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Cloud Computing: To be or not to be?

As últimas conversas com
executivos de TI e de negócios envolvidos com iniciativas de cloud
computing me permitiram criar alguns insights que gostaria de
compartilhar aqui.

Uma questão é por que Cloud Computing e SaaS tem
despertado tanto interesse? Quando analisando a proposta da computação
em nuvem vemos que ela conecta o preço que o cliente paga por uma
solução ao valor da própria solução, e não ao dos componentes de
tecnologias que estão por trás.

Explicando melhor.

Imaginem uma área de
negócios que precisa de um determinado aplicativo. Para operar esse
aplicativo, ela tem que comprar alguns servidores e seus softwares
básicos. Tem que fazer um estudo comparativo entre tecnologias e
analisar o custo de propriedade envolvido. Ela tem que analisar com
cuidado esse custo de propriedade, pois um servidor de maior capacidade
pode significar um custo de licença maior, mesmo que a funcionalidade do
aplicativo seja exatamente a mesma.

Mas, esse é o modelo tradicional de
compra de software aplicativos praticado hoje pela indústria. O que
esse modelo faz? Faz com que o usuário tenha que se preocupar com a
plataforma tecnológica no qual seu aplicativo irá rodar. O custo total
da solução envolve o aplicativo e toda a parafernália tecnológica por
trás.

Com o modelo de SaaS
em computação em nuvem, a atenção se desloca para as funcionalidades da
aplicação. Ou seja, a preocupação passa a ser com o que a solução vai
fazer e não como ela vai ser implementada. Não é necessário comprar
servidores ou fazer estudos de custo de propriedade.

O modelo de computação
em nuvem desloca o foco de produto para o de serviços. O usuário deixa
de prestar atenção nos produtos (e tecnologias) em si e começa a se
focar nos serviços prestados. Ou seja, para ter sua roupa lavada, seu
objetivo, em vez de comprar máquina de lavar, é buscar alguém que lave a
roupa para ele. Esse alguém é que passa a ter a responsabilidade de
comprar e operar a máquina de lavar roupa. Qual marca e qual sabão será
usado, será responsabilidade do provedor. O cliente recebe e paga apenas o
serviço.

Outra consideração
interessante é que a maioria das iniciativas de cloud que tenho visto se
concentram ou na camada de IaaS (infastruture-as-a-Service),
como ofertado pela Amazon, ou na camada de SaaS (Software-as-a-Service),
como o modelo Salesforce. A camada de PaaS (Platform-as-a-Service)
tem andado bem mais devagar. Na minha opinião, o modelo SaaS é o de mais
fácil implementação e tende a ser o ponto de entrada das empresas no
conceito de cloud computing.

Outros cenários que começam a despertar
interesse para operarem em cloud são aplicações web (quase não existem
razões para não colocar em cloud as aplicações web), email e colaboração
(vale a pena pensar seriamente no assunto), e desenvolvimento e teste de
aplicações (gol dentro).

De maneira geral,
estimo que as iniciativas de IaaS serão, por parte de grandes empresas,
criações de nuvens privadas, com objetivo de reduzir custos. A IBM, por
exemplo, oferece uma solução que se propõe a criar nuvens privadas,
chamada CloudBurst, que pode ser vista como um “Amazon EC2 dentro de
casa (private cloud)”.

Já as SaaS começarão por
aquelas aplicações com poucas exigências de integração. Quanto mais
stand alone, mas fácil colocar em SaaS. Quanto à PaaS, vemos que ainda é
um setor imaturo, com poucas empresas conhecidas do mundo de TI atuando
forte. Mesmo a iniciativa do Google (Google Application Engine) tem
apelo limitado para o ambiente empresarial (não tem suporte para bancos
de dados relacionais, por exemplo), sendo mais focado no usuário final.
Para o PaaS ser encarado mais seriamente no contexto empresarial, será
necessário o surgimento de um ecossistema mais vibrante, com empresas
conhecidas do setor de TI atuando de forma mais consistente.

Por outro lado, as
questões de segurança e de privacidade aparecem em primeiro lugar quando
abordam-se as dúvidas e os temores. A lista de preocupações é extensa e
inclui localização dos dados, isolamento dos dados de uma empresa de
outra, os aspectos regulatórios e suas restrições, o risco de lock-in e
as condições de portabilidade de uma nuvem para outra, integração entre
aplicações nas nuvens e on-premise, a imaturidade da maioria dos
provedores, falta de padrões, falta de skills, questões de licenciamento
de software e mesmo se o provedor terá sustentabilidade econômica para
manter o modelo ao longo do tempo. Claramente cloud computing é um “work
in progress” e muitas das respostas só virão com a maturidade do
conceito e de suas tecnologias. Mas o importante é começar.

E como começar?

Primeiro, analise quanto de ganho você teria ao deslocar os custos de
capital para custos operacionais (trocar capex por opex). Analise se
você teria condições de manter opex menor que o provedor.

Um exemplo
prático: o Salesforce opera 77 mil clientes em 3 mil servidores,
espalhados por 3 três data centers. No modelo tradicional, com cada cliente
tendo seus próprios servidores, provavelmente seriam necessários cerca
de 100 mil ou mais servidores para atender a essa demanda. No modelo de
cloud são necessários apenas 3% dessa capacidade.

Esse mesmo raciocínio
pode se aplicar a uma empresa, que poderia simplificar em muito sua base
de servidores.  Assim, se seu opex for maior que
o do provedor, identifique alguns workloads que sejam candidatos a
operarem em nuvens publicas. Comece por eles e aprenda a usar a nuvem.
Existe muita a coisa para aprender.

Por exemplo, o modelo
de pay-as-you-go vai exigir que você saiba antecipadamente quanto terá
que pagar. Como na conta do celular. Você não gostará de ser
surpreendido com uma fatura de mil reais porque usou o celular além da
conta… o mesmo acontecerá com cloud computing em nuvens públicas. O
fato de os recursos computacionais estarem à disposição e é só usar, não
significa que não precisamos conhecer sua estrutura de custos e validar
se estaremos dentro do budget ou não. Surge um fenômeno chamado
“on-demand overspending” que é exatamente usar o modelo pay-as-you-go
sem limites.

E, ao migrar para
nuvens públicas, você já planejou como ficará sua área de TI? Uma
empresa operando em nuvens públicas ainda terá sua área de TI, embora
com papéis diferenciados.

As atividades que requerem alto grau de
expertise tecnológica sem maiores necessidades de conhecimento do
negócio (analistas de suporte e operadores, por exemplo) saem de dentro
de casa e vão se concentrar nos provedores. A área de TI passará a
concentrar profissionais que dominam o negócio e que interagirão com os
provedores de nuvens, como analistas de negócios e arquitetos de
software.

Enfim, muitas mudanças à vista.

É CEO da Litteris Consulting. Profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70, com educação formal diversificada, em Economia, mestrado em Ciência da Computação e MBA em Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial. Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como CIO Magazine, Mundo Java, além do iMasters, e apresenta palestras em eventos e conferências de renome. É autor de sete livros que abordam assuntos como Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado, Cloud Computing e Big data.

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