DevSecOpsARTIGO

Software as a Service sem Formal IT

O modelo de Cloud Computing é bem recente, com o próprio termo sendo criado há relativamente poucos anos, mais precisamente em 2006. A velocidade de sua adoção será regulada pelas próprias forças de mercado. De um lado, usuários – que estão cada vez mais propensos a reduzir seus custos e melhorar a utilização do seu parque computacional -, vêem a computação em nuvem como a melhor alternativa para isso.

Os impulsionadores da tecnologia são bastante atrativos para serem menosprezados, como redução dos investimentos em capital (as empresas estão favorecendo cada vez mais o OpEx contra o CapEx), modelo “pay-as-you-go” ou “subscription-based” (típico do SaaS), elasticidade (infraestrutura alinhada com a flutuação da demanda) e maior agilidade na entrega de serviços de TI.

De outro lado, agindo de forma mais conservadora, os tradicionais fornecedores de TI – que receiam ver suas atuais margens sendo reduzidas. Por exemplo, a margem dos fornecedores de SaaS é bem menor que as margens conseguidas atualmente com o modelo tradicional de licenciamento de software on-premise. Também as margens do “storage online” são bem menores que as obtidas com a venda de sistemas físicos de armazenamento.

Em princípio, vemos que os mais interessados em adotar Cloud Computing são pequenas empresas e start-ups sem sistemas legados. As grandes corporações tendem a ficar em espera, observando o cenário, mas fazendo algumas experiências e provas de conceito. Mas já vemos alguns sinais de mudança no ar, vindo destas grandes corporações.

Por exemplo, a Panasonic assinou com a IBM (Lotus Live) um contrato para colocar em nuvem seu ambiente de colaboração e email para seus 380 mil funcionários no mundo todo. Em outro exemplo, a cidade de Los Angeles, nos EUA, contratou o Google para colocar em nuvem o email dos seus 34 mil funcionários. Esses movimentos sinalizam que não são apenas pequenas empresas que estão mergulhando na onda do Cloud Computing. À medida que outras grandes empresas embarquem nesse trem, e mais e mais experiências positivas sejam divulgadas, o ritmo tenderá a se acelerar de forma exponencial.

Quando falamos em provedores dos vários serviços em nuvem, como IaaS, PaaS e SaaS, vemos diferentes doses de entusiasmo. Por exemplo, ao falar em IaaS, temos os “pure play”, como as empresas da Internet como Amazon e Google, que aproveitam seu imenso parque computacional, já gerenciado em nuvem, para prover parte dessa capacidade para clientes externos e, portanto, ansiosos para disseminar o conceito. Mas também temos os provedores de outsourcing, que buscam atualizar seu portfólio de ofertas, mas tentando encontrar o ponto de equilíbrio, para não canibalizar suas ofertas atuais.

Em software vemos esse mesmo cenário. Os primeiros provedores de SaaS foram empresas criadas com esse objetivo, como a Salesforce, enquanto os fornecedores tradicionais ficaram à espera para ver o que ia dar. A IBM é um caso peculiar. É uma empresa que atua no mercado tradicional de TI, obtendo receitas imensas com outsourcing, venda de hardware e licenciamento de software on-premise, mas que consegue, apesar de seu imenso tamanho (mais de 400 mil funcionários no mundo todo), agir com rapidez e se colocar como forte player em novos segmentos. Está sendo assim com Cloud Computing.

Sugestão: acompanhem de perto as estratégias e ofertas de Cloud Computing da IBM.

Na minha opinião, o que veremos nos próximos anos será a operação conjunta dos modelos atuais e o de cloud computing, uma vez que será praticamente impossível uma grande corporação mergulhar de cabeça em uma mudança estilo Big-Bang. Veremos nuvens híbridas, com parte de aplicações e infraestrutura operando em nuvens privadas e parte em nuvens públicas, e mesmo alguns servidores e aplicações sendo ainda operados da forma tradicional.

Como se preparar para este novo tsunami? O SaaS, por exemplo, oferece uma liberdade muito grande aos gestores de linhas de negócio que estejam insatisfeitos com os tempos de entrega do setor de TI de suas empresas. Com simples pesquisas aos “application markets”, como o AppExchange da Salesforce, e mesmo com o desenvolvimento de aplicações mashup, que não demandam pós-graduados para serem escritas, podem, com muita rapidez terem seus anseios satisfeitos. Bypassando a área de TI.

Mas existe um risco incubado. A adoção livre e irrestrita de soluções em SaaS pode gerar problemas de integração com sistemas legados e mesmo entre si. O que fazer? Impedir adoção de aplicações SaaS? Nem pensar. O setor de TI não conseguiu segurar a onda do modelo cliente-servidor, que começou nas áreas usuárias e só depois é que foi relutantemente aceito (o mesmo aconteceu com as aplicações web), e não terá cacife para segurar o fortíssimo apelo do modelo Cloud e SaaS.

A sugestão é criar um modelo de governança que permita gerenciar de forma eficaz as iniciativas de aquisição e gestão de cloud computing, sejam IaaS ou SaaS, que inevitavelmente se espalharão pela organização. O preço de não fazer isso será um TCO mais alto. Haverá um alto risco de milhares de usuários acessando diversas nuvens publicas diferentes com os inevitáveis problemas de integração e eventuais quebras dos protocolos de segurança e auditoria da empresa.

Portanto, as áreas de TI não devem ficar à margem do Cloud Computing. Devem criar políticas de governança de Cloud Computing, explicitando os procedimentos de seleção, aquisição e utilização. Ficar à espera significa deixar uma bomba relógio ser armada, pois mais cedo ou mais tarde os problemas cairão no seu colo. É muito mais inteligente prevenir que remediar a situação.

É CEO da Litteris Consulting. Profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70, com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como CIO Magazine, Mundo Java, além do iMasters, e apresenta palestras em eventos e conferências de renome. É autor de sete livros que abordam assuntos como Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado, Cloud Computing e Big data.

Ver perfil