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Robótica a um arrastar do mouse

Nos últimos anos, uma febre altamente contagiosa tem se espalhado – febre esta chamada Arduino.

Nos últimos anos, uma febre altamente contagiosa tem se espalhado – febre esta chamada Arduino. Todos a quem mostrei esse pequeno microcontrolador ficaram apaixonados por sua facilidade e potencial, em especial na área de educação e robótica. Por alguma razão, a reação padrão das pessoas ao ouvir “robótica” é imaginar algo de outro mundo, inalcançável sem passar cinco anos em um curso de Engenharia. E não estão assim tão enganados. Antes de o Arduino e o hardware livre decolarem, esse tipo de tecnologia só estava disponível dessa forma – criada por engenheiros para engenheiros utilizando programação de baixo nível complicada e esquemáticos que parecem grego para leigos.

É aí que entra a grande revolução do Arduino – poder criar, educar e experimentar sem tantas barreiras. Na área da educação, principalmente com crianças e adolescentes, isso é um grande ponto a favor da plaquinha italiana. Os mais informados nesse momento podem falar: “calma aí, mas já existia algo assim no âmbito educacional”. Sim. Já existem há muito tempo kits educacionais como os da Lego que oferecem todo um ambiente pronto, esquemático e peças com design pedagógico, mas há um porém, especialmente no Brasil: o preço.

Enquanto há anos na educação particular já existe aplicação de Lego e kits similares em aulas de robótica, seu valor restritivo impedia que se espalhasse. Para se ter uma ideia, um kit de Lego Mindstorms, ou mesmo kits mais simples do mesmo segmento, chega a custar milhares de reais. Em contrapartida, um kit de Arduino custa em torno de R$100. Por um custo entre 10 e 20 vezes menor, é possível experimentar conceitos de robótica, eletrônica e até mesmo criar aulas envolvendo física, química, matemática e o que mais a criatividade do professor permitir.

Fui apresentado a esse incrível microcontrolador pela Prof.ª Marisa Cavalcante na PUC-SP, em uma de suas disciplinas de Física para o curso de Ciência da Computação. Em pouco tempo, me uni a um grupo de pessoas excepcionais chamado GoPEF (Grupo de Pesquisa em Ensino de Física da PUC-SP) e Gedutec Educacional (http://gedutec.com.br), liderado pela própria Marisa e também por Elio Molisani e Cristina Tavolaro, que me ensinaram muitas coisas e ofereceram essa grande oportunidade de os ter como colegas de trabalho, dando capacitação para professores do ensino público na EFAP (Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores) que irão utilizar Scratch4Arduino em suas aulas nas escolas públicas de ensino de tempo integral. É uma revolução na robótica educacional, não mais tão distante daqueles que estudam no ensino público.

Scratch4Arduino (Abreviado “S4A” – disponível em http://s4a.cat) nasceu de uma ferramenta de ensino chamada Scratch, criada pelo MIT em que se programa arrastando imagens e palavras que se conectam criando um software, e é possível integrar essa programação visual ao hardware livre com essa versão do Scratch dedicada ao Arduino, desenvolvida na Espanha pela Citilab. Há uma versão em português no site oficial do S4A, traduzida por mim mesmo e apoiada pelos criadores do software.

Ensinar utilizando essa ferramenta é sensacional, pois mesmo os mais céticos logo entram em êxtase ao conseguir controlar facilmente os objetos na tela, criar histórias e emitir sons – tudo isso controlado por um simples código em português (ou em outra língua selecionada na interface do S4A). A brincadeira se torna mais interessante ainda quando se entra na história LEDs, sensores de luminosidade e até mesmo relês controlando iluminação e eletroeletrônicos.

Além da brincadeira na tela do computador, são naturalmente reforçados conceitos de física que sem esse estímulo encontrariam resistência de aprendizagem. Dos mais novos a professores com doutorado, a reação é a mesma: querem mais, ficam contaminados com o potencial da plaquinha.

Há um futuro animador na robótica e na eletrônica educacional no Brasil com o advento do Arduino e de ferramentas como o S4A. Até poucos anos atrás, não se imaginava que poderíamos ensinar os alunos a montar e a movimentar um robô arrastando imagens e palavras na tela de um computador e em seguida poderíamos guiá-los a prototipar e a aprimorar suas experiências de forma tão simples e sem custos elevados.

é professor de robótica, especializado em hardware livre e sócio do Garoa Hacker Clube. É integrante do projeto aTransporta, de acessibilidade para deficientes visuais no transporte público, utilizando hardware livre - www.atransporta.com. Site pessoal: www.rafaelme.com

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