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13 dez, 2023

Empresas de TI da América Latina terão crescimento mais estável em 2024 do que EUA, segundo IDC

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As perspectivas para o mercado de empresas de TI na América Latina a partir de 2024 são bastante positivas, já que se prevê um crescimento de 5% do setor, acompanhado do fortalecimento de diversas tecnologias e com impacto no produto interno bruto (PIB) da região, que impulsionando um crescimento positivo. Os dados foram apresentados no IDC FutureScape: Latin America IT Industry Predictions 2024 pela IDC, líder em inteligência de mercado, serviços de consultoria para os setores de Tecnologia da Informação e Telecomunicações.

De acordo com as previsões da IDC, a indústria de TI (sem contar dispositivos) terá um crescimento de cerca de 11%, bastante positivo no ambiente atual. “Crescer 11% em 2024 é sem dúvida um marco importante nas perspectivas que os usuários finais terão em relação a determinadas tecnologias”, afirma Alejandro Floreán, vice-presidente de Consultoria e Estratégia da IDC América Latina.

Quanto ao crescimento da indústria de TI nos diferentes países da região, a Argentina crescerá 7%; enquanto o México, depois de um aumento de 22% em 2023, crescerá apenas 10% no próximo ano. Por sua vez, o Brasil crescerá 12%; enquanto o Peru e o Chile terão um crescimento de 11% respectivamente. O panorama é bastante promissor em comparação com países que têm uma economia mais estável e madura, como os EUA, que crescerão apenas 9% em 2024.

Empresas de TI em 2024

10 previsões da IDC para o mercado latino-americano de TI e Telecomunicações, a partir de 2024, são:

1. Maior investimento em iniciativas de Inteligência Artificial

Até 2027, as 5.000 maiores empresas da América Latina dedicarão mais de 25% de seus principais gastos com TI a iniciativas de IA, impulsionando um aumento de dois dígitos na taxa de inovação de produtos e processos.

O resultado dessas iniciativas se refletirá na satisfação dos clientes, melhorando assim a geração de renda. No que diz respeito à automação robótica de processos (RPA), o impacto será sentido através da otimização dos fluxos de trabalho, reduzindo erros e melhorando a eficiência operacional, como é o caso dos Chat Bots. A gestão de dados será de extrema importância na implementação destas ferramentas.

“Quando pensamos no impacto na TI, é muito importante pensar que haverá um foco na gestão de dados, uma vez que a confiabilidade e a objetividade dos modelos serão impactadas diretamente pela qualidade da informação que implementarmos nesses modelos” diz Diego Anesini, vice-presidente de Dados e Análise da IDC América Latina.

2. A IA vai gerar mais possibilidades, embora também algumas dificuldades

Com os fornecedores de tecnologia dedicando 50% dos investimentos em P&D, pessoal e CAPEX à IA/Automação até 2026, os CIOs terão dificuldade para alinhar a seleção de fornecedores e as prioridades das operações de TI com os novos casos de negócios.

Até 2026, poderá haver uma lacuna relevante entre a oferta de oportunidades de IA e a capacidade de adaptação do mercado, impactando tudo, desde dispositivos e software até centros de dados. Em alguns casos, a IA ultrapassará mesmo a nuvem como motor de inovação, continuando a ser um eixo fundamental na indústria de TI. Portanto, haverá uma maior oferta na criação e aprimoramento de ferramentas que ajudarão uma organização a ser mais competitiva, gerando um possível risco de perda de custos e controle de dados.

Por esta razão, recomenda-se às empresas que solicitem a seus fornecedores de TI planos de formação sobre novas ofertas, estabeleçam regras claras na utilização de dados, código e consumo e, finalmente, que estabeleçam um centro de excelência em IA para estudar a evolução da oferta e o impacto na organização.

3. Aumento do custo da infraestrutura e do acesso à informação

Até 2027, um terço das empresas enfrentará custos incertos de infraestrutura e acessibilidade, o que levará a medidas provisórias que tornarão mais difíceis de alcançar os objetivos de economia da nuvem e da logística de dados.

O custo da infraestrutura e do acesso à informação será um desafio para as organizações, pois gerará maior pressão para mudanças nos planos de negócios e restrição de investimentos em recursos. Adicionalmente, pode haver risco de acumulação de dívida tecnológica, devido às fortes mudanças e CAPEX necessários para os processadores.

“Será muito importante ter controle de custos para manter uma relação razoável entre o investimento e o seu retorno”, afirma Diego Anesini.

4. Expansão dos portfólios de dados

Em 2024, os fornecedores de todo o espectro de hardware, software e serviços expandirão agressivamente os seus portfólios de dados privados e de código aberto, tornando as decisões de parceria estratégica mais instáveis.

Para o C-Level, os dados serão de grande importância para desenvolver casos de uso de IA generativa ou expandi-la na organização. Os Large Language Models (LLM), bem como os dados, serão ativos muito importantes ao avaliar quanto vale uma empresa. Alguns fornecedores de tecnologia estão expandindo seu portfólio de dados para setores específicos que possuem presença tecnológica.

A recomendação da IDC é priorizar o uso de dados internos e de terceiros e diretrizes de compartilhamento para todos os dados de negócios gerenciados pela organização, garantindo acesso de longo prazo a tais informações.

