Cientistas propõem que antigas frequências de TV sejam usadas para “super Wi-Fi”
"Super Wi-Fi" teria cobertura muito maior que a oferecida pelos dispendiosos serviços móveis existentes, como a internet móvel de quarta geração (4G).

Como a demanda para a transferência de arquivos via wireless deve aumentar exponencialmente nos próximos anos, cientistas alemães do Instituto de Tecnologia Karlsuhe (KIT) propuseram transformar algumas das frequências de TV analógicas, que se tornarão livres em breve, em bens públicos e utilizá-las para ampliar as redes wireless existentes, ao invés de leiloá-las para a indústria de telefonia móvel, como vem ocorrendo em vários países, incluindo o Brasil.
Os dados transmitidos por Wi-Fi por meio das frequências de TV antigas poderiam ser enviados por frequências mais baixas que a da maioria das redes sem fio, que geralmente trabalham nas faixas de frequência de 2 GHz ou superiores.
De acordo com o estudo alemão, as frequências mais baixas poderiam criar o que os cientistas alemães chamaram de “super Wi-Fi”, cuja cobertura poderia atingir uma área muito maior que a oferecida pelos dispendiosos serviços móveis existentes, como a internet móvel de quarta geração (4G).
Os autores do estudo alemão, Arnd Weber e Jens Elsner, afirmam que a implementação de sua abordagem para a utilização das frequências analógicas de TV traria benefícios de longo alcance. Segundo eles, “indivíduos, instituições e empresas seriam muito menos dependentes de dispendiosas redes de comunicação móveis para conduzir sua comunicação digital, o que também resultaria em grande benefício econômico”. O estudo de Weber e Elsner ainda demonstra que, para além do corte de custos, o “super Wi-Fi” favoreceria o surgimento de novas tecnologias, assim como ocorreu com surgimento do Wi-Fi que utilizamos hoje. Além disso, o espectro da TV analógica serviria para comunicação em cenários de desastres.
Os dois autores apresentarão suas conclusões e propostas aos membros da ONU durante a Conferência Mundial de Radiocomunicações, na Suíça, que acontece de 2 a 27 de novembro de 2015.
Embora a própria ONU tenha afirmado logo após a Primavera Árabe, em 2011, que o acesso à Internet constitui um dos Direitos Humanos básicos, não será fácil convencer os governantes dos países-membros das Nações Unidas a aderir à tese alemã.
Há muitos defensores das ideias de que as frequências de TV antiga são bens comuns e, portanto, deveriam ser disponibilizadas ao público gratuitamente. Mas também há opositores, entre os quais está o ganhador do último Prêmio Nobel de Economia, Ronald Coase – para ele, o dinheiro obtido com os leilões das frequências deve ser usado pelos diferentes governos para financiar outros serviços. Também há quem afirme que o congestionamento tornaria a utilização das frequências impraticável. Weber e Elsner, por sua vez, garantem que a abordagem tecnológica correta poderia evitar tal congestionamento.
No Brasil, o sinal da TV analógica começará a ser desligado em novembro de 2015 e o processo se estenderá até 2018. Os leilões dos sinais para empresas de telefonia móvel já estão previstos, mas dependem do desligamento oficial e serão feitos por etapas.
Com informações de Canaltech







