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Modelos de Serviços para o uso de MPLS TE

Olá, pessoal. Estive ausente por um tempo, correria, mudanças de emprego, etc…, mas vou continuar com o tópico MPLS que ainda tem muito assunto pra ser falado.

Modelos de Serviços para o uso de MPLS TE

A implementação de MPLS TE pode ser categorizada em três abordagens:

· Tática.

· Estratégica.

· Tratamento de Falhas.

Numa mesma rede pode-se optar por uma, duas ou as três implementações simultâneas. São descritas a seguir.

Uso Tático

A abordagem Tática se caracteriza pela ativação ocasional de túneis TE para encaminhar o tráfego por

caminhos que o protocolo IGP não utilizaria.

Exemplos de uso:

· O tráfego pode ser desviado de um caminho que está congestionado devido à falha de um circuito.

· Ou o tráfego pode ser desviado devido ao aumento ocasional do tráfego resultante da transmissão de um evento via vídeo stream por algum provedor de conteúdo.

· Ou o tráfego pode ser desviado da escolha normal do IGP para garantir que balanceamento entre caminhos físicos diferentes seja assegurado. Esta implementação é denominada Path Diversity.

Uso Estratégico

Considerada como uma progressão lógica da abordagem tática, a abordagem estratégica é caracterizada pela ativação de túneis MPLS TE entre os roteadores de uma determinada hierarquia da RMS como, por exemplo, entre os roteadores do Core.

A banda entre os túneis é alterada periodicamente de acordo com a demanda de tráfego existente entre

os roteadores. A banda demandada é monitorada através do tráfego existente no túnel que pode ser obtido através das ferramentas de gerenciamento ou através comando show interface tunnel

A abordagem estratégica tem algumas vantagens em relação à tática. A ativação de túneis MPLS TE em Full-Mesh permite utilizar mais eficientemente a banda disponível e, além disso, não é necessário

se preocupar constantemente com a definição dos túneis TE.

Após matriz de tráfego (carga, aplicação e interesse de/para) levantada e planilhada e identificados

eventuais pontos de congestionamento (Hot Spots), constroem-se túneis com os ajustes de bandas e

balanceamento (se necessário) conforme descritos nas seção anteriores.

Tratamento de Falhas

A abordagem de Tratamento de Falhas se caracteriza pela ativação de túneis backup e principal com o intuito de diminuir o tempo de convergência, em situações de falhas, dos serviços oferecidos aos clientes.

Vale ressaltar que as três abordagens podem ser utilizadas simultaneamente numa implementação de MPLS TE. O fundamental para uma decisão correta de qual(is) abordagem(ns) utilizar é:

· Se trata de Engenharia de Tráfego, então as abordagens não são ferramentas pontuais e que resolvem/tratam problemas momentâneos. Pelo contrário, exigem medição prévia da carga atual dos circuitos e planejamento de previsibilidade de cargas futuras. Logo, as ferramentas de gerência de tráfego na rede são fundamentais para o levantamento da matriz de tráfego (carga, aplicação e interesse de/para) para o melhor e apropriado desenho na rede MPLS.

MPLS TE é ferramenta sistêmica que tende a tratar/resolver problemas sistêmicos, não pontuais e não momentâneos. Um túnel TE pode até ser ativado para resolver problema de congestionamento temporário, porém para seu preciso setup de configuração é necessário conhecer o histórico de carga (matriz de tráfego) da rede.

· MPLS TE no tocante ao tratamento de carga de tráfego não é QoS. MPLS TE assegura que o Plano de Controle (tabela de rotas) convirja para que o Plano de Dados dos roteadores use caminhos não previstos/escolhidos normalmente pelo IGP. QoS, por outro lado, atua no Plano de Dados ofertando preferência para perfis (classes) de tráfegos diferentes, priorizando uns em relação aos outros. A integração do MPLS TE com o QoS pode ser usada para compatibilizar o suporte dos requisitos de QoS – presentes nos SLAs das aplicações críticas

dos usuários de VPN, VoIP, Vídeo etc – com aproveitamento ótimo do bandwidth disponível na RMS.

· Uma nova aplicação MPLS TE trará mais complexidade na operação e troubleshooting da rede. Logo, a equipe de Operação do provedor deve deter o conhecimento necessário. Já existem funcionalidades que podem trazer para a rede incremento na velocidade de convergência sem a necessidade de MPLS TE FRR (Fast Reroute), caso tais funcionalidades promovam os tempos de convergências necessários e adequados.

Enfim, as abordagens Tática e Estratégica concorrem para uso mais eficaz dos recursos (melhor utilização da banda de circuitos e roteadores porventura subutilizados) na rede enquanto que a abordagem Tratamento de Falhas opera para ofertar tempos de convergência do roteamento bastante agressivos na proteção.

Considerações sobre Gerenciamento

À medida que forem implementados os túneis MPLS TE em grande escala, a demanda de serviços necessários exigirá agilidade no aprovisionamento e na determinação de problemas. Esta agilidade poderá ser obtida através de uma equipe bem treinada e consciente da tecnologia utilizada, operando com o uso de um conjunto de processos bem definidos, apoiados por uma ferramenta de automatização capaz de prover grande parte da inteligência necessária a esses processos.

A utilização de um sistema com funcionalidades de aprovisionamento, simulação e monitoração permitiria automatizar as funções de engenharia de tráfego de forma a minimizar os esforços manuais necessários para o controle e análise operacional da rede. Esta automatização facilitaria a implementação de túneis em larga escala e a tomada de decisões com relação ao aprovisionamento de túneis principais e túneis de backup.

Designer de Soluções na Deutsche Telekom - Inteligência Artificial (IA) - Cisco CCIE 🌐 Especialista em Redes e Telecomunicações, Palestrante e Educador na Era Digital. Escritor!!

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