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Tags derrubam o mito dos “1500 toques”

Em algum momento, algum novo guru de usabilidade – grifo novo porque a cada momento os holofotes mudam de direção e o que é óbvio torna-se fantástico: a internet é dinâmica, está em constante aprimoramento, seus usos, funcionalidades e ferramentas mudam de uma hora para outra, é claro – delimitou o texto ideal para internet em 1500 toques.

O que na teoria é bonito, na prática é um desastre. O texto pode ter muito menos, ou muito mais. Depende do que se escreve. A flexibilidade da internet nos concede a possibilidade de questionar as regras que surgem a partir das análises de utilização. Se vamos contar a trajetória de uma personalidade histórica importante, vai ser impossível explicar uma saga de 20 anos em 1500 toques. Mas se vamos falar do lançamento de um vídeo-game no próximo semestre, talvez sobrem linhas. Como lidar com isso?

Deixando o questionamento sobre conforto visual de lado (voltamos nisso no próximo artigo), o que devemos ter em mente é a questão do “tempo”, lembrando que somos uma geração oprimida pela escassez de horas no relógio. Se o tempo dos nossos leitores é curto, o que devemos fazer, mais do que contar ou cortar as palavras, é deixar a decisão sobre o que deseja ler para ele.

Podemos escrever textos com 20 mil toques – informativos, claros, objetivos e relevantes – e fragmentá-los, em diversos textos menores, espalhados num texto principal em forma de tags. Para teóricos em comunicação como Derrick de Kerckhove, as tags são o modelo de navegação mais adequado para o método não-linear que usamos atualmente no ciberespaço. “Taguear” é um recurso simples, que permite uma exploração abundante pelo usuário e acaba com o mito do limite dos textos.

Esse é o modelo usado pela Wikipedia, quem não conhece? Todos conhecem, no entanto, só vemos os grandes portais utilizando esse recurso. Além de garantir o direito de escolha do usuário, as tags são importantíssimas nas indexações de busca, incrementando o acervo do site e filtrando os resultados com precisão.

Pela democracia da leitura e pela busca mais eficiente: vamos taguear! (Ops, passei dos limites, já estou com 1.787 toques)

Up the webwriters!

é jornalista e mestre pela UERJ na linha de Novas Tecnologias em Comunicação. Coordenou diversos projetos digitais na área de planejamento e conteúdo como o Portal Mundo Oi, SulAmérica, PUC-RJ, Senac-RJ, HSBC, Bradesco e CBTU. Atualmente é professora da ESPM, UNESA, UCAM, INFNET e iMasters PRO. É pesquisadora pelo CAEPM e consultora da Fundação Roberto Marinho.

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