No primeiro artigo, falei um pouco sobre o Solidworks e sua praticidade no dia a dia de fábricas e escritórios de design.
Expliquei que a velocidade é um dos motivos principais para o uso de uma ferramenta desse tipo no ambiente de trabalho.
Mas a velocidade a que me refiro não está diretamente relacionada à produção, mas ao projeto em si. Na verdade, se refere ao caminho que esse projeto percorre dentro de uma fábrica ou escritório de design. Esse caminho pode ser resumido em alguns passos:
01 – O Briefing
É uma definição das solicitações de um cliente quando é o caso. Mais comum dentro de escritórios de design, onde temos cliente e prestador de serviços. Em muitos casos, o que é definido no briefing fica registrado num contrato de prestação de serviços.
02 – Geração de conceito
Essa etapa se confunde com a anterior em alguns momentos, pois quando a empresa é de produção própria, o briefing pode surgir de uma conversa já direcionada como o conceito de um novo produto, que por sua vez pode seguir uma solicitação do mercado (generalizando assim o conceito de cliente), ou surgir de uma idéia pela área de desenvolvimento da empresa.
03 – Pesquisa
A pesquisa é uma forma de tentar criar algo original, buscando referências de soluções técnicas em outros produtos, e essa etapa pode começar assim que é definido o Briefing e durar até o fim do projeto, buscando soluções para viabilizar o projeto.
04 – Geração de Alternativas
É a hora de viajar e procurar uma forma que atenda melhor a solicitação, usando esboços e croquis, até mesmo rendering. Nem sempre é fácil, às vezes é rápido, dependendo da solicitação do cliente ou da situação. Se resume a chegar na forma inicial do produto.
05 – Detalhamento e prototipagem
É onde caímos na real. Ouvi falar uma vez: “no papel cabe tudo, na vida real a história é outra”. Nem sempre dá para transferir tudo do papel para a vida real. Existem problemas, às vezes conseguimos inserir muita coisa para descobrir que a peça não ficou com a forma desejada, ou tem problemas de estabilidade. Ou seja, hora de mudanças. Por isso é bom que, na etapa geração de alternativas, a viagem seja de certa forma com um pé no chão, para não termos trabalho em dobro depois.
06 – Adequação à produção
São as mudanças propriamente ditas para que o produto seja fabricado sem problemas. Existem ferramentas hoje em dia para quem trabalha com injeção de plásticos por exemplo. Para se ter uma peça piloto, o processo se chama Sinterização ou prototipagem rápida. Evita que o empresário gaste muito dinheiro em um molde para descobrir que a peça não ficou boa. Já em empresas que trabalham com mobiliário por exemplo, é necessário realmente fabricar uma peça e a partir dela fazer quantas alterações forem necessárias.
07 – Linha de produção
É quando o produto está completamente inserido na produção e também no mercado.
A parte mais crítica de todo esse processo está no Detalhamento e Prototipagem. É onde entram os processos de fabricação. E onde se gasta mais dinheiro com produção, e onde cada erro conta muito, pois vai gerar provavelmente um novo protótipo. A inserção de ferramentas 3D nesse momento tem muita importância, pois auxilia na visualização do conjunto ou até mesmo de componentes e materiais.
Eu acredito que essas ferramentas devem ser inseridas ainda durante a geração de alternativas, numa forma de estudo de forma e um preparo para o estudo de viabilidade fabril. É claro que a maior característica da geração de alternativa é a liberdade de pensamento, de idéias soltas no papel sem compromisso inicial com a viabilidade; tanto que a técnica criativa mais famosa é o Brainstorming (onde a intenção é exatamente despejar as mais idéias sobre o papel, sem preocupação). Portanto, não acho que o 3D deve substituir a criatividade do papel. Mas sim auxiliar num momento em que a peça caminha para o chão de fábrica.
Um rendering bem feito pode acrescentar muito ao desenvolvimento de um novo produto. Seja ele manual ou com auxílio de softwares. É claro que nesse artigo estou abordando a praticidade, portanto falaremos sobre software, devido às facilidades de modificações. Dependendo da habilidade do designer ou engenheiro ou simplesmente do operador com os dois softwares (modelagem e rendering), podem-se obter resultados muito bons, como uma análise de proporção, estudo de cores e até mesmo dos materiais a serem usados no produto.
O Solidworks apresenta um relacionamento excelente com outros softwares. Os modelos podem ser convertidos para pdf, cad, 3dmax, softwares que lidam com corte a laser de chapas e até para formatos de sinterização. Sem contar que não é necessário ter o programa instalado para se visualizar o produto. A propria Solidworks (a empresa) possui um software gratuito chamado E-drawings que simula o ambiente do Solidworks e permite que vejamos a peça em 3D, podendo girá-la com possibilidade de corte, supressão de peças e de fazer anotações. Assim fica mais fácil para o cliente visualizar a peça ainda em desenvolvimento e também dar sugestões para a mudança. É claro que esse arquivo não pode ser editado. É apenas uma representação da peça original.
Abaixo apresento alguns exemplos de trabalhos com soliworks.
O relógio é um exercício de modelagem de uma montagem de um aluno. A idéia não era modelar todo o relógio, apenas exercitar algumas ferramentas, partindo de um objeto já existente.
Rendering do relógio
O estabilizador também foi modelado por um aluno, também tomando como referência uma peça existente. A idéia era construir uma montagem a partir de um sólido. Um recurso que uso muito no solidworks hoje em dia. É possível dividir uma massa em duas ou mais peças possibilitando seguir um caminho diferente para cada componente. E no final montamos o conjunto. O interessante é que para se alterar algum detalhe do objeto (dependendo é claro da modificação) modificamos o bloco inicial que representa a massa do objeto e essas modificações se refletem diretamente nos componentes gerados.
A primeira imagem mostra o bloco propriamente dito.
Massa do estabilizador
A segunda imagem mostra a montagem com duas peças distintas originadas do bloco
Montagem do estabilizador
A terceira imagem apresenta a renderização da peça no que seria a apresentação do produto ao cliente.
Rendering do estabilizador
A grelha foi modelada por mim para esse artigo, mas apesar de simples para ser feita demorou para chegar numa forma agradável. O que ressalta a importancia de poder rever o que foi feito, fazendo alterações no momento em que for necessário.
Grelha no solidworks
Rendering da grelha
A mesa é um projeto pessoal também. A montagem dela no solidworks foi apresentada no primeiro artigo, e mostrá-la renderizada serve como exemplo de como é possível fazer um estudo de materiais e cores usando a interação dos dois softwares.
Mesa
Um grande abraço a todos e fiquem com Deus!



