Durante uma animada discussão sobre Cloud Computing, surgiu mais uma boa questão para debate: em
tempos de cloud, os modelos de gestão de TI, como o Information Technology Infrastructure Library (ITIL), ainda têm alguma validade?
Os ambientes
operacionais de TI tendem a se tornar mais complexos e
diversificados a cada dia. Novas aplicações, usando tecnologias de “dynamic
programming languages” como PHP e Perl, mash-ups e mídias sociais
são criadas muito facilmente.
Muitas das aplicações nem dependem
mais de desenvolvedores profissionais, tal a facilidade com que podem
ser escritas. O resultado é que a demanda por mais e mais serviços
de TI tende a aumentar exponencialmente. O modelo de cloud computing
pode ajudar muito na luta contra essa pulverização de serviços. Mas o caminho não é tão simples assim.
Antes de mais
nada, vamos lembrar que Cloud Computing é o resultado prático de aplicação
da fórmula virtualização + padronização + automação. Virtualização
é o primeiro passo. A padronização permite criar templates de serviços
que podem ser solicitados pelos usuários via um portal. Já a automatização
cria o ambiente self-service, dinâmico e elástico como proposto pela
computação em nuvem.
Com o modelo
de computação em nuvem, o usuário não precisa ser um expert para
requisitar um serviço, podendo fazer isso via um portal. Mas os serviços
prestados pela nuvem precisam ser medidos e avaliados, de modo que seja
possível definir-se e monitorar-se os SLA (Service Level Agreements).
É absolutamente necessário, para uma operação eficiente da empresa,
que os serviços de TI (em nuvem ou on-premise) sejam gerenciados em
todo o seu ciclo de vida, passando pelos conhecidos processos de
change management, incident management, performance management, etc.
A adoção
do framework ITIL enfatiza a padronização de processos de TI, essenciais
para implementar e monitorar o delivery dos serviços – sejam estes
fornecidos pela próprio data center ou por uma nuvem pública.
Na prática, veremos ambientes híbridos na maioria das empresas, com parte dos serviços
sendo oferecidos por nuvens privadas – sejam estas operadas no próprio
data center (ou hospedadas em data centers de terceiros) – e parte
por nuvens públicas.
Todos os benefícios
esperados pelo uso de cloud (agilidade, flexibilidade e redução de
custos) podem ser desperdiçados se os processos de gestão não estiverem
adequados.
Claro que a operação de uma IaaS em uma nuvem publica está
a cargo do provedor, mas a gestão de quanto da infraestrutura usar – e de quanto pagar – deve ser gerenciada pela empresa.
Assinar uma nuvem
publica é como a assinatura de uma linha de celular. Se não houver
monitoramento de seu uso, podemos ser surpreendidos com uma conta milionária.
Além
disso, a padronização dos processos permite definir claramente de
quem é a responsabilidade pelas operações na nuvem. O provedor de
uma nuvem IaaS oferece a infraestrutura virtual, mas quem fica responsável
pelas operações de backup e restore? Quem fica responsável pela gestão
de segurança e controle de acesso?
Outra variável
da equação cloud computing é a automatização. Para termos
um ambiente altamente automatizado e self-service, devemos ter processos
bem definidos.
Imaginem todo e qualquer funcionário da empresa podendo
resquisitar um servidor virtual (nuvem pública ou privada) para quaisquer
atividade – até mesmo pessoais. Os serviços a serem oferecidos, quem
deve ter acesso a eles e os limites para seu uso são parte do processo
de gestão da nuvem.
A facilidade
com que se obtém acesso às nuvens públicas aumenta a possibilidade
de gestores das linhas de negócio contratarem diretamente serviços
em nuvem – Iaas ou SaaS, por exemplo.
O resultado do crescimento desordenado
de serviços em nuvem pode levar a problemas de fragmentação de sistemas,
falta de integração entre aplicações e, é claro, ineficiência e
aumento de custos.
Assim, as empresas
que estão adotando cloud devem colocar a gestão de seu ambiente de
TI (interno ou terceirizado) como pré-requisito. Frameworks como o
ITIL colocam a empresa em um nível de maturidade suficiente que as permita
obter os benefícios da computação em nuvem.







