Arquitetura de Informação

8 mar, 2019

Mulheres ainda são minoria, mas têm participação cada vez maior na tecnologia

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A presença de mulheres na tecnologia não é algo recente. Muito pelo contrário; elas sempre tiveram uma participação fundamental em todo o processo do desenvolvimento tecnológico, mesmo estando em menor quantidade na área, ou tendo sua participação invisibilizada pela História.

Mas ainda que em constante crescimento, esses números continuam baixos; bem aquém da capacidade e do valor de contribuição delas para o mercado. De acordo com o estudo “Por um Planeta 50-50: Mulheres e meninas na ciência e tecnologia”, realizado no ano passado pela Serasa Experian em parceria com a ONU Mulheres, elas são minoria nos cursos de ciências e tecnologia nas faculdades e correspondem a apenas 17% do total de programadores. No Brasil, hoje, apenas 15% das matrículas nos cursos de tecnologia são feitas por mulheres.

Uma pesquisa da Harvard Business Review apontou que 41% das mulheres que atuam na área de tecnologia desistem de suas carreiras. Entre os homens, esse número cai para 17%.

Mudar esse cenário é urgente. É preciso trabalhar para um mercado mais igualitário e equilibrado. Até porque, equipes mais diversas tendem a ter melhor desempenho, maior resistência à corrupção, percepção de mudanças de cenário e empatia com clientes de perfis variados. A descoberta foi feita pela consultoria McKinsey and Co., em seu estudo de 2018, realizado em 12 países.

A pergunta mais frequente nesse momento é: como começar a traçar essa mudança? É preciso empenho de empresas, faculdades, comunidades e dos próprios desenvolvedores. Criar programas de incentivo, priorizar mulheres, contar a história das que vieram antes… Abrir caminhos e possibilitar a caminhada delas é a única forma de equilibrar esses ambientes predominantemente masculinos.

Neste dia internacional da Mulher, por mais que pareça clichê falar sobre a presença feminina (ou a falta dela) nestas áreas, é preciso fazê-lo. E com isso, trazemos, hoje, alguns grandes nomes da História que precisam ser sempre (e cada vez mais) divulgados. Porque se hoje estamos onde estamos, é porque elas vieram traçando o caminho junto a tantos outros profissionais.

O primeiro grande nome

Essa busca por representatividade tem um marco histórico inicial chamado Ada Lovelace. Em 1843, Augusta Ada King, a Condessa de Lovelace, traduzia textos de Luigi Menabrea, um matemático italiano, que abordava as ferramentas analíticas usadas por Charles Babbage, um matemático inglês. Esse trabalho é considerado o primeiro algoritmo criado na história, muito antes da existência de máquinas para processar esses números.

Ada foi uma das precursoras das ciências da computação. Seu trabalho estava relacionado à metodologia de cálculo. Mas Ada não tinha máquinas para comprovar seus estudos. Quando os equipamentos surgiram, depois da morte dela, o algoritmo de Ada foi reconhecido como correto.

Outras mulheres

Irmã Mary Kenneth Keller é considerada a primeira mulher a receber, em 1965, um doutorado em ciências da computação. Conta a história que ela já trabalhava em oficinas de informática, antes mesmo do diploma, quando o assunto ainda estava no início. É reconhecida por ter participação fundamental na criação da linguagem de programação BASIC e teria enxergado desde cedo o potencial dos computadores como ferramenta educacional e para desenvolvimento humano.

Jean Sammet obteve um PhD em ciências da computação em 1968, três anos depois da Irmã Keller. Sammet foi a criadora de uma das primeiras linguagens de computação existentes. O FORMAC entrou em uso no final dos anos 1960 por meio da IBM e era usado para manipular fórmulas matemáticas e auxiliar em cálculos complexos.

Grace Hopper foi a primeira mulher a se formar na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, em matemática, além de ter sido a primeira almirante da marinha dos EUA. No setor de tecnologia, ela foi uma das criadoras do COBOL, uma linguagem de programação para bancos de dados comerciais.

Ela ficou famosa também por popularizar o termo “bug”, para indicar problemas em software. Diz a lenda que Grace teria resolvido um problema de processamento de dados ao remover uma mariposa que estava criando ninho dentro de um computador. Ao tirar o inseto, realizou um “debugging” e mais tarde a expressão foi abreviada para Bug.

Karen Sparck Jones foi uma das criadoras do conceito de “inverso da frequência em documentos”, o início do que se conhece sistema de busca e localização de conteúdo. Era um sistema de recuperação de informações para minerar de maneira rápida os dados em um conjunto de documentos. Ela desenvolveu seus estudos entre os anos de 1974 e 2002, quando se aposentou.

Quem faz a História hoje

A organização Women in Tech fez uma pesquisa, no ano passado, que revelou que mesmo com a desigualdade salarial, o preconceito e o machismo, as jovens de hoje têm 33% mais predisposição para estudarem ciência da computação, na comparação com as que nasceram até meados dos anos 1980.

Alda Rocha é um dos nomes desse mercado que faz diferença atualmente. Ela está na área há cerca de 20 anos, é UX researcher, UX writer e criou o Codamos, um projeto que tem o objetivo de dar voz e promover a inclusão das mais diversas minorias do mundo dev, por meio da representatividade.

Evelyn Mendes também sempre lutou por inclusão e contra o preconceito. Ela é a primeira mulher trans gaúcha a retificar o nome no cartório, em Porto Alegre, onde nasceu. Há 17 anos na área de TI, hoje tem 44 anos de idade e, na bagagem, histórias de sobrevivência. Já sofreu inúmeras ameaças desde que revelou sua mudança de sexo. O amor por TI começou com 17 anos de idade, quando ainda usava a identidade e aparência masculinas. Com a transformação interior e de visual, perdeu relações de amizade e até o emprego.

Em 2016, foi contratada pela empresa norte-americana Thoughworks, uma companhia que tem como cultura o respeito pela diversidade e é atual desenvolvedora da DBServer. Hoje, tem sido um exemplo de resistência e superação no mercado para tantas pessoas que também buscam seu espaço no setor.

Rosalba Monteiro é uma das idealizadoras do projeto Afropython, que é um grupo criado por iniciativa de profissionais de TI e Recursos Humanos de Porto Alegre. O objetivo dele é incentivar o ingresso e empoderamento de pessoas negras na área da tecnologia. Os negros são minoria no sul do país; e em todo Brasil são a base da pirâmide social, pouco encontrados no setor de TI.