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Política Cloud First do governo americano sinaliza potencial da computação em nuvem

Recentemente li com atenção o documento Federal Cloud Computing Strategy publicado em fevereiro deste ano pelo CIO do governo americano.
O documento, embora apresente uma visão macro, serve de orientação para órgãos de governo de quaisquer países, inclusive o Brasil e como tal pode ser visto como um roteiro de implementação de cloud computing por órgãos governamentais (de qualquer esfera) e empresas privadas.

Segundo o documento, o setor de TI do governo americano é caracterizado por baixa utilização de seus ativos, sistemas duplicados, fragmentação na demanda de recursos, ambientes diversos e de difícil gerenciamento, etc. Na minha opinião a mesma situação ocorre em praticamente todas organizações complexas, como órgãos de governo e empresas privadas de grande porte.

O documento mostra também que do budget de 80 bilhões de dólares/ano, pelo menos 25% ou 20 bilhões podem ser alvo potencial de deslocamento para o modelo de cloud computing.

Modelos, benefícios e riscos

A estratégia adotada pelo governo americano é chamada de Cloud First Policy, ou seja, a primeira opção é o modelo em nuvem e apenas se o modelo não for adequado. A implementação de um novo sistema só pode ocorrer se for no atual modelo computacional.

Um trecho do texto oficial do governo explicita claramente:

Jeffrey Zients, secretário chefe de performance do governo federal, anunciou (…) que o
Escritório de Gerência e Orçamento irá requerer às agências federais
que utilizem soluções baseadas em nuvem se estas opções existirem e
forem seguras, confiáveis e com custo-benefício equiparado.

Na minha opinião é um significativo aval quanto à potencialidade e aplicação da computação em nuvem.

O documento analisa os benefícios e os riscos potenciais do ambiente de computação em nuvem e utiliza a definição de Cloud Computing do National Institute of Standards and Technology (NIST):

Cloud Computing é um modelo que habilita rede de acesso de forma conveniente e sob demana a um ambiente compartilhado de recursos
computacionais configurados (por exemplo redes, servidores,
armazenamento, aplicações e serviços) que podem prover rapidamente e
distribuir tais informações com o mínimo de esforço gerencial ou
interação do provedor de serviços.

O NIST também define os modelos de service como IaaS, PaaS e SaaS, e os modelos de entrega como private, community, public e hybrid. Para ter mais informações, é só conferir o documento do NIST.

Migração e implementação na prática

Um capítulo interessante é o Decision Framework for Cloud Migration, que aborda o processo de migração em três etapas:

  1. Select: Identifica que serviços podem ser transferidos para cloud computing e quando podem ser movidos. Passa pela determinação do que ele chama de cloud readiness ou seja, qual o grau de preparação que o órgão ou empresa se encontra para migrar para cloud;
  2. Provision: Busca garantir critérios de interoperabilidade entre aplicações e serviços nas nuvens com os que continuam on-premise, bem como contratos e acordos de nivel de serviço com os provedores de nuvem; e
  3. Management: São as recomendações de monitoração e gestão das nuvens. Um ponto importante é a recomendação de reavaliação periódica dos provedores.

Outro capítulo que chama atenção é o que lista exemplos bem sucedidos de implementação de cloud em órgãos de governo. Infelizmente não são muitos, mas mostra o potencial de uso da computação em nuvem. Aliás, o governo americano criou recentemente um ambiente de aplicativos mais ou menos como a AppStore chamado de Apps.gov, onde os órgãos do governo podem obter recursos em cloud, de IaaS a SaaS.

Abordando cloud para órgãos do governo e empresas privadas

Na prática o documento, embora não entre em detalhes, é um bom modelo que orienta órgãos de governo e empresas privadas no processo de adoção de cloud. Um ponto que chama atenção é a abordagem de cloud, não se prendendo apenas a redução de custos, mas como plataforma que impulsiona agilidade e inovação no setor público.

Claro que redução de custos é importante, tanto que cloud faz parte da estratégia de consolidação dos 2.100 data centers do governo americano. Mas, na minha opinião, uma abordagem focada em redução de custos induz naturalmente aos executivos a olharem TI como commodity, assim como o jornalista Nicholas Carr definiu em seu instigante livro “Does IT Matter?”.

Olhando cloud como plataforma para inovação, nossa leitura é que embora certos aspectos de TI sejam comoditizados (infraestrutura, por exemplo), existe ainda muito espaço para inovação que será potencializada pelo ambiente em nuvem.

Uma ferramenta de apoio para os CIOS

Outro aspecto legal do documento é que embora seu público alvo sejam os CIOs, ele pode ser usado pelos próprios CIOs como ferramenta de apoio no convencimento dos demais executivos a adotarem cloud como estratégia de TI da empresa.

O documento não entra em detalhes de como, por exemplo, identificar quais as aplicações mais adequadas para migrarem para nuvem, que poderá demandar algum apoio externo (consultoria), mas é um primeiro e importante passo na jornada em direção à computação em nuvem.

Entretanto o governo americano, através do NIST, deverá publicar até o fim deste ano um documento denominado Cloud Computing Technology Roadmap que abordará os aspectos técnicos em maior profundidade.

É CEO da Litteris Consulting. Profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70, com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como CIO Magazine, Mundo Java, além do iMasters, e apresenta palestras em eventos e conferências de renome. É autor de sete livros que abordam assuntos como Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado, Cloud Computing e Big data.

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