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Crise no Irã acelera “Corrida por soberania computacional”

A escalada das hostilidades no Oriente Médio, marcada por ataques a infraestruturas críticas… avanço da Inteligência Artificial (IA)…soberania de dados.

Crise no Irã acelera “Corrida por soberania computacional”
Imagem: Redação iMasters

A escalada das hostilidades no Oriente Médio, marcada por ataques a infraestruturas críticas e pela instabilidade no Estreito de Ormuz, acendeu um alerta na indústria tecnológica global. O que até pouco tempo era uma corrida comercial impulsionada pelo avanço da Inteligência ArtificialInteligência artificial440 conteúdosUX e IA: Transformando Experiências Digitais com Inteligência ArtificialProduto & UX · jan 2025MCP: O que é e por que você vai ouvir falar disso em breve?AI · jul 2025IA generativa e a urgência de reconstruir nossa relação com a verdadeAI · jun 2025Ver tudo em AI (IA) começa a se transformar em uma disputa estratégica por resiliência energética e soberania de dados.

Pela primeira vez na história recente, grandes regiões de nuvem pública, as chamadas Availability Zones, operam em áreas próximas a zonas de conflito ativo. O ataque com drones a instalações de datacenters de hiperescala na primeira semana do confronto reforçou o temor de analistas: essas estruturas deixaram de ser ativos comerciais neutros e passaram a ser consideradas infraestruturas estratégicas.

“Estamos presenciando o fim da era da nuvem onipresente sem rosto. Agora, a localização física de um data centerLeia tambémCorrida global por infraestrutura digital: o que vem depois dos grandes investimentos em data centersAI · mar 2026 importa tanto quanto o código que ele executa”, afirma Eduardo Menossi, sócio fundador do Grupo EBM, especializado na construção de data centers na América Latina. “A guerra no Irã não apenas encarece a energia, mas força uma reconfiguração completa da geografia digital mundial”, completa.

Esse novo cenário já começa a impactar diretamente três frentes críticas da indústria tecnológica global.

Pressão energética sobre a IA
Com a volatilidade do preço do petróleo e as ameaças ao fluxo de gás natural liquefeito no Golfo, o custo de operação de data centers voltados para IA aumentou significativamente em mercados dependentes de importação de energia. Estimativas indicam que essas infraestruturas já respondem por cerca de 3% do consumo global de eletricidade, um volume que tende a crescer com a expansão dos modelos de IA de larga escala.

Redirecionamento de investimentos globais
Projetos bilionários originalmente planejados para o Oriente Médio começam a ser reavaliados. Investidores e empresas de tecnologia passam a priorizar regiões consideradas mais estáveis do ponto de vista geopolítico e energético. Países como Brasil, Canadá e nações nórdicas surgem como potenciais polos de expansão da infraestrutura digital, combinando disponibilidade de energia renovável e menor exposição a conflitos internacionais.

Infraestruturas mais resilientes
Outro movimento já perceptível é a mudança nos projetos de engenharia de data centers. A prioridade, antes concentrada em eficiência operacional, passa a incluir critérios mais rígidos de segurança física e redundância energética. Modelos de arquitetura com múltiplas zonas de disponibilidade e sistemas de contingência reforçados deixam de ser diferenciais técnicos e passam a ser considerados requisitos básicos de continuidade de operação.

Além dos impactos diretos na infraestrutura digital, a crise também adiciona pressão à já fragilizada cadeia global de tecnologia. Tensões geopolíticas e gargalos logísticos vêm ampliando prazos de entrega de componentes estratégicos, como GPUs de alto desempenho utilizadas no treinamento de modelos de inteligência artificial.

Para Hudson Mendonça, vice-presidente de Energia e Sustentabilidade da MIT Technology Review no Brasil, o conflito também precisa ser observado pela óptica do equilíbrio energético global.

“A escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel coloca em risco uma das principais rotas energéticas do mundo. O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo, e qualquer instabilidade nessa região impacta diretamente cadeias industriais altamente dependentes de energia, como datacenters e inteligência artificial”, afirma.

Segundo ele, o impacto pode ser especialmente sensível para economias com alto crescimento de consumo energético. A China, por exemplo, consumiu mais de 10 mil TWh de eletricidade em 2025, com projeções de aumento impulsionado pela expansão de data centersLeia também5G requer maior investimento na expansão de data centersDev (Back & Front) · out 2022 e da indústria de tecnologia. Nos Estados Unidos, a demanda por energia também cresce rapidamente, puxada pela corrida por infraestrutura de IA.

“Estamos entrando em uma fase em que energia, tecnologia e geopolítica passam a estar completamente interligadas. A expansão da inteligência artificial dependerá cada vez mais da estabilidade das cadeias energéticas globais”, completa Mendonça.

Diante desse cenário, especialistas apontam três possíveis desdobramentos para os próximos anos: a redistribuição global da infraestrutura de datacenters, o fortalecimento de estratégias nacionais de soberania digital e uma corrida por novas fontes de energia capazes de sustentar o crescimento exponencial da inteligência artificial.

Aqui a gente pode por uma fala da EBM e depois fechar com uma do Hudson falando dos próximos caminhos. Ambas nesse caminho, o que acham?

Sobre o Energy Summit

Organizado em parceria com o MIT, o Energy Summit é o principal evento de inovação e empreendedorismo em energia e sustentabilidade, que acontece anualmente no Rio de Janeiro. Conecta os maiores nomes da transformação energética e sustentabilidade, incluindo C-levels de grandes empresas e deep techs, autoridades governamentais, palestrantes internacionais, reitores de universidades e centros de pesquisa, que juntos lideram debates essenciais para acelerar o futuro da energia.

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