. A Cisco criou o Vulnerability Localization Benchmark para medir a localização de arquivos. O conjunto reúne 500 tarefas de 290 repositórios. Ele cobre seis ecossistemas de pacotes e 147 categorias CWE. Além disso, 78% das entradas têm CVE associado.
Cada tarefa parte de um snapshot anterior à correção. Os arquivos de referência são aqueles alterados no patch de segurança. O Antares-1B registrou F1 de 0,209 nesse teste. A precisão ficou em 0,262 e o recall em 0,224. Ainda assim, o modelo superou vários concorrentes maiores nas mesmas condições. Ou seja, com as mesmas ferramentas, prompts e limites de comando.
Os resultados também mostram os limites do modelo. Ele devolveu arquivos equivocados em alguns casos. O modelo ainda deixou passar arquivos ligados a correções reais. Vale registrar que os números vieram da própria Cisco. Até agora, uma replicação independente segue pendente.
Onde o Antares perde força: repositórios grandes e bugs espalhados
Todo modelo tem seus limites, e a Cisco os documenta. O desempenho cai em repositórios acima de 10MB. Isso acontece sob o limite padrão de 15 comandos. Vulnerabilidades que exigem contexto de cinco ou mais arquivos também rendem menos.
A eficácia ainda varia conforme a categoria da falha. O Antares vai bem com padrões pesquisáveis e distintos. Type confusion e prototype pollution entram nesse grupo. Por outro lado, permissões, locking e gestão de memória complicam a busca. Comportamentos mais amplos do programa seguem o mesmo caminho.
Um detalhe fecha o quadro. Os dados de treino têm corte em 10 de abril de 2025. Portanto, a Cisco recomenda combinar o modelo com feeds atuais de vulnerabilidades.
Antares como primeira triagem: o lugar certo desse modelo no seu fluxo
O Antares ocupa um espaço específico e útil. Ele funciona como uma primeira triagem de segurança. Você aponta uma categoria de falha e ele sugere onde olhar. Em seguida, o time valida e decide o próximo passo.
Para quem lida com código sensível, o deploy local pesa a favor. O custo baixo de inferência reforça esse apelo. Assim, o Antares vira uma peça extra no arsenal de AppSec. E o melhor: ele conversa com o que você já usa, do GitHub Code Scanning ao pipeline.
Os modelos já estão no Hugging Face sob Apache 2.0. Portanto, dá para testar em um repositório real e medir o encaixe. A partir daí, a decisão fica com dados na mão.
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