Cloud Computing é um assunto que volta e meia é abordado em eventos e reuniões com clientes. É interessante como observo que cloud ainda é visto por muitos como um conceito meio abstrato e sem estrutura definida.
Para um executivo tomar a decisão estratégica de ir para nuvem, é absolutamente necessário que ele compreenda os seus reais benefícios (e, é claro, as suas limitações).
Cloud não é algo que se compra, como uma caixinha de software, mas um modelo computacional que se constrói ao longo do tempo. O sucesso da adoção de cloud mede-se pelos benefícios que o negócio obterá com sua adoção. Não é portanto apenas uma decisão técnica, a cargo de analistas de suporte, mas uma decisão de negócios.
Um questionamento que sempre ouço é se cloud não é apenas outro nome para outsourcing. Para mim, cloud é uma outra forma de outsourcing, sim, mas apresenta muitas diferenças quando comparado ao modelo de outsourcing que tradicionalmente conhecemos.
Com cloud podemos “externalizar’ serviços específicos e não apenas o “all-or-nothing” que comumente vemos hoje. O modelo de terceirização atual prevê contratos de longa duração, e os serviços contratados em nuvem podem ser por tempos curtos, on-demand (um projeto ou uma ampliação momentânea da capacidade computacional), além de pagamentos pela utilização dos recursos (Pay-As-You-Go).
Na verdade, IT está indo cada vez mais na direção para ser um conjunto de serviços externos. Usamos salesforce.com ou Google e não falamos em outsourcing de CRM ou e-mail.
Na minha opinião, essa tendência vai acelerar, ao ponto que no futuro provavelmente não iremos adquirir primeiro uma tecnologia e depois terceirizá-la. O modelo mental será primeiro pensar em serviços externos. O modelo será IT-as-a-Service. Essa mudança, ao longo dos próximos anos, afetará os usuários de TI e os provedores de outsourcing, que terão que se adaptar ao novo modelo.
O grande desafio atual é separar o que é hype do que é real. Ainda vemos muita desinformação e simplificações excessivas entre fornecedores de cloud e eventuais usuários dessas nuvens. Cloud pode assumir diversas facetas. Os serviços oferecidos em nuvem podem ser de infraestrutura (IaaS), plataforma (PaaS) ou software (SaaS).
Vamos fazer uma analogia com a internet. A internet como um todo é algo vago, mas quando a subdividimos em coisas palpáveis como comércio eletrônico, mídias sociais, correio eletrônico, buscadores e outros serviços, fica mais tangível e fácil de perceber seu valor.
Com cloud é mesma coisa. O uso de serviços como IaaS podem permitir a pequenas e médias empresas usufruírem de recursos tecnológicos antes impensáveis. Uma empresa pode dispor de 200 ou 300 servidores quase que instantaneamente e pagar apenas pelo seu uso real. Não precisa adquiri-los e instalá-los fisicamente em um data center próprio.
Não será impossível vermos futuros negócios se instalando em um ponto comercial apenas adquirindo assinaturas de luz, telefonia e IT. A infra de IT será basicamente tablets, smartphones e browsers. Todo o resto poderá estar nas nuvens.
Mas a decisão em adotar o modelo de cloud não deve ser meramente tático. Vamos relembrar o comércio eletrônico e o internet banking. No início, havia muitas dúvidas e receios, mas pouco a pouco se disseminaram, e hoje é impensável viver sem esses serviços.
Essas duas tecnologias criaram novos negócios e mudaram radicalmente muitos outros (transformaram processos internos, relacionamentos com clientes, abrangência de mercados, etc), e cloud terá provavelmente impactos tão grandes ou maiores.
O que temos que fazer hoje é analisar com mais cuidado o modelo de cloud, separar o hype do real, buscar parceiros e provedores que saibam o que estão falando (e, principalmente, que inspirem confiança) e começar a agir.
Estamos, é claro, no início da curva de aprendizado e com certeza não veremos especialistas com 20 anos de experiência em cloud. Mas, na minha opinião, se ficarmos parados esperando que o trem saia da estação, podemos perdê-lo.
Os que ficarem para trás podem perder espaço no mercado, assim como as empresas que demoraram a adotar o comércio eletrônico e tiveram que suar muito para recuperar (e muitas não conseguiram) o espaço perdido para os seu concorrentes.







