O design voltado para experiência do usuário é uma atividade multidisciplinar que inclui psicologia, pesquisa do usuário, arquitetura da informação, design de interação, design gráfico e um monte de outras disciplinas. Devido à complexidade do campo, uma equipe de experiência do usuário provavelmente será composta por pessoas com uma variedade de especialidades diferentes.
Em termos mais amplos, você encontrará pessoas com focos em áreas específicas, tais como pesquisa do usuário ou arquitetura da informação. Você pode até encontrar pessoas que se especializem em atividades específicas, como testes de usabilidade ou wireframing. Esse nível de especialidade não é possível em equipes pequenas, então os profissionais tendem a agrupar as atividades parecidas.
Conceitualmente, eu acredito que você pode dividir o design em atividades tangíveis e intangíveis. O design tangível tipicamente está delineado nas habilidades artísticas do designer, e os resultados estão em algum tipo de artefato visualmente agradável. Isso é o que a maioria das pessoas pensa sobre design, e engloba o design gráfico, a tipografia e a identidade visual.
No entanto, existe também um tipo mais abstrato de design que se preocupa mais com a estrutura e com a função do que com a forma. O resultado desse tipo de design tende a ser mais conceitual por natureza; wireframes, site-maps e afins. Um tipo de design não é mais valioso ou importante que o outro, eles são simplesmente diferentes.
Quando produtos ou equipes atingem um certo tamanho ou nível de complexidade, uma pessoa não consegue cumprir com todos esses papéis. Quando isso acontece, uma divisão natural ocorre. Assim, em equipes pequenas e médias, é bastante comum descrever pessoas que se especializam em design tangível como designers visuais, enquanto aqueles que se especializam em atividades mais abstratas são conhecidos como designers de experiência do usuário.
Agora que já sabemos que design visual é uma parte inegável da maneira como as pessoas experenciam um produto ou serviço, pode parecer um pouco estranho que os designers de experiência do usuário não façam o design da experiência por completo. Também pode parecer confuso que quando os designers de experiência do usuário falam sobre “a UX” de um produto, muitas vezes eles estão se referindo à essência mais abstrata do produto, como é descrito nos wireframes, site maps e afins.
Essa ambiguidade pode levar muitos designers visuais a interpretar mal o que o design de experiência do usuário é, especialmente se eles nunca trabalharam lado a lado com um designer dedicado à experiência do usuário. Isso também levou muitos designers visuais a acreditarem, erroneamente, que, como seu trabalho cria resultados de alguma forma na experiência do usuário, isso os torna um designer de experiência do usuário. Isso pode ser verdade no sentido puramente filosófico, mas não é o que as pessoas querem dizer quando falam em designers de experiência do usuário (tente se inscrever para uma vaga sênior de UX sem compreender a pesquisa de usuário, IA e design de interação para ver quão longe você chega).
O termo arquiteto da experiência do usuário foi criado em 1990, mas as raízes remontam aos anos 40, e aos campos dos fatores humanos e ergonômicos. Oferecemos consultas dedicadas à experiência do usuário nos últimos 10 anos, e em divisões internas antes disso. Fomos a várias conferências profissionais frequentadas por pessoas que trabalharam com UX por toda sua vida profissional. Resumindo, o design experiência do usuário é uma disciplina distinta e bem compreendida que remonta há muitos anos e não é simplesmente um modismo para descrever “a maneira certa de fazer design”.
Nos últimos 12 meses, eu me deparei com muitos designs visuais que se descreviam como designers da experiência do usuário porque eles não compreendem completamente o termo. Em vez disso, eles leram muitos artigos que explicam como a UX é o novo preto e decidiram se reposicionar.
Eu também encontrei vários designers visuais fantásticos que se sentem pressionados em se tornarem designers em experiência do usuário, porque acreditam que essa é a única maneira com que serão capazes de progredir em sua carreira. Parece que devido à falta de suporte, o design de experiência do usuário passou a representar um nível maior de design, ou um design feito da maneira certa. Na melhor hipótese, isso é maluquice, e, na pior hipótese, isso está de fato prejudicando a carreira das pessoas.
Então aqui está a verdade. Bons designers visuais são tão difíceis de encontrar como bons designers de experiência do usuário. Eles têm exatamente o mesmo status na indústria e ganham mais ou menos a mesma coisa. Então, você não precisa se tornar um design de experiência do usuário para levar sua carreira para o próximo nível. Em vez disso, cerque-se de experts, afie suas habilidades, e se orgulhe de seu trabalho. Com tão poucos bons designers por aí, não jogue fora habilidades tão dificilmente adquiridas devido à crença errônea de que você deve se tornar um designer UX para crescer, porque esse não é o caso.
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Texto original em inglês de Andy Budd, disponível em http://www.andybudd.com/archives/2011/07/visual_designers_are_just_as_important_a/








