Desenvolvimento

1 fev, 2016

Lidando com o estresse de programadores

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Uma situação muito comum em projetos de software nos quais as coisas não vão bem: programadores estressados e com atitudes agressivas. Neste artigo, vou falar um pouco sobre como lidar com esse comportamento nocivo para projetos de software.

Figura2_ProgramadorNervoso

Durante a minha carreira, já tive a oportunidade de participar de alguns projetos de software nos quais, infelizmente, o andamento não saiu como o planejado. Nessas situações, é relativamente comum encontrar os membros do projeto passando por situações em que o comportamento emocional é de fúria, raiva, nervosismo e estresse. Neste artigo, não proponho uma fórmula mágica para acabar com isso, mas vou comentar algumas ações que podem ser feitas para tentar ajudar a minimizar os danos que podem ser causados por reações emocionais extremas como as citadas neste parágrafo.

Figura3_OrigemStress

Acredito que o primeiro ponto é procurar entender a causa do estresse. Isso pode estar ligado a algo pontual que aconteceu, como uma falha de hardware, software, um fornecedor que prestou um serviço ruim, ou a diversas situações que vêm sendo acumuladas durante o projeto, fazendo com que um problema atual seja a famosa gota d’água que fez o “copo transbordar”. Saber como as coisas chegaram ao ponto de gerar estresse é importante para conseguir lidar com ele. Obviamente, tratar a causa direta é bem mais complicado e depende muito de todos os envolvidos diretamente na situação.

Quando um programador está nitidamente estressado ao ponto de a situação comprometer seu desempenho, a melhor coisa que pode ser feita é afastá-lo de suas funções. Isso é muito bonito na teoria, mas na prática isso raramente pode ser feito devido a prazos, falta de gente na equipe, conhecimento acumulado em uma só pessoa e outras características tão comuns em projetos de software.

Figura4_OfficeSpace

Nesses casos, é necessária uma avaliação mais objetiva de um gerente de projeto ou outro líder para ver se o nível emocional do profissional pode ser ou não tolerado no momento, sem que isso gere problemas no futuro, como boicote, motim, fraudes ou até comportamentos agressivos que podem levar a violência (física ou psicológica). Aqui atribuo a responsabilidade do comportamento emocional e profissional diretamente ao líder ou superior do programador estressado: faz parte das atribuições de um líder cuidar do estado emocional dos membros da sua equipe caso tal estado esteja influenciando negativamente o projeto.

Normalmente, as causas de estresse são opiniões diferentes, descontentamento com andamento do projeto e o mais importante de todos: problemas de relacionamento com pessoas, sejam gerentes, clientes, patrocinadores ou até membros da equipe. Na maioria das vezes, não é sobre quem está certo versus que está errado, mas sim quais e como certas decisões foram tomadas e suas implicações na parte tecnológica, gerencial e até mercadológica do software.

Figura5_Wac-a-mole

Quando fui pesquisar um pouco o assunto de estresse, notei que existe uma recomendação paliativa bacana que pode ajudar quem está muito nervoso, cansado e até com raiva: o gasto de energia. Novamente, isso não é uma fórmula mágica para resolver os problemas, mas ao menos pode fazer com que a pessoa reduza um pouco seu nível de nervosismo e se acalme. É importante destacar que nem todos podem ser a favor ou mesmo gostar desse tipo de sugestão para aliviar o estresse.

Isso quer dizer que investir em algo para esgotar fisicamente quem está sob estresse pode ser benéfico, mas não em todos os casos. O mecanismo aqui é facilitar uma válvula de escape antes que a pessoa “exploda” e acabe descontando toda sua raiva em algo que pode gerar sérias consequências no futuro.

Por exemplo, muitas empresas possuem áreas de recreação com brinquedos que forçam o gasto de energia e que podem aliviar o estresse. Destaco aqui exemplos como saco de areia para treinamento de boxe, pula-pula para adultos, a famosa máquina com cesta de basquete (muito comum em shoppings), brinquedos tipo whac-a-mole e outras atividades físicas e individuais que façam a pessoa realmente gastar energia sozinha.

Figura7_ConcentradoLivro

Há também atividades mentais e cognitivas, tais como obras de arte (literatura, cinema, música) escapistas, porém em geral elas não são tão efetivas para afastar o estresse e o nervosismo temporário. Talvez elas possam até ajudar no curto prazo para “colocar a cabeça no lugar”. Contudo, o foco delas é no entretenimento em vez de esvaziar a energia da pessoa que está passando por muito estresse, e sua efetividade é limitada a perfis de profissionais introvertidos.

Figura8_Briga

Para concluir, é fato que várias situações vão gerar (e estão gerando neste momento!) estresse em programadores durante projetos de software. Cada pessoa reage de forma emocionalmente diferente, mas, independentemente de cada caso, é preciso acompanhar os níveis de estresse e tomar atitudes para que o estado emocional não escale para ações que podem levar à violência e outros comportamentos extremos.