A empresa de tecnologia Leia deve apresentar no Mobile World Congress, que acontece na próxima semana em Barcelona, um protótipo de display capaz de produzir imagens coloridas em 3D a partir de 64 diferentes pontos de vista sem a necessidade de óculos especiais.
A chave para a tecnologia é uma invenção que aproveita os avanços na capacidade de controlar os caminhos da luz em nanoescala. David Fattal, fundador da Leia, explicou o conceito chamado de “backlight multiview” em uma revista especializada há dois anos, quando trabalhava no HP Labs em um projeto que utilizava interconexões ópticas para trocar informações codificadas em forma de luz entre computadores. Na época, ele percebeu que a tecnologia também poderia ser utilizada para exibir imagens holográficas.
As interconexões ópticas dependem de estruturas nanométricas chamadas de redes de difração, que fazem com que os raios de luz que impactam nelas viagem em direções específicas, dependendo do ângulo que chegam. O pesquisador percebeu que em vez de usar as redes para enviar luz através de um cabo de transmissão de dados, eles poderiam ser projetados para enviá-la em direções prescritas no espaço, o que é a base de um display 3D holográfico. A ideia foi aprimorada para que a qualidade da imagem fosse melhor e para que os hologramas pudessem sair de um display convencional de LCD.
Cada visor padrão de LCD tem um componente chamado ‘luz de fundo’, formado por duas partes: uma fonte de luz e uma guia de luz feita de plástico e conectada à primeira. A guia direciona a luz para os pixels do monitor, e as imagens aparecem no display enquanto o LCD bloqueia seletivamente quantidades variadas de luz em cada pixel.
A empresa substituiu o guia de luz padrão para um mais sofisticado, que tem grades em nanoescala. O novo componente consegue controlar melhor a direção percorrida pela luz antes que ela chegue ao conjunto de pixels. Em vez de orientar toda a luz de maneira uniforme, ele pode direcionar um único raio de luz para determinado pixel da tela.
O LCD é configurado para enviar 64 imagens diferentes, cada uma produzida por 1/64 dos pixels disponíveis, e misturá-las de uma maneira que faz com que o cérebro do espectador perceba um holograma sem costura. O processo reduz um pouco da resolução, o que pode torná-lo um desafio para aplicar para telas maiores, mas os dispositivos móveis de hoje têm uma resolução tão alta que os telespectadores não vão notar, explica um especialista.
A tela deve ser lançada no fim do ano no mercado asiático. Desenvolvedores que desejarem converter gráficos e animações 3D para a plataforma podem utilizar um pacote de ferramentas disponibilizado pela empresa Leia.
Abaixo, o projeto em ação:
http://youtu.be/JGR03TzZONA
Com informações de Olhar Digital



