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Como um LLM lida com linguagem?

Como um LLM lida com linguagem?
Imagem: Cezar Taurion

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Para quem trabalha com tecnologia e utiliza LLMs, surge uma pergunta essencial: como essas ferramentas, que são essencialmente matemáticas, lidam com algo tão complexo quanto a linguagem humana?

A resposta está em uma transformação fundamental. Primeiro, palavras são convertidas em números. Em seguida, esses números são processados. Por fim, são convertidos novamente em palavras. Vamos entender esse fluxo passo a passo.

A ponte entre linguagem e números

Computadores operam com números. Por outro lado, a linguagem humana é simbólica, ambígua e altamente contextual.

Portanto, para que um LLM funcione, é necessário criar uma ponte entre esses dois mundos. Essa ponte permite que o modelo represente linguagem de forma numérica e manipulável.

Tokenização: quebrando o texto em partes

O primeiro passo é a tokenização. Nesse processo, o texto é dividido em unidades menores chamadas tokens.

Em vez de tratar uma frase inteira como um único elemento, o modelo a fragmenta. Por exemplo, a frase “O gato persa é fofo” pode ser dividida em partes menores.

Um token pode ser uma palavra inteira, parte de uma palavra ou até mesmo um símbolo. Além disso, espaços e pontuação também podem ser considerados tokens.

Assim, a frase pode ser representada como: [“O”, ” gato”, ” pers”, “a”, ” é”, ” fofo”].

Mapeamento para IDs: transformando tokens em números

Depois da tokenização, cada token recebe um identificador numérico único.

Esse ID funciona como um índice dentro do vocabulário do modelo. Por exemplo:
“O” → 5
” gato” → 1032
” pers” → 4501

Como resultado, a frase passa a ser representada como uma sequência de números: [5, 1032, 4501, 8, 12, 7890].

Nesse momento, o modelo já consegue manipular os dados numericamente. No entanto, esses números ainda não carregam significado.

Embeddings: adicionando significado aos números

Para resolver isso, entra o conceito de embeddings.

Os embeddings são vetores numéricos densos. Ou seja, listas de números que representam significado em múltiplas dimensões. Cada token possui seu próprio vetor.

Esses vetores capturam relações semânticas e contextuais. Por exemplo, palavras com significados semelhantes terão representações próximas no espaço vetorial.

Assim, o modelo transforma IDs simples em representações ricas e informativas.

Transformer: entendendo o contexto

A sequência de embeddings é então processada pela arquitetura Transformer.

Essa rede neural utiliza mecanismos como self-attention para analisar relações entre os tokens. Dessa forma, cada palavra passa a ser interpretada considerando todo o contexto da frase.

Além disso, o modelo aplica múltiplas camadas de processamento. Em cada uma delas, os vetores são refinados. Como resultado, o modelo constrói representações cada vez mais contextualizadas.

Previsão do próximo token

Depois de processar o contexto, o modelo precisa gerar uma resposta.

Para isso, ele calcula uma distribuição de probabilidade sobre todos os tokens possíveis. Ou seja, ele estima qual token tem maior chance de aparecer em seguida.

Por exemplo, após “O gato persa é”, tokens como “fofo” ou “elegante” recebem alta probabilidade. Já palavras sem relação têm baixa probabilidade.

Decodificação: escolhendo a próxima palavra

A escolha do próximo token depende da estratégia de decodificação.

Entre as principais opções estão:

  • Greedy Decoding: escolhe o token mais provável.
  • Beam Search: mantém várias possibilidades simultaneamente.
  • Sampling: introduz aleatoriedade controlada.

Além disso, o parâmetro de temperatura ajusta o nível de criatividade da resposta.

Geração contínua de texto

Depois de selecionar o token, ele é convertido novamente em palavra. Em seguida, é adicionado ao contexto.

Então, o processo se repete. O modelo gera texto token por token, atualizando continuamente o contexto.

Dessa forma, frases completas são construídas de maneira incremental.

Conclusão: matemática por trás da linguagem

A aparente “inteligência” dos LLMs surge dessa transformação contínua entre linguagem e números.

A tokenização e os embeddings criam a base. O Transformer processa o contexto. E a decodificação transforma probabilidades em palavras.

Portanto, o modelo não “entende” como um humano. Ele opera com probabilidades.

Na prática, isso significa que o LLM não sabe exatamente o que vai gerar. Ele apenas calcula o próximo passo mais provável. Por isso, atribuir inteligência plena a esses sistemas ainda é, em grande parte, uma interpretação exagerada.

É CEO da Litteris Consulting. Profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70, com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como CIO Magazine, Mundo Java, além do iMasters, e apresenta palestras em eventos e conferências de renome. É autor de sete livros que abordam assuntos como Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado, Cloud Computing e Big data.

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