DevSecOpsARTIGO

Cloud Computing aplicado ao Governo

O assunto cloud computing
é um dos temas mais quentes que apareceram nos últimos anos, e vem
despertando muita curiosidade e interesse. Não poderia ser diferente
para os órgãos e gestores de governos. Nos últimos meses participei de
vários – e alguns até mesmo apaixonantes – debates com gestores públicos nos quais o tema foi cloud computing e sua aplicabilidade no
governo.

Os interesses em cloud computing são
óbvios: o setor público está sempre às voltas com restrições
orçamentárias, mas ao mesmo tempo recebe mais demanda de serviços a
serem prestados a seus usuários, sejam estes servidores públicos ou
cidadãos. Além disso, vêm investindo em tecnologias de
virtualização
, o que é o primeiro passo para se pensar em
cloud computing. Surge, então, a questão: cloud computing se aplica aos governos? E, se sim, como?

Tem sido mais ou menos acordado que os
governos tenderão a se concentrar, pelo menos no início, na adoção de
nuvens privadas. Entretanto, aqui e ali aparecem algumas primeiras
experiências em nuvens públicas, como o contrato que a cidade de Los
Angeles assinou com o Gmail
, serviço de nuvem pública do
Google. Pode ser um sinal de quebra de paradigma.

Mas o uso de nuvens públicas ainda
abre muitos questionamentos para o setor público, principalmente no
tocante à segurança e à privacidade dos dados e à disponibilidade do
serviço. Também a questão dos aspectos legais,
uma vez que o órgão de governo deixa de ter controle sobre a jurisdição
de onde os dados estarão residindo.

Governos, claro, estão preocupados em
reduzir custos de suas atividades, mas também se preocupam com as
questões de privacidade, acesso a dados e a segurança, uma vez que estão,
na maioria das vezes, tratando de informações que dizem respeito aos seus
cidadãos.

A Computação em Nuvem traz benefícios
claros para os órgãos de governo, como:

  • Economia de escala: as organizações e as empresas
    governamentais podem comoditizar suas infraestruturas de TI, criando
    nuvens computacionais que extrapolem empresas e departamentos.
  • Gestão: uma infraestrutura comoditizada e
    operando em nuvem permite que os gestores de TI se preocupem muito mais
    com as necessidades do negócio em si e menos com questões técnicas.
  • Elasticidade: os governos têm dificuldades em
    adquirir tecnologias de forma rápida. Os processos de compra são
    burocráticos e lentos. Muitas vezes, são obrigados a superdimensionar as
    configurações contratadas, para minimizar o problema das futuras
    expansões ou para atender  períodos
    específicos de alto utilização como, por exemplo, o último dia do
    recolhimento do Imposto de Renda. Com a infraestrutura tecnológica
    concentrada em nuvens computacionais, conseguem expandir ou reduzir suas
    necessidades computacionais sem necessidade de passar pelos demorados
    processos de compra.

Mas, por outro lado, existem alguns
riscos e cuidados que os governos devem atentar:

  • Localização dos dados: de maneira geral, os usuários não
    precisam saber onde os seus dados estão armazenados nas nuvens
    computacionais públicas. A premissa das nuvens é ser transparente. Pelo
    fato de muitos dos provedores serem empresas globais, estes dados podem
    estar residindo em outros países. Esta é uma situação que pode gerar
    alguns questionamentos legais.
  • Segurança: é absolutamente necessário ter
    garantias que os dados classificados como confidenciais estejam
    armazenados de forma segura e que sejam acessados apenas pelos usuários
    autorizados.
  • Auditoria: é necessário que seja plenamente
    possível rastrear as movimentações em cima dos dados para atender
    eventuais demandas de investigações.
  • Disponibilidade e
    confiabilidade
    : os dados precisam ser acessados sempre que necessário. Mas, se o provedor de uma nuvem sair do
    mercado, o que acontecerá com os dados armazenados em seus data centers?
  • Portabilidade e
    aprisionamento
    : os governos não podem ficar presos a
    determinado fornecedor de tecnologia ou provedor de serviços. Muitas
    nuvens ainda são fechadas, impedindo que as aplicações interoperem com
    outras. Algumas nuvens forçam, inclusive, que a linguagem de
    programação a ser usada na sua platforma seja proprietária, como a
    Force.com. Outras plataformas, como o Google AppEngine, impõem um banco
    de dados proprietário (BigTable).

