Em um mundo empresarial que não perdoa ineficiências, o conceito de valor para o negócio torna-se cada vez mais importante e decisivo na tomada de decisões executivas. Analisar a adoção de uma tecnologia ou conceito computacional, como Computação em Nuvem, implica em avaliar o seu real valor para a organização, quaisquer que sejam os modelos de valorização, como ROI (Return on Investment), ROA (Return on Assets), valor da oportunidade e assim por diante.
Claro que o valor da tecnologia depende diretamente da importância da tecnologia para os resultados do negócio. Quão rapidamente uma aplicação deve ser implementada para permitir a criação de um novo serviço ou suportar o lançamento de um novo produto? A velocidade imposta pela globalização e pela Internet não aceita demoras como as encontradas nos tempos das aplicações batch ou cliente-servidor.
Novas tecnologias, velocidade e escolhas
Infelizmente a maioria das empresas não está preparada para atender as demandas nessa velocidade. Alocar recursos computacionais não é, nos modelos tradicionais que adotamos para gerenciar infraestrutura tecnológica, uma tarefa simples.
Muitas vezes é necessário entrar em um processo de seleção e aquisição de novos servidores. Outras vezes, mesmo quando os servidores estão disponíveis, é necessário um estafante trabalho de preparação do ambiente.
Os modelos de gestão de infraestrutura adotados por empresas como Google, Yahoo! e Amazon permitem gerenciar massivos data centers de forma automática e eficiente. Por que não usar esse modelo nos data centers das empresas?
Modelos nas nuvens e soluções
Vejamos o ponto de vista dos executivos financeiros, o CFO (Chief Financial Officer). Os CFOs ficam vivamente interessados em soluções como Computação em Nuvem e seu modelo “pay-as-you-go”, porque esse modelo troca investimento em capital (capex ou capital expenditure) por opex (operating expense). O resultado é um cash flow muito melhor que no modelo tradicional.
O CFO não precisa assinar nenhum cheque antes de poder dispor da capacidade computacional. Pelo contrário, ele assina os cheques à medida que consome os recursos computacionais.
O risco financeiro também é bem menor, pois no modelo tradicional ele gasta antecipadamente o dinheiro em tecnologia sem saber se o resultado obtido será mesmo o esperado. No modelo Computação em Nuvem, o risco financeiro é mensal (usa e paga) e ele pode acompanhar mais de perto como o dinheiro está sendo gasto. Além disso, não existe depreciação do ativo. Enfim, do ponto de vista do CFO, Computação em Nuvem é o modelo dos seus sonhos.
Eliminando riscos financeiros e conhecendo benefícios
Embora o apelo econômico da Computação em Nuvem, de converter despesas de capital (capex) em despesas operacionais (opex) seja bem forte, o modelo de pagar por uso “pay as you go” captura muito adequadamente o benefício econômico da proposta.
As horas de computação adquiridas de uma nuvem podem ser distribuídas de forma não uniforme, ou seja, podemos usar 80 horas de servidor hoje e apenas 5 amanhã, e pagaremos apenas 85 horas.
Adicionalmente, pelo fato de não ser necessário provisionar antecipadamente capex, podemos deslocar esse capital para algum investimento diretamente relacionado com o próprio negócio da empresa.
Em resumo, a elasticidade elimina os riscos de superprovisionamento ou dimensionamento em excesso (que gera subutilização dos recursos) e
subprovisionamento (dimensionamento abaixo das necessidades, gerando gargalos) são fatores diferenciadores e impulsionadores da Computação em Nuvem.
Demanda e possibilidades
A possibilidade de alocar e de remover recursos dinamicamente, em tempo real, permite conciliar de forma adequada a demanda com os seus recursos.
Um exemplo simples mostra o benefício da elasticidade. Vamos supor que estimamos uma demanda no período de pico em 500 servidores, mas, por outro lado, temos também um período de pouco uso, quando precisamos apenas de 100 servidores.
A utilização média vai se situar em torno de uma capacidade de 300 servidores por dia, ou 300 x 24, 7200 horas de servidor/dia. Mas, o custo dos servidores, devido ao dimensionamento pelo pico, é de 500 x 24 ou 12.000 servidores/dia. Um fator 1,7 maior que o necessário.
No modelo de Computação em Nuvem, paga-se apenas o que foi realmente consumido. Os ganhos podem ser substanciais.
Outro exemplo. Vamos supor que 10% dos usuários que recebem um mau serviço são compradores online que desistem da transação e deixam a cesta de compras, abandonando a loja virtual. São oportunidades de negócio perdidas.
A loja virtual estimou um pico de 400.000 usuários (1000 usuários por servidor x 400 servidores), mas as promoções elevaram a demanda para 500.000 usuários tentando acessar o site. Dos 100.000 usuários em excesso que receberam um mau serviço, pela nossa estimativa, 10% ou 10.000 abandonaram a transação.
Se esse perfil de acesso se mantiver, a loja virtual estará perdendo 10.000 transações por hora, durante muito tempo. Além disso, a propaganda negativa, comum no mundo da internet, pode afastar eventuais novos compradores.
No modelo de Computação em Nuvem, a capacidade computacional flutua de acordo com a demanda. Haverá 500 servidores quando a loja tiver 500.000 usuários, 400 servidores quando forem 400.000 usuários e apenas 100 servidores quando 100.000 usuários estiverem acessando a loja.
Não se perdem clientes e paga-se apenas pelo que a loja virtual demandou de recursos. Ou seja, os gastos com TI estão diretamente relacionados com a receita do negócio.
Economia nos invetismentos e de acordo com o perfil do cliente
Além disso, como se paga pelo uso, aplicações com diversos perfis de execução são cobradas de forma muito mais adequada. Um exemplo: uma aplicação que demanda uso intenso de processador e pouca atividade de I/O será cobrada basicamente pelo custo da hora de CPU. Já uma outra aplicação, intensiva em I/O, será faturada pelo volume de MBs transferidos de e para a nuvem.
Existe um outro benefício do modelo de Computação em Nuvem que passa meio despercebido: as evoluções tecnológicas fazem com que a vida útil de um equipamento como um servidor seja relativamente curta. Em poucos anos ou meses, um novo servidor, com custo operacional menor (como energia e espaço físico) chega ao mercado. No modelo tradicional, os custos da troca das máquinas podem ser relativamente altos,
impedindo muitas empresas de obterem esses benefícios devido ao alto capex exigido.
Já na Computação em Nuvem, o provedor, por ter um poder de compra embasado em economias de escala (possuem massivos data centers), pode trocar de equipamento com mais facilidade e repassar esses ganhos aos clientes, devido à competição existente no mercado.
Mas, é claro que não são apenas os aspectos financeiros que contam (embora sejam cada vez mais importantes). Vamos analisar outro ponto positivo: o modelo de Computação em Nuvem retira da empresa todo o trabalho e o custo de administrar toda a parafernália tecnológica, que geralmente não é o seu “core business”.
Operar e manter uma parafernália de servidores demanda tempo e dinheiro. Deslocando esse serviço para o provedor da nuvem, a empresa concentra as atividades de sua área de TI no próprio negócio.
Aproveito este último artigo de 2010 para desejar a todos um Feliz Natal e um 2011 de muitos bons negócios!







