Banco de Dados

19 fev, 2019

The Velopers #5 | Danielle Monteiro

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O mercado de desenvolvedores de software sempre foi território predominantemente masculino. Apesar disso, as mulheres têm se destacado e conquistado cada vez mais espaço. Nosso community manager, Rodrigo Pokemao, conversou com Danielle Monteiro, no The Velopers #5.

Danielle é Senior Data Archtect, da B3, MongoDB Female Innovator, CEO da WB Soft, professora na BFBiz e autora do DevMedia, possui mestrado em Engenharia da Computação pela USP, MBA em Automação, Tecnologia e Introdução de Dados pela CEETEPS e bacharelado em Processamento de Dados pela FATEC-SP.

Ela ainda participa em diversos projetos e comunidades devs como Minas Programam, Nerdzão, NerdGirlz e Code Like a Girl, além de ser Microsoft MVP e palestrante do TEDx-SP. Danielle falou sobre sua carreira como dev e depois como arquiteta de dados, SQL Server, noSQL, MVP, MongoDB World, comunidades, palestras e muito mais.

Você pode ler, a seguir, trechos da conversa que o iMaster traz com exclusividade para você. Mas, se preferir assistir ao bate-papo completo, basta clicar no vídeo do Canal do iMaster no Youtube, no final da página.

O bate-papo

Pokemao – Como você começou? Quando você se viu trabalhando com TI? O que deu na sua cabeça?

Danielle – Posso te dizer? Eu sou a pessoa mais azarada da face da Terra. Eu queria ser fisioterapeuta. É bem semelhante, né?! Você vê que eu era uma pessoa muito determinada. E um dia, eu fazia cursinho, uma amiga falou “ó, tem uma inscrição aqui para FATEC, você quer?”

Eu olhei e falei “Ah, dá aí, né?”. Não sei o que passou pela minha cabeça, até hoje. Fui fazer a prova. Fiz com muita má vontade. Saí de uma festa para prestar vestibular. Falei assim “ah, se eu vou fazer a prova”…  [vou estudar]… Porque ia ser muito humilhante chegar no cursinho e [alguém] falar, “nossa, você não fez nada…”

Além de prestar vestibular na FATEC (para o curso de Processamento de Dados), Danielle contou que prestou vestibular para fisioterapia na UNESP, UFSCAR e USP. Ela lembrou que chegou a estar na segunda chamada da UFSCAR, em São Carlos. Mas, se conseguisse a vaga, a realidade financeira não a deixaria mudar de cidade.

Danielle – Falei para minha mãe “eu vou passar e vou embora para São Carlos”. Ela retrucou “você não vai, porque eu não tenho dinheiro, você também não… Como você vai viver lá, como você vai se manter?”. Minha mãe era copeira em um hospital, nessa época, e realmente não tinha grana.

Uma semana depois, ligaram da Fatec na minha casa e falaram “você não vai fazer matrícula para faculdade?”. Minha mãe falou “vai e depois você presta fisioterapia”. Eu fui. Nos primeiros semestres, o pessoal se matava com algumas matérias, mas eu não achei difícil. Em Introdução à Logica, a galera sofria, mas eu achei legal.

No segundo semestre, eu ganhei um estágio e eu ganhava mais do que minha mãe. Aí, não tinha mais como eu sair da faculdade e mudar de área. Mas eu fui gostando. Foi uma coisa que foi me encantando. Era legal. Eu chegava nos estágios e me falavam “você vai fazer as telas”. Cara, saía uma pior do que a outra. 

Danielle brincou sobre não ter seguido para a Fisioterapia: “Deus teve piedade dos pacientes, porque com meu jeito delicado, eu ia matar todo mundo”.

A carreira

Em outro trecho da entrevista, Pokemao perguntou sobre a carreira de Danielle:

Pokemao –  Você começou como dev e foi migrando para banco [de dados]. Como foi essa transição?

Danielle – Eu curtia muito a vida de dev, era uma coisa que eu gostava bastante. Logo que eu comecei, eu mexia um pouco com SQL. Meu chefe era doido o suficiente para me deixar… “não, muda essa tela, faz essa consulta”… Então, eu fui pegando um pouquinho do jeito.

