Carreira Dev

7 mai, 2019

The Velopers #21 – Erick Wendel

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Neste The Velopers #21, o Community Manager do iMasters, Rodrigo Pokemao, conversou com o desenvolvedor Erick Wendel, Consultor independente, Microsoft MVP e GoogleDevExpert.

Além disso, Erick Wendel é líder de comunidades, Community co-organizer do @nodebr. Erick e Pokemao conversaram cobre carreira, o início de tudo, a juventude difícil na zona leste de São Paulo, a escolha dos cursos e tomadas de decisões.

Você acompanha, a seguir, parte da entrevista transcrita com Erick Wendel. Mas se quiser assistir ao bate-papo completo, basta acessar o vídeo do canal do The Velopers no YouTube, no final da página.

O Bate-papo

Pokemao – Como você começou a programar?

Erick – “Cara, é uma história bem grande. Vim de um bairro bem distante de São Paulo. Um dos mais perigosos de São Paulo, um distrito chamado São Mateus. Lá, quem termina o ensino média, já está acima da média. Quando eu era criança, minha mãe tocava violão e um amigo dela fez uma oferta pra ela trocar o violão por um Pentium 2, que ele tinha.”

“Minha mãe trocou, o computador chegou, mas demorou muito tempo para eu ter internet. Então, eu ficava fuçando. E eu comecei a formatar computador. Mas minha formatação era Colocar o CD do XP e tirar. E eu ganhava dinheiro assim. Fiquei dos 12 aos 16 anos fazendo isso.”

“Na Zona Leste, a gente tem vários programas do governo que oferecem cursos gratuitos de um monte de coisas. Fiz Capoeira, Fiz Conservatório e Música, fiz Informática, até que eu fui para Técnico em Administração no Senai. Conheci uns amigos que também formatavam computador.”

“Um deles me falou que estava indo fazer um curso na ETEC e iria fazer programação. Eu perguntei o que era Programação. Ele explicou que eles faziam alguns jogos lá. Mas eu não sabia direito o que era e não tinha acesso fácil a essas informações.”

“Até tinha uma Lan House ali perto. E eu era aqueles garotos chatos, que ficavam atrás das pessoas que usavam o computador. E eu falava ‘tio, quando acabar aí, deixa um tempinho para eu usar o computador’.”

Ciência da Computação

“Um amigo falou que faria Análise de Sistemas. Não gostei do nome e quis fazer Ciência da Computação. Entrei na faculdade, mas achei que o ensino lá estava me fazendo perder tempo. E um outro amigo me avisou que tinha uma faculdade focada em tecnologia.”

“Comecei o curso e consegui o primeiro emprego, como suporte técnico na HP. Atendia ligações, formatando computador. E eu tinha em mente ‘cara, não gosto de pessoas. Quero trabalhar com máquina, porque pessoas são chatas de trabalhar’.”

“Esse raciocínio é uma ironia, hoje em dia. E um amigo falou que faria um curso de desenvolvedor dot net. Esse meu amigo disse que todo mundo que tinha feito esse curso, ‘antes do primeiro mês já estava empregado’. Eu falei ‘nossa, quero isso para mim também’.”

“Naquela época, os desenvolvedores júnior ganhavam uns 3 mil reais. Eu ganhava 450 reais. Era algo totalmente fora da minha realidade. Eu quis tentar fazer. Mas eu não tinha dinheiro. Então, eu fui no banco e pedi um empréstimo de 2 mil reais para pagar em 10 vezes.”

“O salário que eu recebia até, então, eu usava para pagar esse curso e pagar a faculdade. Meus pais me ajudavam com as passagens do transporte público. Nessa fase, eu mal tinha dinheiro para comer um lanche. Era sempre muito restrito.”

“Mas quando eu fui para lá [para o curso de dot net], um colega meu viu que eu estava animado para aprender e me apresentou outro treinamento. Era uma escola com um curso de 150 reais, com 40 horas de conteúdo.”

“Comecei a me envolver com comunidade. A gente fazia madruga de programação e tinha gente na escada, tinha gente em pé. Foi muito legal. Eu falo para as pessoas que a melhor forma de você aprender alguma coisa é quando você estuda para tentar compartilhar. Você vai estudar para tiras dúvidas suas e das pessoas.”

“Eu falo para todo mundo: você não precisa de um título para fazer alguma coisa. No net coders, eu não era ninguém, só queria fazer e mostrar para todo mundo o qual legal aquilo era.”

Comunidade e carreira

Pokemao – Como você conciliava comunidade com carreira e pensar no seu crescimento?

Erick – A comunidade me ajuda na minha ambição. Eu pensasva: ‘como eu vou fazer para palestrar com esses caras legais?’ Eu tentava pegar o que eu estava estudando e aplicar no trabalho. Foi assim, aprende aqui e aplica ali. Deu problema? Já tenho um case para falar para a comunidade. E fui subindo a partir disso. Bem legal!

Pokemao – Nesse meio tempo, você recebeu o título de MVP. Foi uma surpresa?

Erick – “O programa MVP é um programa da Microsoft. Ele nomeia alguns influenciadores de comunidades, que causam um impacto nas comunidades. E nomeia, também, especialistas técnicos. A gente tinha um movimento muito forte com o net coders, que tinha envolvimento com dot net. Por eu estar à frente, eu tinha muitas coisas.”

“Então, você tinha um formulário, que você submetia a um portal tudo o que você estava fazendo, e a Microsoft analisava. E eu pensei ‘o que os outros desenvolvedores não estão abordando agora?’; ‘o que o mercado está precisando?’ “

“Tinha muita gente fazendo programação de dot net, c-sharp, aí começou um movimento da microsoft de open source. E eu comecei a focar as contribuições neste lado. Mas no meu caso, não foi tanto por ser especialista. Foi pelo impacto com o net coders.”

“A gente tinha muitos meetups, muita gente fazendo as coisas. Ser MVP é um prêmio muito legal e é a realização de um trabalho. Quando eu submeti, na primeira vez, eu não virei, não fui escolhido. Mas no mês seguinte eu fui nomeado.”

“Não adianta você querer ser ‘o cara’, se você não sai da toca. Você precisa ter relacionamento com as pessoas.”

The Velopers

Se você quiser assistir ao bate-papo completo com Erick Wendel, basta clicar no vídeo abaixo, do canal do The Velopers no YouTube.