Recentemente li um relatório muito interessante chamado “The Future of Cloud computing: Opportunities for European Cloud Computing Beyond 2010”, no qual a proposta é debater as potencialidades do uso da computação em nuvem pelas empresas e pelos governos europeus.
Para a União Européia, a computação em nuvem assume um papel estratégico, pois ao possibilitar menores barreiras de entrada para criação de negócios que dependam de TI, abre novas e inovadoras oportunidades. O relatório analisa os aspectos não funcionais da Cloud Computing como elasticidade, considerado um ponto-chave do modelo, e identifica alguns aspectos econômicos como redução de custos, pay-per-use e mudança de Capex para Opex como grandes impulsionadores.
Entretanto, considera em seu capítulo “State of the Art & Analysis” que, embora Cloud Computing seja um conjunto de tecnologias e de conceitos que já existem, como virtualização e SOA, ainda demanda muito esforço de pesquisa e de desenvolvimento, para criar camadas de software que gerenciem mais eficientemente esse ambiente. Aliás, cita alguns projetos de pesquisa em Cloud tendo como base o OpenNebula, que é um ambiente Open Source para implementação de Cloud na modalidade IaaS.
Um ponto interessante das pesquisas em desenvolvimento é a questão da elasticidade, que hoje é apenas horizontal, e não vertical. Vejamos, por exemplo, uma nuvem IaaS como a EC2 da Amazon. Se quiser alocar mais recursos, precisa criar mais instâncias, ou seja, você tem apenas elasticidade horizontal. Não existe no EC2 da Amazon, e nas demais nuvens públicas, recursos que permitam escalabilidade vertical ou aumento ou diminuição automática da capacidade computacional de uma única instância virtual. Na Amazon, o que podemos considerar como escalável verticalmente é a nuvem S3 ou Storage-as-a-Service.
Mas, além das pesquisas referentes à tecnologia, alguns aspectos como legislação e políticas de uso ainda precisam ser melhoradas em muito. Existe, na opinião dos autores do relatório, um campo imenso para pesquisas na área de Cloud Computing. Aliás, concordo plenamente com eles.
Estamos ainda na primeira geração das ofertas de Cloud Computing e nos próximos anos veremos muitas evoluções em todos os seus aspectos, desde tecnológicas à mudanças nas questões legais e regulatórias. Não podemos simplesmente tirar uma foto da situação da computação em nuvem atual e congelá-la no tempo. Em dois ou três anos, muitos dos receios e questionamentos atuais estarão minimizados. Pensem: há dez anos, era quase uma heresia falar-se em colocar cartão de crédito na internet. Hoje, praticamente todo mundo faz compras pela internet ou usa Internet Banking.
Outro capítulo interessante do relatório é o “Towards a European Vision”, em que ele faz uma análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats) da computação em nuvem na Europa. Esse é um ponto que merece atenção. Observamos que a maioria das ofertas de nuvem que vemos no mercado são muito “US-centric”, e as realidades americanas e brasileiras são muito diferentes, tanto em termos culturais como tecnológicos. Banda larga por aqui não é tão larga e nem tão barata quanto nos EUA. Assim, uma comparação com a Europa, em alguns aspectos, torna-se um pouco mais próxima da nossa realidade.
Por exemplo, em fraquezas (weaknesses), os europeus citam a pouca oferta de infraestrutura computacional. Os imensos data centers da computação em nuvem como os da Amazon ou Google são americanos. Além disso, os europeus reconhecem que estão bem atrás em relação ao desenvolvimento de novas tecnologias no que se refere a Cloud Computing. Na análise de riscos, citam entre outros aspectos a ausência de ofertas de IaaS genuinamente européias, criando uma dependência dos provedores de nuvens americanos. Para a estratégia geopolítica européia, é uma questão a ser enfrentada. O que eles indicam no relatório é que incentivam suas empresas de telecomunicações a se tornarem também provedores de nuvens, para contrabalançar a liderança americana exemplificada pelas ofertas de nuvens públicas do Google e Amazon.
Nas conclusões, indicam que devem ser enfatizados os esforços europeus para mais pesquisas sobre Cloud Computing, não apenas em tecnologias, mas nas questões legais e regulatórias, e o incentivo à criação de novos modelos de negócios que usem a computação em nuvem como base computacional. Em resumo, é um relatório instigante e que merece ser lido com atenção.







