Ninguém detém o conhecimento de tudo, mas todos sabem alguma coisa. Os meios digitais potencializam a conectividade entre as pessoas, criam processos de inteligência coletiva, nos quais os indivíduos se complementam e criam uma sinergia entre si, transformando todas as competências, conhecimentos e experiências de vida em sabedoria para coletividade.
A Web funciona como uma enciclopédia viva, em que a velocidade da produção de novos conhecimentos é fantástica. O jornalista Steven Johnson diz, em seu livro “Emergence”, que os seis últimos anos da Web foram de pseudo-interatividade, e que finalmente o ciberespaço começa a nos oferecer aquilo que foi sua promessa original: alimentar uma inteligência coletiva pela conexão de todas as informações do mundo.
Cada indivíduo detém uma parte do conhecimento e a Internet é o meio de interligação. Por isso é comum, quando desejamos algum assunto específico, pesquisarmos junto às comunidades digitais ou redes colaborativas, que nada mais são do que pessoas com interesses comuns, reunidas na web, que lidam diretamente com aquele assunto no dia-a-dia, discutindo o tema sobre qual têm o conhecimento. Essas comunidades funcionam como um filtro humano, como auxílio inteligente a essa sobrecarga de informação.
Uma comunidade virtual organizada é um ferramental sem parâmetros em termos de conhecimento distribuído, de capacidade de ação, de potência cooperativa e colaborativa. Favaretto acredita que a colaboração autêntica e espontânea assume o papel de garantir a imparcialidade das opiniões expostas o que, de certa forma, aumenta a credibilidade das discussões resultantes e das diversas visões abordadas sobre um mesmo tema.
O mais importante é que dentro das comunidades virtuais, a independência é o fator chave. Como não há um único consenso entre os diversos pensamentos relatados, quem consulta amplamente a discussão realizada pelo grupo pode formar a própria opinião, com embasamento e co-relacionamento das diversas vertentes do assunto discutido.
O meio digital permite o armazenamento, a busca e a divulgação dos saberes, de forma rápida e barata, sem qualquer precedente similar. As comunidades virtuais são como um depósito de idéias, opiniões, troca de experiências e conhecimentos, que juntos, formam a inteligência coletiva da humanidade.
Mesmo as ferramentas empresariais disponíveis no ciberespaço, nesta atual fase da Web 2.0, também conhecida como a “web viva”, devam oferecer a seus membros ou colaboradores, meios de coordenar suas interações, criar seus próprios grupos, avalizar a credibilidade de informações de outros grupos, proteger a privacidade individual e garantir o papel de moderadores ou líderes de grupos, sem esbarrar na censura das instituições, ou até mesmo da linha de pensamento da alta gerência das organizações.
Os empresários tradicionais precisam acordar para este novo momento que vivenciamos, desfazer-se do envoltório dessa cúpula que estrangula a prosperidade de seus negócios e buscar, no envolvimento colaborativo, a multiplicação de seus resultados com o estímulo dos capitais intelectual, tecnológico e social, para a propagação de novas idéias.



