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23 mar, 2026

Cripto: fraudes sofisticadas e regulação forte faz operadores priorizarem segurança sobre crescimento

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A ideia de que o crescimento do mercado cripto deve vir a todo custo ficou para trás. Esse é um dos insights do relatório State of the Crypto Industry 2026, publicado pela plataforma de verificação de ciclo completo Sumsub e revelando que 74% dos operadores do setor estão privilegiando o compliance e o combate às fraudes, priorizando a segurança e assertividade de seus sistemas de verificação em vez da velocidade no onboarding de usuários.

A mudança de postura em um cenário reconhecido pela agressividade na aquisição de clientes aparece, curiosamente, em um contexto de declínio na taxa de fraudes. A proporção global de fraudes entre todas as tentativas de verificação permaneceu estável, na casa dos 2,2%, entre 2024 e 2025. enquanto a América Latina viu queda de 7%. O território tem um dos menores índices de incidentes de todo o mundo, com apenas 1,4% das análises realizadas  sendo identificadas como fraudulentas, um número similar ao da Europa.

A redução, porém, acompanha o aumento na sofisticação dos ataques, com os cibercriminosos usando táticas avançadas que combinam engenharia social, identidades sintéticas e redes organizadas para atingir o setor de forma direta. Na visão da Sumsub, há uma redistribuição no cenário de fraudes, que deixa a abordagem de alto volume para focar em golpes mais difíceis de se detectar, levando a dinâmicas diferentes em cada uma das regiões do globo:

Região Taxa de fraudes YoY (2024-2025) % de fraudes entre todas as verificações
Ásia-Pacífico (APAC) +65% 3.3%
Europa +8% 1.4%
América Latina -7% 1.4%
América do Norte -38% 1.6%
África -28% 2.6%

Em 2025, mais da metade (55%) dos operadores de criptomoedas identificaram tentativas de fraude contra seus sistemas — para 30% deles, foram múltiplos incidentes ao longo do ano, enquanto outros 25% foram atingidos pelo menos uma vez. Com isso, a preocupação principal se voltou para a melhoria dos sistemas de verificação, principalmente diante de um total de 15% de fornecedores consultados que afirmaram não terem certeza se foram alvos de ataque no ano passado. Em mercados preferenciais como o Brasil, onde a regulamentação caminha a passos largos rumo ao amadurecimento, essa se torna uma proridade estratégica.

“O mercado cripto chegou a uma fase em que a disciplina operacional e o compliance importam mais do que o ritmo de expansão”, analisa Georgia Sanches, country manager da Sumsub no Brasil“Em 2026, o crescimento sustentável virá para aqueles que construírem a confiabilidade como o centro de sua infraestrutura. Execução regulatória, resiliência a fraudes e eficiência no onboarding não são mais desafios separados, mas sim, questões interconectadas, especialmente em mercados em maturação e cada vez mais regulados, como o brasileiro”

Novo perfil de fraudes traz mudança de postura ao setor

Ao analisar dados do próprio banco de dados de verificação e entrevistar 300 empresas do setor cripto fora de sua base de clientes, a Sumsub vê os ataques sofisticados baseados em inteligência artificial como o “novo normal” da indústria cripto, bem como o principal aspecto que leva à mudança no foco dos operadores. Ao final de 2025, mais da metade das empresas entrevistadas (57%) afirmou priorizar ferramentas de detecção de fraude baseadas em IA, enquanto 51% investem em plataformas avançadas de análise e monitoramento de fraudes.

As melhorias já podem ser sentidas no aumento de 1% na taxa global de verificações bem-sucedidas, que chegou a 94% e resulta em milhões de usuários legítimos obtendo acesso às plataformas com menor fricção em todo o mundo.  O tempo global de verificação também teve queda de 14%, refletindo a agilidade aprimorada dos processos.

Diante disso, a Sumsub enxerga uma nova tendência no desenvolvimento de sistemas, com os departamentos de UX e compliance trabalhando de forma cada vez mais integrada, principalmente para aplicação da Verificação Sem Documentos. Isso caminha ao lado dos principais fatores de preocupação citados pelos entrevistados no relatório, como falsos positivos ou negativos (60%), a demora na verificação de clientes (58%) e uma experiência de usuário ruim (58%).

No Brasil, a inovação também caminha lado a lado com conformidade. Novos requisitos do Banco Central relacionados à Travel Rule e ao combate à lavagem de dinheiro (Resolução BCB n° 520, de 10/11/2025) potencializaram o uso de sistemas que garantam eficiência no onboarding sem perder o compliance de vista. O país tem a segunda maior velocidade de Verificação Sem Documentos da América Latina, com uma taxa de sucesso de cadastros de 95%, contra 93% do onboarding tradicional de usuários usando cédulas de identificação..

O movimento brasileiro acompanha o restante do mundo, com a Sumsub apontando a implementação da Travel Rule como o desafio primordial para os operadores no mercado atual. De acordo com o relatório da Sumsub, mais da metade das plataformas estão ou totalmente prontas (23%) ou ativamente implementando a Recomendação 16 Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) (28%), enquanto 43% ainda possuem incertezas sobre esse movimento.

“Maturidade regulatória é sinônimo de sistemas melhores, não apenas novas regras. As plataformas que implementarem a verificação ao DNA dos seus produtos terão vantagem, com a automação atrelada a controles robustos, transparência e responsabilidade”, completa Ilya Brovin, Chief Growth Officer da Sumsub“Na era da IA agêntica, o dilema central é como a verificação será capaz de vencer a fraude. Quem resolver essa dinâmica não apenas atenderá às necessidades normativas, mas também definirá o próximo padrão de confiança em cripto.”

A versão completa do relatório State of the Crypto Industry 2026 pode ser acessada em: https://sumsub.com/crypto-industry-report-2026/