Portanto, os gestores de TI de governo
devem tomar cuidados redobrados, quando
desenhando suas estratégias de Computação em Nuvem. De qualquer maneira,
podemos pensar em algumas alternativas de uso de computação em nuvem no
âmbito de órgãos de governo.

Talvez a modalidade que se tornará mais
comum seja a de órgãos de governo adotando este conceito nos seus
próprios data centers. Estamos falando aqui de uma nuvem privada para uma
única entidade. Mas existem outras opções. Veremos também empresas
públicas de serviços de TI criando suas nuvens e as oferecendo para seus
clientes, também entidades públicas. Outra opção, esta inovadora,
poderá ser a de um agrupamento de entidades de governo
que pertençam a um mesmo setor (como um ministério), reunindo seus
recursos de infraestrutura e criando uma nuvem. A gestão dessa nuvem
será das próprias entidades e a diferença é que não será uma empresa,
mas sim uma junção dos seus recursos computacionais criando um data
center virtual.

E quem sabe não veremos, embora
provavelmente apenas em um horizonte um pouco mais distante, o uso de
nuvens públicas para determinadas aplicações como email, colaboração
(webcasts, blogs e wikis) e mesmo desenvolvimento de aplicações? O uso da web 2.0 como interface de interação
com o serviço público deverá aumentar significativamente nos próximos
anos, e seu uso a partirnuvens públicas
pode ser uma boa opção em termos de custos e flexibilidade.

O cenário mais provavel será similar ao
que veremos em empresas privadas: um cenário híbrido, com algumas
aplicações em nuvens públicas, e a maioria ou em nuvens privadas ou em
servidores dedicados, como vemos hoje no modelo tradicional. Um bom
exemplo de uso de cloud computing em governo é a iniciativa do governo
americano chamado de Apps.gov, que pode ser
visto em https://apps.gov/cloud/advantage/main/start_page.do.

Outro exemplo
de uso de cloud é o do próprio portal do governo americano, o USA.gov, que reside
em um provedor de nuvem pública, chamado Terremark.
Este site foi projetado para concentrar a interação dos cidadãos
com o governo americano, direcionando as pessoas aos diversos serviços
prestados pelo governo; serviços estes que residem nos sites específicos
das diversas agências governamentais. É muito acessado, contabilizando
mais de 100 milhões de visitas diárias. Como o
site é um hub para acesso às informações críticas do governo, o volume
de tráfego varia substancialmente.

Com o modelo de nuvem (IaaS, ou Infrastructure as a Service),
o governo americano mantém um contrato pagando por uma infraestrutura
que atende ao volume médio e só dispendendo mais dinheiro quando e se o
tráfego aumenta. Não precisam ter uma infraestrutura dimensionada para
os volumes de pico. Segundo seus gestores, os custos anuais com o
USA.gov cairam de US$ 2,5 milhões para US$ 800 mil.

Baseado nos
resultados positivos, o governo americano projeta expadir o
uso de cloud para o Data.gov
, site que
hospeda informações do governo disponibilizadas para os cidadãos e
também criar APIs para o USA.gov e Data.gov de modo que os usuários
possam desenvolver suas próprias aplicações mash-up, acessando
informações sem ter que passar pelo
cardápio oferecido pelos sites. Vale a pena dar uma olhada nestes
exemplos.

Para
finalizar, uma das mais completas e claras definições de cloud computing
estão dsponiveis no NIST (US National
Institute of Standards and Technology), que define padrões para o
governo americano. Vejam o documento aqui.

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Artigo publicado originalmente no My developerWorks. Cadastre-se e participe!

É CEO da Litteris Consulting. Profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70, com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como CIO Magazine, Mundo Java, além do iMasters, e apresenta palestras em eventos e conferências de renome. É autor de sete livros que abordam assuntos como Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado, Cloud Computing e Big data.

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