Quando saiu o SQL Server 2005, poxa… Arraso! Aquilo era vida. E aí, eu decidi que queria estudar mais banco [de dados]. Eu achei muito legal. Foi me dando mais curiosidade. Nos projetos, tem aquela primeira fase de estagiária onde pegam na mão. Depois tem a fase da estagiária onde você já consegue raciocinar melhor… E na terceira fase, eu acho que eu já tava bem mais direcionada para área de dados, mas eu era dev ainda. Era uma dev que mexia bastante com banco.

Pokemao – E é o que o pessoal faz. Na maioria dos casos, o dev é a pessoa que desenvolve e faz tudo.

Danielle – Até que eu cheguei em um projeto onde eu ia ser DBA. E aí, eu nunca mais voltei a ser dev (ela ri). Cara, na realidade, eu desenvolvo várias gambiarras.

Pokemao – Todo mundo faz isso. Quem nunca? E como DBA, você começou a trabalhar mais com otimização de bancos de dados? Com arquitetura de dados?

Danielle – Eu fazia o projeto do banco e depois eu tava junto com o pessoal de dev para a gente escolher qual ferramenta. Então, eu sempre conhecia bem o projeto para poder ficar me intrometendo na vida alheia [ela ri].

Pokemao – Foi evoluindo e agora você mexe com tudo?

Danielle – Cara, hoje em dia, de vez em quando, eu tenho um “meu, o que eu to fazendo agora mesmo?”.

Arquiteto de dados

Pokemao – E, Dani, uma coisa legal, que eu acho que você percebeu, é que você pegou a transição entre só ter bancos relacionais e os não-relacionais. Como as pessoas perceberam isso?

Danielle – Quando os bancos não-relacionais surgiram, eu já tava trabalhando como arquiteta de dados e falaram “cara, ninguém mais precisa de um arquiteto de dados”… E aí eu decidi pesquisar um pouco. A minha primeira curiosidade era “qual vai ser o meu papel neste novo cenário?”.

Reconhecimentos

Danielle comentou sobre os reconhecimentos na carreira, como os eventos onde foi convidada a palestrar, como o TEDx São Paulo.

“No palco do TEDx, não era eu. Era toda uma comunidade. Toda uma história. Cada passo em direção ao círculo vermelho, tinha a caminhada de uma galera, da Dani que morava no Taboão, que não tinha grana para ir para faculdade, filha de copeira, neta de empregada doméstica… “
– Danielle Monteiro.

Danielle: Aqueles minutinhos antes, eu parei para pensar, eu falei “cara, eu, mulher, negra, vinda da periferia, e todo mundo que vem comigo…”. Então, o TEDx foi uma sensação diferente dos outros. Não foi um frio na barriga, foi um calor. 

Tanto que, eu falo que antes eu tava até calma, justamente porque eu tinha a sensação de estar acolhida por todo mundo que fez parte da jornada. Agora, quando acabou… Todo mundo falava “cara, você tá tremendo!”. Depois de tudo! Mas, foi muito legal.

No fim da conversa, Pokemao desafiou Danielle a descobrir se alguns nomes e termos ditos por ele, seriam bancos de dados ou palavras aleatórias. Quer saber se ela acertou tudo? Assista ao vídeo no fim da página.

Recado inspirador

Danielle ainda deixou um recado para a comunidade de tecnologia:

“Tem que acreditar! Tem que estudar bastante! Estudar não é ruim. Vamos incluir as pessoas. Tecnologia vem para incluir, para melhorar o mundo. A gente precisa trazer outras pessoas, as menos favorecidas, mulheres, negros, as minorias têm que fazer parte da tecnologia… 

É nossa função. Você que tem possibilidade de ir lá, de ensinar, de ajudar? Vamos acolher mais, julgar menos, menos ‘seu código não está bom’. Se o código não está bom, é perguntar se pode ajudar. Se você tem a disponibilidade para ajudar, cabe ao outro ter a humildade de aceitar a sua ajuda. 

Então, eu acho que quando a gente se preocupa em ter mais empatia (isso dentro de todas as comunidades), a gente vai, pouco a pouco, usando a tecnologia para fazer um lugar bem melhor.

Se você quiser assistir ao bate-papo completo, veja a seguir o vídeo do canal do iMaster no Youtube: