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O ágil é agora

A mudança em direção à agilidade requer, além de conhecimento das técnicas ágeis, confiança e coragem.

Há quase duas décadas, o mercado vem conhecendo os métodos leves de desenvolvimento de software que, a partir do “Manifesto for Agile Software Development” de 2001, se tornaram conhecidos pelo termo Ágil. Até pouco tempo, discutir sobre qual a melhor técnica para se construir sistemas de software, ágil ou tradicional, gerava bastante polêmica. A resistência aos métodos ágeis deve-se principalmente à quebra de paradigma que eles representam, mas, quando pensamos em projetos inovadores, não há como negar, o ágil virou mainstream e é a resposta mais assertiva para o sucesso do projeto.

Temos visto no mercado a redução cada vez maior do espaço para o desenvolvimento em cascata (Waterfall). Mais do que isso, a geração de valor com software está se deslocando cada vez mais para projetos nos quais agilidade é essencial, já que as mudanças rápidas e constantes exigem repostas com a mesma velocidade. A visão tradicional funcionou muito bem quando o mundo era mais estável, as mudanças mais lentas, mas hoje a dinâmica de negócios é outra. É preciso mudar, e essa mudança é cultural.

A mudança em direção à agilidade requer, além de conhecimento das técnicas ágeis, confiança e coragem. É pensar mais em times de profissionais e em sua interação do que em processos e ferramentas. Engana-se quem pensa que no ágil não existe planejamento, mas software funcionando, testado e implantado é mais importante que documentos.

As vantagens do ágil são muitas, desde maior velocidade e assertividade na entrega de versões funcionais do sistema, até a integração contínua do software (não deixe para descobrir que seu software não funciona no dia da entrega). Mas a grande vantagem está na capacidade de enxergar a mudança como oportunidade, e não a fugir dela. O processo ágil requer o acompanhamento, a troca de ideias e o feedback constante e, por isso, tende a ser mais assertivo no final do projeto.

A grande barreira ainda é a cultura presente nas empresas. Muitos executivos são cobrados e avaliados pela capacidade de planejar projetos e prever o futuro. E se eu te disser que você não precisa prever o imprevisível? No modelo ágil, a construção do projeto é realizada com a demanda encontrada e, com isso, cai muito o retrabalho e desperdício, tanto de tempo quanto de investimento. Muitos softwares presentes no mercado, feitos de maneira convencional, não apresentaram o resultado esperado ou acabaram ficando muito inchados e caros. Afinal, foram planejados com tanta antecedência que no momento da entrega as necessidades eram outras. Um estudo realizado pelo StandishGroup mostrou que 64% das features desenvolvidas nos sistemas são raramente utilizadas ou nunca foram, e 16% delas são utilizadas apenas algumas vezes.

Mas por onde começar? Qual o caminho para ser ágil?

O primeiro passo é olhar para o seu portfólio de aplicações e identificar onde estão as mais inovadoras e que possuem um ritmo de mudança com maior velocidade. Assim, você quebra as aplicações em camadas e concentra na camada de inovação a agilidade. Com os resultados do ágil nessa primeira etapa, fica mais fácil apresentar o método para as outras áreas da empresa e elevar o conhecimento e maturidade do ágil.

Hoje o cuidado na entrega de um software vai além. As expectativas dos clientes são outras, já que aumentou também seu contato com a tecnologia. Antigamente, os softwares eram mais utilizados em meios corporativos, e atualmente usamos softwares para tudo, desde o ambiente de trabalho às atividades pessoais. Com isso, mudou a experiência do usuário que agora exige mais qualidade do produto.

O ágil foi estereotipado e ainda existe a mentalidade de que fazer rápido é fazer mal feito. Mas, ao contrário disso, estamos falando da facilidade de gerir mudanças de prioridades, do melhor alinhamento entre as áreas de TI e negócio e da redução do tempo de inserção do software no mercado. Para ser ágil, são necessárias pessoas capacitadas que desenvolvam com qualidade, profissionalismo e responsabilidade. É mais do que estar funcionando, é o software bem trabalhado – o Software Craftmanship. Se o que você fez até agora não funciona mais, não se torne obsoleto, e não deixe que o medo do novo impeça a evolução do seu negócio.

é Diretor de Tecnologia da Dextra, formado em Ciência da Computação pela Unicamp e MBA em Marketing pela ESPM. Com mais de 20 anos de experiência em tecnologias web, inovação e desenvolvimento de software, é estudioso de tecnologia, metodologias ágeis e lean startup. É também referência em modelos inovadores de gerenciamento de empresas, management 3.0 e Business ModelInnovation.

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