Generative AI

2 fev, 2026

Inteligência artificial na área de programação: risco aos programadores?

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Os impactos da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho estão entre os pontos mais controversos quando o assunto é inovação, economia e sociedade. De um lado, estimativas como a da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam perda de 92 milhões de empregos. O Fórum Econômico Mundial, por sua vez, avalia que o dobro dos postos extintos serão criados.

Uma das atividades econômicas que mais tendem a sentir efeitos é justamente a de tecnologia. Nela, há uma dúvida recorrente: a IA vai substituir programadores?

Em uma boutique brasileira de desenvolvimento de softwares, que inclusive atende clientes do exterior e em 2026 vai expandir sua atuação nos Estados Unidos, a Codeminer42, a avaliação não é fatalista.

“O programador que apenas escreve código, este sim está ameaçado pela inteligência artificial. Mas engenheiros de software, cujas competências vão além da escrita de códigos, esses não só não serão substituídos pela IA como terão ainda maior relevância no novo cenário”, considera o sócio e gerente de desenvolvimento de negócios da empresa, Carlos Lopes.

Carlos Lopes, sócio e gerente de desenvolvimento de negócios da corporação da Codeminer

Ele enfatiza que a engenharia de software tem atribuições estratégicas que demandam justamente o que a IA não alcança: inteligência humana. Além de projetar, desenvolver, testar, aplicar e manter softwares, os engenheiros de software devem ter visão para abordagem de problemas, relevância de soluções e, especialmente, visão de negócio. “São predicados fundamentais, não contemplados pela IA”, sublinha.

Lopes compara: “as linhas de código se tornaram uma espécie de commodity. Para além da escrita de códigos, temos a necessidade de raciocínio lógico e de análise de contexto. Estas são as partes mais importantes da arquitetura de software. Aliás, é nisto que nos focamos”, afirma, fazendo referência ao trabalho desenvolvido pela Codeminer42.

Uma das estratégias da empresa, inclusive para obter crescimento sustentável, está em identificar talentos brasileiros na área de programação, capacitando-os para assumir atribuições relevantes. Atualmente, a Codeminer42 conta com um quadro de 80 desenvolvedores, com meta de ultrapassar os 100, “sem perder a excelência técnica”. A maior parte está alocada em projetos de empresas de fora do Brasil (sobretudo dos Estados Unidos).

“É certo que, em algumas atividades econômicas, empresas têm reduzido equipes de tecnologia devido ao avanço da IA. Porém, na área de desenvolvimento de sistemas, a demanda [por profissionais] tem crescido, especialmente por especialistas que possam integrar e implementar a IA nos produtos dos clientes. Nesse cenário, o padrão de exigência dos clientes, para contratação de programadores e desenvolvedores, está mais elevado”, pontua.

Entender de relações humanas tem sido um requisito essencial. “Um bom profissional de programação deve ter um bom relacionamento com os colegas, saber lidar com pessoas não técnicas e ser capaz de traduzir a parte técnica para essas pessoas, além de entender as demandas e trazê-las para o software”, exemplifica. “Saber lidar com mudanças de rota e descontinuação de projetos é crucial, pois muitos desenvolvedores se apegam ao código que escreveram”, acrescenta.

Logo,  são fundamentais habilidades como comunicação, organização, saber o que priorizar e administrar imprevistos. “O engenheiro de software deve se envolver na parte de produto, trabalhando mais próximo dos product owners e gerentes de produto.”

Para as empresas, o especialista aponta que avaliações periódicas são importantes para acompanhar a evolução técnica dos colaboradores e identificar, de forma objetiva, os pontos em que há estagnação e necessidade de aprimoramento. Iniciativas como mentorias, treinamentos internos, workshops e grupos de estudo contribuem para a capacitação contínua das equipes — um fator essencial para acompanhar o ritmo das inovações e das transformações do mercado.