Gestão Dev & TIARTIGO

Jornais mudam de estratégia na era do “Free”

O novo livro do Chris Anderson , “Free” (que pode ser baixado gratuitamente em texto ou audiobook) explica como não circula nem um centavo no futuro dos negócios digitais.

Mas “se a informação é de graça, qual é o valor do conhecimento?”, esse é o mote da campanha do Estadão que deixa o leitor decidir quanto quer pagar pelo primeiro mês de assinatura do jornal, acompanhando a linha das bandas Radiohead e Coldplay.

O mercado de impressos está na linha de sucessão do mercado da música, ele precisa se reinventar rapidamente, pois é inegável que o interesse pela informação na internet é que ela está disponível gratuitamente. Um estudo realizado por Nicholas Carlton (Silicon Alley Insider), mostrou que se o New York Times distribuísse para cada assinante um Kindle, gastaria o equivalente aos custos de impressão com o jornal. Alguns jornais como Times, The Washington Post e The Boston Globe já fizeram negociações com a Amazon para que os seus assinantes possam comprar o Kindle com desconto. O assinante passa a ler via e-book e o jornal economiza na gráfica.

Uma preocupação que não se vê nos diários de maior circulação no Brasil. Assim como o Estadão, a Folha também lançou uma campanha para reverter a crise nas assinaturas. Segundo informações do IVC, Estadão e Folha caíram 16,5% e 7,1% respectivamente, nos cinco primeiros meses de 2009 em comparação com os mesmos meses de 2008. Os investimentos dos diários não se concentram em publicidade. O Estadão vai lançar novo projeto gráfico em outubro e o Grupo RBS (Zero Hora) acabou de inaugurar um novo parque gráfico, num total de investimento que poderia distribuir iPhones para todos os seus assinantes para acesso à versão mobile.

Nenhum dos grupos atribui a responsabilidade pela queda dos números de assinaturas e quedas de vendas em bancas à internet e ao mesmo tempo, nenhum deles deixa de manter sua presença na rede. Seja por meio de megaportais de informação como o do grupo Globo (G1, globoon, globo.com) ou com estratégias digitais diferenciadas como o Estadão e seu Limão… e todos eles são unânimes em manter presença no mobile e preocupam-se em criar uma nova linguagem para a dinâmica das telas miniaturizadas.

Investir em ações no offline e no online em tempos de economia do “Free” é uma realidade inescapável e é um problemão para os jornais. Parece até a Guerra do Peloponeso dos tempos contemporâneos. No entanto, se essa guerra também durar 27 anos, acredito que ao final os jornais terão perdido todos os seus assinantes…

Up the webwriters!

é jornalista e mestre pela UERJ na linha de Novas Tecnologias em Comunicação. Coordenou diversos projetos digitais na área de planejamento e conteúdo como o Portal Mundo Oi, SulAmérica, PUC-RJ, Senac-RJ, HSBC, Bradesco e CBTU. Atualmente é professora da ESPM, UNESA, UCAM, INFNET e iMasters PRO. É pesquisadora pelo CAEPM e consultora da Fundação Roberto Marinho.

Ver perfil