Acessibilidade

30 mai, 2012

Por que devo estudar acessibilidade digital?

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Ao falar em acessibilidade, logo nos vem à cabeça a palavra acesso e, realmente, acesso tem tudo a ver com acessibilidade. Mas o que se pode entender por acessibilidade? Quais são suas primícias? E seus benefícios? Por que profissionais de TI devem estudá-la? É exatamente para respostas a essas perguntas que esse texto é direcionado.

O que é acessibilidade digital?

Primeiramente, é importante dizer que acessibilidade está relacionada com fornecer condição para utilização, com segurança e autonomia (total ou assistida) dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte, dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação.

De forma análoga, acessibilidade digital remete à acessibilidade no ambiente virtual, sendo que “acessibilidade na web significa que qualquer pessoa, utilizando qualquer tipo de tecnologia de navegação – navegadores gráficos, textuais, especiais para sistemas de computação móvel, etc. – deve ser capaz de visitar e interagir com qualquer site, compreendendo inteiramente as informações nele apresentadas” (DIAS, Cláudia. Usabilidade na Web – criando portais mais acessíveis. RJ: Alta Books, 2003). Em sua concepção inicial, a acessibilidade estava ligada a indivíduos portadores de deficiência, entretanto sua amplitude tem se estendido a qualquer barreira que possa inviabilizar o acesso a qualquer pessoa. Diante disso, vejamos agora alguns dos motivos que impelem o estudo da acessibilidade por parte dos profissionais de TI.

Grande número de pessoas com deficiência

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por meio do censo realizado em 2000, a população brasileira possui 14,5% de portadores de deficiência. Destes, 48,1% (que constituem 16,6 milhões de pessoas) são deficientes visuais (150 mil se declaram cegos), 27,1% com deficiência física, 16,6% com deficiência mental e 8,2% com deficiência auditiva.

Maior visibilidade no Google

É de conhecimento que diversos buscadores, dentre eles o Google, levam em consideração a organização do conteúdo das páginas web. Por exemplo, se uma página apresenta imagens sem texto alternativos (tag alt), conteúdo não estruturado de acordo com o grau de importância (tags title, h1, h2, h3)”, frames sem página alternativa (através do elemento “noframe”) e etc, essa página tende a ser classificada com menor relevância em comparação a outra que segue os padrões de acessibilidade. Ou seja, uma boa acessibilidade também contribui para uma boa visibilidade em sistemas de busca.

Valorização da cauda longa

Não é intuito deste texto o aprofundamento no estudo da teoria da Cauda Longa mas, de forma simplificada, podemos dizer que a Cauda Longa remete à força das minorias. Considerando que um pequeno grupo insolado tende a não ser muito relevante em relação ao todo. Entretanto, um conjunto de pequenos grupos possui uma relevância significativa. Esse conceito ganhou força com a expansão da Internet e é baseado nisto que muitas lojas virtuais estão se sobressaindo (a Amazon.com é uma prova disso), pois também disponibilizam produtos dedicados as minorias. Mas o que quero dizer com isto? Quero dizer que se você atender somente a população de deficientes auditivos, talvez seu retorno não seja expressivo, mas atendendo a população de deficientes auditivos, visuais, físicos… a probabilidade de retorno expressivo pode crescer consideravelmente.

(Imagem retirada do artigo “O que é Web 2.0?” acessado aqui)

Conformidade com o decreto de lei 5296

O Decreto-lei 2596, de 2 de dezembro de 2004, também conhecido como Lei de Acessibilidade, tem por finalidade regulamentar o atendimento a indivíduos com deficiência em diversos aspectos, dentre estes o de comunicação e informação. Sendo que portais e sites da administração pública são obrigados a se tornarem acessíveis para o uso das pessoas portadoras de deficiência visual. Logo, se você trabalha em projetos web para o governo, estes projetos devem ser acessíveis.

Proteção contra processos

O primeiro caso oficial de processo motivado por acessibilidade digital foi direcionado ao Comitê de Organização dos Jogos Olímpicos de Sydney. Na ocasião, Bruce Lindsay Maguire processou o comitê pela falta de acessibilidade em seu site. O fato é que atualmente vários países possuem leis específicas que tratam a questão da acessibilidade: na Inglaterra existe a DDA; nos EUA, a ADA e a Seção 508 e na Austrália, a DDA. Assim sendo, seguir os padrões de acessibilidade reduz significavelmente o risco de eventuais processos.

Conclusão

A acessibilidade digital tem ganhado força nos últimos anos e tudo leva a crer que este é um caminho sem volta. Particularmente, acredito que de forma semelhante ao crescimento das políticas de sustentabilidade, salvo as devidas proporções, a acessibilidade chegará a um patamar de relevância significante. De modo que é impraticável ignorar as consequências e implicações que tão assunto sugere.