5. Baixo financiamento em habilidades de TI

Até 2027, o financiamento abaixo do ideal de iniciativas de competências em comparação com os gastos em produtos/serviços impedirá que 75% das empresas obtenham o valor total dos investimentos em IA, nuvem, dados e segurança. Isto faz com que as empresas continuem a ter dificuldades na hora de procurar pessoas com as habilidades certas para as funções certas.

84% dos profissionais de TI no mundo todo reconhecem que a formação em TI é um imperativo estratégico e o investimento em formação não está indicando um crescimento exponencial em termos de gastos investidos em tecnologia. Pietro Delai, diretor de Soluções Empresariais da IDC América Latina, comenta que “ironicamente, será a IA generativa que ajudará as empresas a treinar trabalhadores tecnológicos de uma forma muito mais eficiente”. Consequentemente, “é essencial promover uma cultura de aprendizagem dentro da organização”.

6. Novas funções para IA

Até 2028, 35% dos compromissos de serviços incluirão entrega habilitada por IA generativa, desencadeando uma mudança de serviços prestados por humanos para estratégia, mudança e treinamento para preparar as organizações para a ‘AI Evereywhere’.

Haverá novas funções para os fornecedores de IA: a função de consultor, que deve identificar casos de uso e será tão relevante quanto a de consultor de negócios, devido à importância que a IA agregará ao negócio até 2028; a função de gestor, que deve desenvolver habilidades em equipe e administrar mudanças; e por fim, o papel de sentinela, para avaliar riscos, possibilidade de viés, toxicidade do processo, vazamento de dados e direitos autorais.

As empresas devem avaliar a experiência e a abordagem dos seus prestadores de serviços para aproveitar ao máximo o alinhamento da IA ​​generativa com o negócio. “A implementação da IA ​​não deve sistematizar o que existe, mas sim beneficiar as mudanças”, afirma Delai.

7. A importância da automação

Até 2027, 80% da infraestrutura, da segurança, dos dados e das aplicações dependerão de plataformas de controle avançadas para a prestação coordenada de serviços baseados em IA, mas apenas metade das empresas as utilizará de forma eficaz.

Uma das mudanças mais significativas em TI é a expansão da entrega de tecnologia como serviço: software, hardware e serviços, tornando mais necessário o uso de ferramentas avançadas de controle para melhorar a resiliência dos negócios digitais, reduzindo a sobrecarga operacional.

Delai ressalta que “o crescimento da equipe operacional não vai resolver os problemas, por isso a automação deve ser sempre considerada um ponto chave”.

É aconselhável reorientar as práticas operacionais de TI para o desenvolvimento de competências estratégicas que serão importantes para trabalhar de forma otimizada com a automação.

8. Mais atenção aos mercados mal atendidos por meio da IA

Até 2026, todas as novas marcas, produtos e serviços de TI direcionados a segmentos de clientes/pessoas mal atendidas serão baseados na forte integração de diversos serviços de IA que oferecem novos recursos a custos mais baixos.

Novos sistemas de informação integrados com IA terão como alvo segmentos pouco atendidos pelas empresas, melhorando assim a experiência e a automação, proporcionando maior eficiência e impacto nos custos operacionais. Isso causará uma conexão com diferentes segmentos de mercado que não são atendidos regularmente.

Alejandro Floreán menciona que “a governança de dados e uma estrutura mais eficiente serão fundamentais para o sucesso do negócio. Buscar plataformas integradas, e não isoladas, e de forma transparente, é um bom caminho.”

Um aspecto relevante é que faltam talentos para trabalhar com IA e sua integração com diversos serviços que atendem esses segmentos. Esta será uma das principais barreiras para alcançar a integração total e completa dos serviços de TI nas empresas.

9. Empresas de TI – Novas experiências e casos de uso

Até 2027, 40% das 5.000 maiores empresas da América Latina aproveitarão experiências onipresentes, análises de ponta e IA generativa para permitir que os clientes criem suas próprias experiências, melhorando o resultado e o valor desejados pelos clientes.

“Toda a inteligência gerada, quando bem analisada, permitirá a criação de novas experiências e casos de uso que talvez não existam atualmente. Estudar e investir estrategicamente em serviços generativos de IA terá um grande impacto nas diferentes equipes de uma organização. Ter uma priorização para a proteção da privacidade dos dados, tanto de clientes como de parceiros de negócios, será definitivamente um aspecto muito importante a considerar no próximo ano”, destaca Floreán.

10. Empresas de TI – Conectividade será essencial

Até 2028, 20% das 5.000 maiores empresas da América Latina integrarão conectividade via satélite na órbita baixa da Terra, criando uma estrutura unificada de serviços digitais que garanta acesso onipresente e resiliente e garanta fluidez de dados.

A criação de novas aplicações inteligentes que serão geradas como parte de toda esta explosão, não apenas derivadas da IA ​​generativa, mas também da tendência de ‘near shoring’ em alguns países latino-americanos, estará gerando novas aplicações inteligentes que talvez exigirão menor latência para poder operar corretamente.

“A conectividade será essencial para que todas essas previsões se concretizem. Para implementar um ecossistema de conectividade, deve ser fundamental que as empresas alinhem diferentes estruturas e serviços para garantir a fluidez dos dados”, conclui Floreán.