Um projeto de pesquisa desenvolvido na região amazônica resultou na criação de um software de inteligência artificial voltado à identificação de possíveis atrasos no desenvolvimento infantil. A iniciativa foi fomentada pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas e executada pela Fundação Guamá, com participação de pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia.
Denominado Sistema Inteligente para a Promoção do Desenvolvimento Infantil (SDIA), o projeto foi estruturado para apoiar profissionais da educação, saúde, além de pais e cuidadores, na avaliação de crianças durante a primeira infância. A ferramenta pode ser acessada por qualquer dispositivo com conexão à internet, sem necessidade de instalação.
O sistema foi desenvolvido com base em diretrizes públicas, incluindo o Manual de Crescimento do Ministério da Saúde e a Caderneta da Criança, utilizada no Sistema Único de Saúde. A partir de um conjunto de perguntas e respostas, a plataforma utiliza inteligência artificial para indicar se o desenvolvimento da criança está dentro do esperado, em estado de alerta ou com sinais de atraso.
A proposta busca ampliar a capacidade de identificação precoce de possíveis déficits, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, onde o acompanhamento médico pode ser irregular. Nesses casos, a ferramenta pode contribuir para orientar encaminhamentos e intervenções mais rápidas.
Durante o desenvolvimento, o projeto incluiu ações de capacitação em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Pará. Profissionais de uma unidade de educação infantil participaram de treinamentos sobre desenvolvimento infantil e uso da tecnologia, além de aplicarem testes com crianças em ambiente escolar. Os resultados das avaliações são registrados no sistema e podem ser consultados posteriormente.
Após cerca de dois anos de pesquisa, a iniciativa gerou publicações científicas, um software registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial e um aplicativo em formato de protótipo. Segundo os responsáveis, a solução pode ser adaptada para uso em redes de ensino, unidades de saúde e serviços de assistência social.
Inicialmente, a ferramenta está disponível gratuitamente para professores, com possibilidade de expansão para outros públicos. A expectativa é que o uso da tecnologia contribua para a identificação mais rápida de crianças que necessitam de acompanhamento, favorecendo o acesso a suporte adequado ainda nos primeiros anos de vida.



