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Tablets, CIOs e desenvolvimento de apps

Os tablets estão se popularizando rapidamente na computação pessoal e já fazem também algumas incursões no setor empresarial. Embora ainda estejamos no início da sua curva de adoção, é possivel vislumbrar um imenso potencial para aplicações corporativas neste cenário pós-BlackBerry. Principalmente por que entre seus usuários estão os executivos C-level, ou seja, os executivos de decisão, que demandam que seus tablets sejam o ponto de entrada para as aplicações corporativas, antes disponiveis apenas nos laptops. E, convenhamos, um tablet é muito mais intuitivo e fácil de usar do que um laptop. E espera-se dos tablets um maior número de funcionalidades do que as encontradas nos smartphones. Assim, nada mais natural que os executivos se perguntarem o porquê dos ERP e CRM não poderem ser acessados por eles.

Portanto, os CIOs e os empresários da indústria de software que se preparem, pois a pressão para que os tablets sejam usados corporativamente tenderá a aumentar significativamente. Em consequência, os desenvolvedores das empresas de software e os que são terceirizados terão um belo desafio pela frente. Em termos de design de aplicações, um tablet não é um smartphone com tela maior, nem um laptop sem mouse. As aplicações tem que ser desenhadas para as suas funcionalidades e não meramente adaptadas de outros dispositivos.

Alguns dos problemas já enfrentados no desenvolvimentos de aplicativos para smartphones permanecem no tablet, como a fragmentação de ambientes. Como estamos falando de aplicativos de negócio, a decisão de qual plataforma adotar é bem mais séria que nos smartphones, pois uma decisão equivocada pode acarretar consequencias negativas ao longo prazo. Vou optar pela plataforma iOS da Apple e criar uma barreira de saída bastante alta? Ou optar pela plataforma Android e neste caso conviver com fragmentações como Honeycomb e Gingerbread? Ou devo optar por HTML5?

Neste aspecto, as empresas de software terão o problema de arcar com desenvolvemento e terão que manter seus aplicativos tablets em, pelo menos, dois ou três plataformas diferentes, para não perderem mercado. Para as empresas de software, o HTML5 provavelmente será, no futuro, uma boa opção. Na minha opinião, vale a pena estudar o assunto mais cuidadosamente. Mas até que o HTML5 se dissemine amplamente, a convivência com várias platformas será inevitável.

Provavelmente, diante deste cenário, começaremos a ver as chamadas MEAP (Mobile Enterprise Application Platforms) aparecerem no mercado. A proposta de uma MEAP é ser um middleware que permita desenvolver o aplicativo uma única vez e ele vai se encarregar da integração com as diversas plataformas do mercado. É uma tecnologia que deve ser acompanhada de perto. Recomendo a leitura do material disponivel em pdf de um webinar do Gartner.

As áreas de TI das empresas não podem ficar inertes e observarem os tablets entrando em massa pelas janelas das suas organizações. Espera-se que desenvolvam, de forma pró-ativa, novas aplicações que explorem seu potencial, uma vez que além dos recursos típicos dos smartphones, como acelerômetros, giroscópios e a interface touchscreen, eles oferecem uma inerente capacidade de “interação social”, disponibilizada por sua tela maior. Tente compartilhar com um colega uma tela de um smartphone e veja a diferença quando usar um tablet.

Pensando um pouco mais no assunto, identifiquei algumas diferenças entre aplicações para tablets e as que conhecemos hoje nos smartphones. É verdade que ambas exploram a tecnologia de touchscreen, que provocou uma mudança significativa no paradigma das interfaces com os computadores – da mesma amplitude que a interface via janelas provocou no antigo modelo pré-Windows. O touchscreen será a interface padrão tanto de tablets e smartphones, como dos PCs e laptops.

Mas os tablets demandam também outras caracteristicas diferentes dos smartphones. Primeiro, eles são “Wi-Fi centric”, ao invés de “3G centric” (nem todos os tablets tem acesso à rede 3G). Isso significa que nem sempre estarão conectados e, também, por serem usados corporativamente, demandarão mais entrada de  dados que os aplicativos dos smartphones.

E de onde virão estes aplicativos? Bem, temos os aplicativos criados para laptops, para os antigos smartphones, como BlackBerry, ou mesmo os criados para os smartphones da geração touch. Os criados para laptops e BlackBerry já são aplicações de negócio, muitas vezes críticas para a operação da empresa. As regras de negócio deverão ser preservadas, é claro, mas as interfaces terão que ser redesenhadas. Uma aplicação Web desenhada para laptop foi desenhada para mouse, e não para touchscreen. É uma mudança radical na maneira de interagir com o aplicativo.

Por outro lado, as aplicações atualmente escritas para smartphones touch tendem a ser menos críticas para os negócios. Dependendo de sua importância, podem ser simplesmente disponibilizadas para os tablets que funcionarão como smartphones com telas grandes, ou redesenhadas para aproveitarem as diferenças de funcionalidades que os tablets oferecem. E, claro, teremos as milhares de novas e inovadoras aplicações escritas especificamente para os tablets. Afinal, esse é um mercado e tanto! Algumas estimativas apontam que por volta de 2015 eles somarão quase um bilhão de unidades em uso.

Temos pela frente um bom desafio. Como desenhar aplicações de negócio para explorar os tablets? Que especificidades estes dispositivos demandam? E a pergunta final que os CIOs e os executivos das empresas de software devem se fazer  é “nossos desenvolvedores estão preparados para tal tarefa?”.

É CEO da Litteris Consulting. Profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70, com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como CIO Magazine, Mundo Java, além do iMasters, e apresenta palestras em eventos e conferências de renome. É autor de sete livros que abordam assuntos como Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado, Cloud Computing e Big data.

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