Cloud computing não é mais tendência, é realidade
Ainda vejo profissionais abordando-o como se fosse uma tendência futura, mas cloud já está disseminado e deve ser consolidar nesta década.
Um dos temas sobre os quais mais venho palestrando é cloud computing. E, de forma interessante, ainda vejo muitos profissionais abordando o tema como se fosse uma tendência futura, mas cloud é presente hoje. Já está disseminado e ao longo desta década vai se consolidar muito mais. Provavelmente, na minha opinião, em uns dez anos vai ser o nosso paradigma computacional, tanto que deixaremos de falar em cloud computing para falarmos apenas em computing. Será o modelo natural de pensar computação.
Claro que existem barreiras no caminho. Enfrentamos muitas barreiras similares quando saímos do modelo centralizado para o cliente-servidor no início dos 90 e cliente-servidor no paradigma atual. Nem nos lembramos das barreiras, receios e dificuldades que enfrentamos para consolidar esse modelo. O mesmo aconteceu quando do início do comércio eletrônico. Quanta desconfiança existia há uns dez anos em usar o cartão de credito pela Web…E Internet banking? Todas as dificuldades e receios foram vencidos, e hoje usamos esses serviços naturalmente, como se sempre existissem.
Conversando com muitos profissionais e CIOs, identifiquei que muitas barreiras são mitos, fundamentados nos hábitos e, para alguns, até mesmo no receio de entrar em mundo desconhecido. Um exemplo, a questão da segurança. Muitos perguntam se usar cloud não implicaria um risco maior de acessos indevidos ou ações de hackers em relação a termos servidores dentro de casa. Observo que as premissas desse questionamento são errôneas, pois partem do princípio de que ter servidores dentro de casa é risco zero de segurança, o que não é verdade. Acessos indevidos, roubo de informações confidenciais e mesmo uso incorreto de dispositivos é comum hoje, independentemente de os serviços estarem em cloud ou não. O cybercrime é um negócio que movimenta em torno de um trilhão de dólares anualmente.
Vejam os dados, obtidos pelo Phenom Institute, sobre roubo de laptops em aeroportos americanos. Eles estimam que são roubados ou perdidos mais de 12 mil, sim 12 mil dessas máquinas a cada semana nos aeroportos americanos. Desses laptops, apenas 33% são recuperados, 53% continham material confidencial e 42% não tinham backup. Outra pesquisa mostrou que em 2010, foram identificados 6 milhões de novos vírus. O modelo tradicional, cliente-servidor, mantendo os servidores em casa e disponibilizando as informações em laptops não pode ser considerado um modelo seguro. Além disso, a maioria dos data centers de pequeno e médio porte (e muitos de grande porte!) não tem políticas de segurança, não trocam senhas e nem aplicam correções de segurança de forma adequada e muito menos mantém um CSO (Chief Security Officer). Quantas empresas mantêm um setor que realmente garante a segurança e consigam evitar cyber-attacks? É risco zero?
Por outro lado, no modelo de cloud, as informações concentram-se nos provedores de nuvem, que tendem a ter processos, políticas e equipes de segurança bem treinados. Uma analogia simples é comparar o risco do modelo atual versus o modelo de cloud com o risco de sofrer acidente em um carro ou em um avião. Só no Brasil morreram em acidentes de trânsito mais de 60 mil pessoas no ano de 2012. Isso corresponde às baixas americanas nos 16 anos de guerra do Vietnã e ao que a guerra civil matou em 20 meses na Síria. Mas como são acidentes dispersos por todo o país, não aparecem nas páginas dos jornais. Um avião é muito mais seguro, as chances de você sofrer um acidente voando é infinitamente menor que em um carro, mas quando um acidente desses acontece aparece em todos os jornais. Assim, quando é detetado um problema de segurança em provedor de nuvem, vemos logo as notícias nos jornais especializados, mas quanto a centenas de falhas, roubos de laptops e sistemas fora do ar que acontecem todo o dia nos milhares de data centers espalhados pelo país a cada dia?
Em cloud, caso você perca o laptop, as informações continuam salvas na nuvem. E em muitas vezes você nem as tem no equipamento, mas o usa apenas para acessar e processar as informações na própria nuvem. E se em vez de laptop for um tablet? A imensa maioria das informações estarão naturalmente na nuvem.
Por ouro lado, conversei com muitas empresas que já estão usando cloud. Curioso é que a disseminação de cloud, na minha percepção, é bem mais ampla que vemos na mídia especializada e nos relatórios dos analistas de indústria. Estes geralmente não conseguem detectar muitas das iniciativas de cloud porque estão fora do seu radar, ou seja, fora do alcance dos CIOs, seus principais pontos de contato nas empresas ou em empresas pequenas.
Aprender as lições das trincheiras com esses pioneiros é sempre positivo. Um dos pontos que muitos chamaram atenção é a questão dos termos e condições contratuais. Não existe padronização entre os provedores e é um modelo ainda imaturo e em construção. Portanto, é sempre bom ter auxílio do jurídico para analisar os contratos, para evitar surpresas mais adiante, inclusive para mitigar o risco de lock-in para um provedor.
Outro aspecto relevante é que cloud não deve ser ação isolada da área de TI e nem deve ser disparada pelos usuários, por conta própria. Pela facilidade de se contratar os serviços e pelo crescente uso da mobilidade, cloud tende a potencializar a chamada “shadow IT”, a TI que está fora do radar dos CIOs, mas que que mais tarde serão inevitavelmente chamados para integrar os diversos sistemas espalhados por diversas nuvens e ainda com os sistemas on-premise que continuarão operando. Por outro lado, uma área de TI arredia à cloud acaba provocando essa reação dos usuários. Aí aparece outro mito que é desmontado: que TI ainda tem o controle total do que acontece em termos de computação na empresa. TI não é mais a pastora que cuida das suas ovelhas, os usuários. Estes passam cada dia a ter mais expertise e proficiência no uso de tecnologias e com as ofertas de cloud podem bypassar as restrições e controles impostos pelo setor de TI. Recomendação: a área de TI, se quiser continuar tendo papel ativo, deve liderar os esforços de adoção de cloud.
Voltando ao quesito segurança, um alerta dos pioneiros é fazer um extenso risk management do que vai para cloud e qual o nível de segurança que o provedor de cloud selecionado oferece. Esse é um alerta importante, pois como cloud é ainda incipiente, nem todos os ditos provedores estão realmente preparados para oferecer o nível de segurança demandada pela empresa. Lembre-se de que existem provedores e provedores…
Outro lembrete… Implementações SaaS ainda demandam, dependendo do aplicativo, esforços de adaptações. Não é custo zero!
Palavras finais: cloud computing chegou. Vale a pena estudar os casos de sucesso, de empresas de todos os tamanhos que usam cloud. Um exemplo interessante é Netflix, que consegue operar um bilhão de horas de streaming de vídeo por mês e em determinados momentos suporta 40 mil chamadas de APIs por segundo. Em uma nuvem pública. Claro que a aplicação foi arquitetada para operar em nuvem e podemos ver essa arquitetura neste link em http://fr.slideshare.net/adrianco/netflix-global-cloud. Um outro case interessante? Que tal estudar como uma grande empresa de TI, a IBM, adotou cloud internamente? Leiam aqui (pdf).







