DevSecOpsARTIGO

O capital humano em TI para além do recrutamento e seleção

Em época de aquecimento do mercado de TI, as práticas dos gestores
de pessoas acabam ficando mais focadas em mapeamento, recrutamento e seleção.
Isso se dá, pois a urgência na contratação e a escassez de profissionais
qualificados fazem com que o preenchimento das posições se torne o principal
objetivo. Afinal, sem uma equipe montada (seja ela excepcionalmente boa ou
apenas “mediana”, não há o que se possa fazer em termos produtivos).

De fato, as atividades correntes de recrutamento e seleção, tal como
descritas acima, são processos de suma importância para que ocorra a
prosperidade – ou mesmo o funcionamento – da empresa.

Contudo, numa perspectiva de eficiência máxima em capital humano, que é o que
se deve buscar sempre, essas tarefas básicas do RH devem procurar sua agregação
às novas metodologias de gestão do conhecimento e de retenção de talentos. Com
esse atrelamento, aí sim, é possível que o RH se consolide como uma 
ferramenta de composição e de complementação eficaz do time (ou do repositório de
capacidades e  talentos, que é um importantíssimo ativo da empresa
de TI), e não como um departamento encarregado na mera reposição ou contratação
de empregados.

A visão de um especialista em RH focado em TI deve ser mais crítica e
preventiva do que na média dos demais setores. Ele deve levar em conta, por
exemplo, que o custo da reposição de um bom colaborador em tecnologia é, em
geral, muito mais alto do que mantê-lo satisfeito na equipe.

Sendo assim, o RH do segmento deve oferecer aos gestores da empresa uma visão
ampla em relação à sua atitude com a equipe de TI. É preciso que líderes e
coordenadores sejam construtores do significado real do trabalho que
desempenham e passem isso de forma clara para sua equipe. Afinal,
desenvolver software e soluções significa construir conhecimento
multidisciplinar, o que requer alto entrosamento e colaboração. 

Da mesma forma, é preciso haver uma clara interlocução entre a equipe
empresarial e seus clientes (considerando-se as multiplicidades de aptidões,
personalidades e anseios de ambos os lados). Assim, é importante que a empresa
entenda exatamente quais são as expectativas dos seus clientes (tanto em
relação ao produto quanto em relação aos fornecedores) para que tais
expectativas se convertam em ações claras e objetivas da equipe.

Para tanto, cada colaborador envolvido em um projeto necessita entender com
clareza seu nível de importância para a organização e assimilar o significado
real de seu trabalho, fazendo com que a utopia chamada “satisfação pessoal”
torne-se realidade no ambiente corporativo.

Essas premissas, que valem para todos os segmentos, são especialmente
importantes quando lidamos com uma área como a de TI, na qual a criatividade e o
conhecimento pessoal atingem valores bem mais importantes que na média.

Além disso, pode-se afirmar que, quando as
pessoas encontram significado naquilo que fazem, ficam mais propensas a
permanecer em seus empregos e a ser mais produtivas. Os clientes, por sua
vez,  tornam-se fiéis, e a organização é vista com bons olhos pelo
mercado. Equilíbrio na equipe é sinal de empresa saudável e ética nos relacionamentos. Atualmente, esse é um valor que começa a se destacar
entre os mais requisitados nas organizações.

Basicamente, o pensamento de uma empresa que se preocupa com sua permanência no
mercado – especialmente em nossa disputada área de TI –  deve ir além da
necessidade de crescimento e alta demanda de trabalho. A formação de uma equipe
sólida e de rendimento satisfatório inicia-se com o processo de recrutamento e
seleção, mas fortifica-se com a prática de retenção de pessoas e, para que isso
aconteça, elas devem sentir-se parte integrante e responsável pelo crescimento
e conquistas do grupo no qual trabalham.

é diretora de RH da MD2.

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