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O problema não é gastar pouco com IA. É gastar muito sem gerar valor.

O problema não é gastar pouco com IA. É gastar muito sem gerar valor.
Imagem: Cezar Taurion

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Mas, recentemente li diversos relatos de empresas enfrentando verdadeiros choques de realidade ao descobrir que IA não funciona como software tradicional. Diferentemente do modelo SaaS, em que o custo é relativamente previsível, a IA generativa opera em uma lógica de consumo. Cada prompt, cada consulta extensa, cada agente executando tarefas em segundo plano gera custo computacional.

E esses custos podem crescer muito mais rápido do que o valor gerado. E o que mais me chamou atenção não foi o tamanho das contas. Foi o que elas revelam sobre a forma como estamos adotando IA.

Vejo muitas organizações medindo sucesso pela quantidade de tokens consumidos, pelo número de agentes criados ou pelo volume de interações realizadas. Mas será que essas métricas realmente dizem alguma coisa sobre geração de valor?

Na prática, no mundo real, estamos automatizando aquilo que gera mais impacto para o negócio ou apenas aquilo que é mais fácil de automatizar?

Tenho a clara impressão de que parte do mercado está entrando em uma espécie de “tokenmaxxing”, onde o objetivo passa a ser consumir mais IA, não necessariamente produzir melhores resultados.

Isso me leva a uma conclusão simples: a IA deixou de ser apenas uma questão tecnológica. Tornou-se uma questão de gestão. Assim como governamos orçamento, infraestrutura, segurança e compliance, precisaremos governar consumo de IA, retorno sobre investimento e geração efetiva de valor.

Creio que, felizmente, estamos entrando em uma nova fase da adoção corporativa de IA. A fase inicial foi marcada pelo entusiasmo, o hype desenfreado e projetos direcionados pelo FOMO. A próxima será marcada por disciplina e governança.

Nesse contexto, as empresas que mais capturarão valor não serão aquelas que consumirem mais tokens. Serão aquelas que conseguirem responder, com clareza, a “qual resultado de negócio este token ajudou a gerar?”.

É CEO da Litteris Consulting. Profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70, com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como CIO Magazine, Mundo Java, além do iMasters, e apresenta palestras em eventos e conferências de renome. É autor de sete livros que abordam assuntos como Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado, Cloud Computing e Big data.

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