Dev (Back & Front)ARTIGO

JavaScripts e URLs

Eu
gosto da web. É simples, aberta, e acessível. É robusta. É também inerentemente
altruísta; todo link responde, e links são o que mantém tudo junto.

Pessoas
sempre usaram a web de sua própria maneira, e isso é parte do motivo pelo qual
ela é ótima, mas às vezes elas parecem não dar valor à Web pelo que ela
realmente é – e pelo que não é. Algumas pessoas simplesmente não entendem.

Por
anos, um dos sinais que denunciavam o fato desse não entendimento é a utilização do
Flash como um substituto para a Web. Ao entregar Flash em vez de HTTP e
estendendo aos browsers sua execução, é fácil ignorar o fato de que o Flash é
um competidor na Web, não uma parte proprietária dela (ser um competidor não é
uma coisa ruim, mas é o que é). Sites em Flash estão morrendo, parcialmente
graças à Apple, mas uma nova prática ruim está surgindo.

Na
verdade, não é nova. É como se um monte de gente tivesse se reunido e decidido
que o problema com os sites em Flash é a tecnologia, não o uso dela. Tudo que
eu costumava odiar a respeito do Flash está de volta, dessa vez na forma de
JavaScript. Assim como os sites em Flash, existe uma nova espécie de
aplicativos Web que não funcionam muito bem. Talvez seja porque o scroll
funciona como se fosse um super tanque. Talvez seja porque o botão voltar não
funcione direito. Talvez seja porque o browser te fala que terminou, mas você
não vê a página carregada (sim, eu estou te observando, Twitter). 

Eu
acho que todas essas coisas são apenas sintomas. Algumas soluções já existem.
Remy Sharp nos ensina como ativar o botão voltar. Ben Cherry nos dá uma solução
saudável para o histórico do HTML5. Mozilla nos explica como manipular o
histórico do browser
. Google nos dá a solução para fazer com que seus
aplicativos Ajax sejam rastreáveis.

Acho
que Simon Willison foi quem chegou mais perto em descrever o principal
problema
:

A
Web para mim ainda são URLs e HTML. Eu não quero uma Web que só pode ser
compreendida através da utilização de um JavaScript como seu tradutor.

Muitos
outros entraram nesta discussão. A seguir estão alguns posts que me chamaram
atenção:

Pensamentos
sobre o Hashbang

Ben
Cherry analisa o caso de aplicações web versos websites, argumentando que
aquele merece alguma tolerância, porque URLs são o legado dos web sites. Ele
também analisa o caso dos aplicativos web serem mais rápidos, contínuos e
muito melhores. Eu tenho dificuldade em concordar com essa distinção de que os
aplicativos web são melhores. Eu concordo com a afirmação de que o debate deve
ser focado nos méritos desses tipos de aplicativos web e não unicamente no uso
de hashbangs em URLs (esse ainda é um ponto relevante, mas não deve ser o
foco).

Conquistando
a web com Hashbangs

Mike
Davies ressalta muitos problemas dessa nova espécie de aplicativos web, com
foco na sua fragilidade, usando a interrupção do Lifehacker como um exemplo temporal. O conteúdo em cache na web é um pouco mais variável do que ele sugere, mas eu concordo com o seu argumento.

Aderindo ao Postel

Jeremy Keith foca no histórico da Web
em aderir à Lei de Postel (Postel’s Law), que diz que você deve ser conservador no que
você dá e liberal no que você aceita. Essa é uma das razões pela qual a web é
tão robusta, e é um dos princípios fundamentais que estão sendo abandonados
nessa nova espécie de aplicações web.

Links Quebrados

Tim Bray destrincha os detalhes
técnicos dos hashbangs das URLs para qualquer um que gostaria de saber qual o
motivo para tanto auê. Ele também faz uma boa pergunta: “Qual é o próximo
aplicativo web que ninguém ainda construiu e que depende do simples paradigma
link-identifica-uma-fonte, mas que agora nós não vamos mais ver?”

Hash, Bang, Wallop

Ben Ward nos forneceu uma excelente regra que diz
que se o conteúdo do site não carrega através de ondas, ele está quebrado, e
este post oferece um ponto de vista muito mais completo. Eu gosto da sua
descrição de hashbangs de URLs como um roteamento padrão em client-side (isso
é exatamente o que elas são). Devido à sua cuidadosa dissecação de alguns dos
argumentos feitos, este é provavelmente meu post favorito sobre este tópico. Se
você não quiser ler mais nada, leia apenas este.

O que você pensa? Isso é somente mais uma fase
estranha durante o período de uma necessária evolução da web? Se sim, com
certeza terão percalços durante a viagem.

*

Artigo original em inglês por Chris Shiflett,
disponível em http://shiflett.org/blog/2011/feb/javascript-and-urls.

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