Volta e meia nos deparamos com pesquisas sobre adoção de Cloud Computing. Entretanto, a maioria delas se concentra na opinião de executivos ou de representantes da indústria. Não olham realmente o dia-a-dia de quem está com a mão na massa.
Recentemente a IBM realizou uma pesquisa diferente, coordenada pela IBM Academy of Technology, concentrando-se em quem esteve ou está envolvido com projetos de cloud em diferentes clientes: os arquitetos e os engenheiros de software. O projeto gerou um relatório muito interessante chamado Cloud Computing insights from 110 implementation projects.
O relatório descreve como os arquitetos implementaram projetos reais de clouds e como os clientes estão vendo sua adoção, do ponto de vista de quem está diretamente envolvido com os projetos de implementação.
Analisando os insights
Vamos resumir algumas dessas conclusões, mas recomendo a leitura do relatório na íntegra.
- Como as nuvens são implementadas? A pesquisa mostrou que apenas metade das implementações obedeceram à uma estratégia de cloud, enquanto a outra metade consiste de iniciativas isoladas, sem objetivos claros e bem definidos. Também ficou claro que a maioria dos projetos atuais ainda são projetos piloto, de âmbito bem localizado. São poucas as iniciativas de escopo empresarial. Mas, na verdade, como cloud ainda é novidade, a maioria do clientes começa sua jornada com projetos experimentais, para obter experiência e desenhar de forma mais adequada ações mais amplas. Um bom ponto de partida para uma experimentação é criar uma nuvem privada para o ambiente de desenvolvimento e testes. Dessa forma, minimizam-se os riscos de segurança (ambiente de certa forma isolado) e obtêm-se ganhos significativos e palpáveis para seguir em frente com novos projetos.
- Adotar o modelo de nuvens vai obrigar revisões nos processos de governança de TI. Esse foi o sentimento geral das empresas que implementaram projetos piloto.
- Na pesquisa, identificou-se que 70% das iniciativas eram de nuvens privadas e apenas 30% de nuvens públicas. Claro que existe a ressalva de que os projetos eram em grandes clientes – que geralmente começam sua experimentação por nuvens privadas. Se a pesquisa fosse realizada em clientes de menor porte, é provável que a relação fosse inversa. A pesquisa também revelou uma informação interessante: nas nuvens privadas, o predomínio dos projetos foi de IaaS, seguido de PaaS. Já nas nuvens publicas, o SaaS dominou o cenário, secundado por projetos de IaaS.
- Observou-se também que os clientes sentem que cloud é um movimento irreversível e que em dois a três anos muitos sistemas críticos estarão rodando em nuvens. Entre as aplicações mais citadas como as próximas a entrarem em nuvem estiveram: business analytics, colaboração e web.
- Depois que a desconfiança sobre a segurança for vencida, os próximos desafios apontados pelo relatório são as questões de integração e interoperabilidade entre nuvens diferentes e entre aplicações on-premise que rodarão em nuvens.
- Um ponto importante e decisivo para o sucesso da adoção da cloud computing é a padronização de imagens. Isso abre espaço para demandas de novos recursos de gestão baseados em ITIL, como Image Management.
Solução para os inibidores da nuvem
Vemos que ainda existem inibidores para uma maior adoção de computação em nuvem. Segurança aparece em primeiro lugar. Nos projetos avaliados pela pesquisa, como o modelo de nuvem adotado foi de nuvem privada, as questões de segurança são minimizadas. Nesse caso, a nuvem está operando dentro do firewall e das políticas de segurança da própria empresa.
Por outro lado, os projetos demonstraram claros benefícios. Embora o custo tenha sido um dos apelos iniciais, a flexibilidade que a nuvem oferece para os usuários é hoje o seu principal atrativo.
A velocidade com que das demandas por recursos e facilidade de TI, que eram medidas em semanas, passam a ser feitas em minutos. Isso abre novas oportunidades para criar aplicações inovadoras em tempos muito mais curtos e também facilita experimentações de novos produtos e sistemas.
Tendências que devem ser observadas
O relatório também aponta algumas tendências como:
- O modelo de pay-as-you-go, típico das nuvens públicas, também deverá ser adotado nas nuvens privadas – com acordos entre IT e as linhas de negócio.
- Mesmo as grandes empresas vão adotar nuvens públicas com maior intensidade, gerando nuvens híbridas, com parte de aplicações rodando em nuvens privadas e parte nas nuvens públicas. Novamente volta a discussão sobre a questão da integração e interoperabilidade.
- Governança do ambiente em nuvens é um desafio a mais, pois muitos processos devem ser revistos. Extensões e adaptações das disciplinas do ITIL são esperadas. Podemos citar como exemplo o Image Management como uma nova e importante disciplina, além de modificações em Service Design, Service Strategy, Service Operation, Service Transition e Service Improvement.
- Os aplicativos a partir de agora tendem ser cada vez mais multi-tenancy. Atualmente são no-multi tenancy e devem exigir esforço importante por parte dos fabricantes de softwares, bem como vão demandar por novos skills dos desenvolvedores nas empresas.
Conclusões e ideias para a expansão da nuvem
Analisando o relatório podemos chegar a algumas conclusões que gostaria de compartilhar com vocês:
- Comecem a jornada em direção ao cloud por projetos piloto, identificando e implementando workloads mais adequados a esse modelo. É um processo gradual, com a experiência sendo adquirida ao longo do tempo, com a evolução dos projetos.
- Mudanças na organização e nos processo de governança de TI serão necessárias.
- Tenha uma estratégia para adoção de cloud e não tente implementar projetos simplesmente para experimentar o modelo e sem ter os próximos passos bem definidos.
- Existem obstáculos como imaturidade e complexidade de algumas tecnologias para implementação de nuvens privadas, mas que devem ser resolvidos ao longo o tempo. Os receios de segurança com nuvens públicas também tendem a ser minimizados.
- O uso de cloud computing vai acelerar de forma significativa nos próximos dois a três anos.







