DevSecOps

16 ago, 2012

O fim da era dos plugins

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Quando os browsers começaram a aparecer, em 1990, não eram capazes de reproduzir nenhum tipo de mídia, exceto texto. A possibilidade de inserção de imagens foi um marco importantíssimo, e o GIF animado reinou muito tempo como a mais incrível possibilidade criativa da Web.

Arquivos de áudio e vídeo podiam ser oferecidos em links para serem “baixados” e reproduzidos pelos players nativos dos sistemas operacionais (nada de rodar no browser) e, além disso, as limitações de acesso e de largura de banda contribuíam para tornar essas experiências nada ricas do ponto de vista do usuário. Certamente não incluímos aqui o uso, hoje considerado bizarro, de sons de fundo em formato MIDI.

Essa limitação, aceita com naturalidade por algum tempo, começou a ser seriamente questionada quando começou a democratização do acesso, a melhoria de banda e o crescimento da Internet como canal de negócios. Por que não incorporar sons, vídeo e interatividade à navegação? A resposta viria com os plugins…

Em 1995, a RealNetworks lança seu player (reprodutor) de áudio, o RealAudio, que permitia a reprodução de arquivos sonoros em seus formato proprietários: RA e RAM.

Impossível não falar em plugins e player multimídia sem citar Macromedia e Shockwave. Desenvolvido para o browser Netscape, o Shockwave Player, em 1995, possibilitava a distribuição de animações e conteúdo interativo desenvolvido com o software Macromedia Director para visualização no browser.

O RealVideo, que viria em 1997, permitia o streaming de vídeos compatíveis com o padrão H263. Mais tarde, RealAudio e RealVideo se fundiriam no RealPlayer.

Nascido na Macromedia, em 1997, e incorporado pela Adobe, em 2005, o Flash Player foi uma revolução na distribuição de conteúdo multimídia na Web. Nascido para exibir animações vetoriais, o formato SWF (Shockwave Flash) em pouco tempo tornou-se referência na criação de aplicações ricas para Internet (RIA) e para demandas que envolvessem jogos, streaming de vídeo e áudio e interfaces gráficas interativas.

A Apple, com o QuickTime, e a Microsoft, com o SilverLight, também aventuraram-se no universo dos plugins Web, mas sem o mesmo sucesso do Flash Player.

O crescimento assustador do universo Mobile e o movimento das empresas na busca por soluções abertas e nativas dos browsers marcam o declínio da era dos plugins.

Ah! Sempre importante relembrar: Não, não foi o Steve Jobs que matou o Flash. Assim como toda tecnologia, o Flash Player está cumprindo o seu saudável ciclo de vida, no qual novas soluções nascem, crescem, amadurecem, mesclam-se com as já existentes e um dia acabam sendo substituídas.

Com o amadurecimento do HTML5, começamos a nos distanciar cada vez mais desse universo formado por elementos como <applet>, <embed> e <object>, necessários para incorporar funcionalidades multimídia aos browsers. Assim, nos aproximamos de uma nova era; a era da multimídia nativa, na qual plugins não são mais necessários e o carregamento, o processamento e o controle passam a depender do browser, e não mais de soluções proprietárias de terceiros.

Isso não significa que softwares gráficos de criação e produção multimídia interativa, como o Flash, irão desaparecer. Pelo contrário; evoluirão. Cada vez mais, o mercado demandará por novas ferramentas de autoração baseadas em padrões abertos que oferecem soluções compatíveis com a evolução das linguagens de marcação, de estilo e de comportamento.

Ganhamos velocidade e acessibilidade. Ganhamos uma Web aberta, ubíqua e semântica: The Open Web Platform.